Um dos temas que mais me pedem ao dar palestras é
“motivação”.Talvez fosse interessante revermos uma
das teorias mais antigas que existe sobre a
motivação das pessoas no trabalho – a Teoria dos
Dois Fatores, de Frederick Herzberg.
No seu livro A Motivação para Trabalhar (The
Motivation to Work), Herzberg resumiu os resultados
da pesquisa que fez, na qual perguntava aos
funcionários de empresas o que os motivava a
trabalhar e o que os desmotivava. Ele desenvolveu o
que chamou de fatores motivacionais (que motivam as
pessoas a trabalhar) e higiênicos (usando higiene no
sentido de fatores de manutenção, que não trazem
necessariamente satisfação, mas que provocam
insatisfação e desmotivação quando não presentes).
Com base no trabalho de Herzberg, podemos criar uma
tabela simples para entender melhor o assunto. Esses
são os itens que mais desmotivam e os que mais
motivam as pessoas no trabalho (em ordem de
prioridade e importância dentro de cada grupo):
Fatores desmotivacionais (higiênicos)
• Normas da empresa
• Supervisão
• Relacionamento com o chefe
• Condições de trabalho
• Salário
• Relacionamento com os colegas
Fatores motivacionais
• Conquistas
• Reconhecimento
• Trabalho sendo realizado
• Responsabilidades
• Avançar na carreira
• Crescimento pessoal
Embora existam críticas à teoria (a principal é que
é natural do ser humano achar que a culpa da
desmotivação é sempre dos outros – dê uma olhada na
lista e note como todos os fatores desmotivacionais
são externos), uma empresa que queira analisar por
que sua equipe não está tão motivada quanto deveria
tem aqui uma lista simples, para começar.
Para Herzberg, a direção da empresa não tem de
dedicar-se apenas a diminuir os fatores
desmotivacionais, mas também a investir nos fatores
motivacionais se quiser que a sua equipe produza com
todo o potencial.
Veja que se falarmos especificamente de equipes de
vendas, comissão (que faz parte de salário) é apenas
uma das 12 opções que um gerente tem para motivar a
sua equipe. Ou seja, não adianta apenas pagar bem se
depois todo o resto está errado e também não adianta
ter um ótimo ambiente de trabalho, mas sem
perspectivas de crescimento (ou pagando mal).
Equilibrar tudo isso é o desafio do bom líder e a
diferença entre uma equipe com o freio de mão puxado
e uma equipe de vendedores 100% engajada, produtiva
e estimulada a vender mais e atender melhor os seus
clientes.
Palestra motivacional só para comemorar resultados –
antes é preciso arrumar a cozinha.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas. Formado em Administração de Empresas e mestre em empreendedorismo pelo Babson College, é responsável pelo portal www.vendamais.com.br.

