Existe uma pressão cada vez maior em fazer mais em
menos tempo. Comecei a sentir isso anos atrás, ao me
sentir culpado por sentar no sofá no final da tarde
e sorrir por não ter nada para fazer. Infelizmente,
a sensação durou pouco, pois meu cérebro começou
imediatamente a fazer uma lista de coisas – algumas
úteis, outras não – que eu poderia estar fazendo no
momento e rapidamente senti remorso por estar ali,
“perdendo tempo” (quando na verdade deveria estar
curtindo o final de um dia produtivo).
Noto também que é comum vermos gente almoçando e
falando ao celular ao mesmo tempo. Muitas vezes até
interrompem quem está à sua frente para falar com
alguém que está em outro lugar. Além da falta de
educação (e de respeito), o que dá para notar é que
algumas dessas pessoas realmente não estão almoçando
– estão apenas colocando comida para dentro. É como
se fosse uma parada obrigatória, mas, se pudessem
escolher, estariam fazendo outra coisa, em outro
lugar, com outras pessoas. Essas pessoas não estão
ali de verdade, se estivessem, notariam os jogos de
luzes e sombras, o aroma, a energia do local, o
sabor da comida, a cor do prato, os talheres. Mas
tudo o que querem é colocar comida rápido para
dentro, para “voltar para a vida”, como se aquele
momento também não fizesse parte dela.
Precisamos ter a disciplina de prestar atenção
nessas coisas, pois são elas que nos relembram que
estamos vivos, que não estamos sozinhos e que
fazemos parte de algo maior, conectados com o resto
do universo. Você não consegue controlar tudo, mas
ao escolher a simplicidade descobrirá que, muitas
vezes, pouco pode ser muito.
“Devagar que tenho pressa”, se não me engano, foi
dito por Napoleão. Precisamos aprender a dizer “não”
a algumas coisas para poder prestar mais atenção em
outras. Até mesmo nas coisas materiais. Quantas
coisas temos e que não precisamos? Realmente
precisamos de todas as bugigangas, eletrônicas ou
não, que temos em nossa vida?
Note que cada coisa a mais que você coloca na sua
vida demanda um tempo maior que será dedicado a
isso. Isso significa, necessariamente, menos tempo
para o resto, pois como você já deve ter notado,
infelizmente o tempo não estica. São 24 horas e só,
acabou o dia.Tanto que qualquer especialista sério
de administração do tempo começa seu curso
explicando que nós não administramos o tempo, pois
ele é “inadministrável”. Por mais que você tente, um
segundo demora um segundo e um minuto demora um
minuto. A única coisa que você pode administrar é o
que fará com aquele minuto – a que dará prioridade e
fará agora e o que deixará para amanhã. Ou seja,
você administra o que faz com o tempo, mas não o
tempo em si. Então, não adianta reclamar que o dia é
curto ou que você tem coisas demais para fazer. O
problema, muitas vezes, está em provocar a
complicação e não procurar a simplicidade
simplesmente por não saber dizer “não”.
Como o que você está fazendo neste exato instante é
terminar de ler meu pequeno artigo, gostaria de
aproveitar o momento para relembrá-lo da importância
da simplicidade e da disciplina em dizer “não” às
coisas que roubam seu tempo do que é realmente
importante na sua vida. Todo mundo faz listas de
coisas “a fazer” – eu acho que deveríamos todos ter
listas de coisas “a não fazer”. Com certeza seria
bem útil (e simples).
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

