Todos os Favores aos Amigos, a Cruz aos Inimigos
Por Ivan Postigo
08/01/2011
Um dos exercícios mais sábios do homem é a tolerância.
Tolerância no sentido de atitude respeitosa, não de submissão à humilhação.
Esta segunda forma é que gera as revoltas e confrontos sangrentos.
Como pano de fundo de todas as guerras há sempre pessoas que foram pressionadas
para ceder, e levadas ao ponto de exaustão.
Uma quantidade significativa de crimes em nosso país ocorre porque providências
não foram tomadas quando sinais de intolerância se apresentaram.
O agressor perdeu as medidas e o agredido não acreditou em seu direito à defesa
e proteção. Como resultado nos deparamos com atitudes extremadas.
Papais assustados vivem a repetir: - Meu filho fez isso? Não, de forma nenhuma,
ele é um bom menino!
Não, não é! Aliás, os únicos que não sabem ou fingem não saber, que ele não é um
bom menino, são os pais!
Dinheiro e amizades prestam favores e absolvição até o próximo crime.
Protegidos, nos sentimos inimputáveis. Senhores da situação, onde nem mesmo a
lei possa nos alcançar. Dr. Fulano nos protegerá. É amigo de papai, da mamãe, da
família!
Contava um amigo advogado: Noite de réveillon, uma descontrolada, depois de
momentos de intolerância, ao ser questionada pelas autoridades por suas atitudes
de invasão de privacidade e difamação, os chamava de mentirosos. Providências
tomadas para que responda por desacato à autoridade, depois de liberada, ainda
arrumou algumas confusões.
Drogada, sofre algum distúrbio mental?
Não, falta-lhe consciência de civilidade.
A excessiva tolerância, evitando mantê-la no cárcere aquela noite ou quem sabe
alguns dias, permitiu-lhe exercitar seu falso poder de ser intolerante. E assim
seguirá se não houver medida de contenção.
Não se constrói uma sociedade justa e com paz de convívio dessa forma.
Uma sociedade justa e verdadeira, uma nação, precisa de valores. Não apenas dos
valores de alguns poucos líderes e mártires, os quais, depois de executados com
armas de fogo e pregados em cruzes, se tornarão símbolos e referências para
muitos discursos sem propósitos, mas dos valores de todos os homens de verdade,
como costumamos nos considerar.
A nossa tolerância deve ser exercitada permitindo aceitar e reconhecer as
diferenças, nossa intolerância deve ser conduzida para evitar a injustiça.
Quando houver excesso que seja para o bem, ainda assim, para o bem do bem, este
não deve ser exacerbado.
As cruzes já ostentam injustiças demais em favor dos amigos dos amigos, que dos
desafetos fizeram inimigos.
Sem medidas, não o homem, mas as idéias são concorrentes, competidoras, sem
afeto e inimigas.
Para eliminar a idéia, eliminamos o homem.
Sem sabedoria e medidas de contenção, devastaremos as florestas e ainda faltará
madeira para as cruzes, para os inimigos condenados pelos amigos.
Seria a intolerância o reconhecimento de nossa incapacidade e incompetência para
novos aprendizados?
Terá chegado o homem ao limite de sua racionalidade?
Nossa excessiva lógica nos terá transformado em seres racionalmente ilógicos?
Será o nosso destino a cruz, à qual seremos encaminhados pelos inimigos de
nossos amigos?
Que as cruzes sejam apenas um símbolo de nossa tolerância, para elas já enviamos
grandes homens.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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