Apontado
como uma das seis grandes
tendências para o varejo no
Brasil, o E-Commerce cresce
consistentemente,
apresentando índices
superiores a 20% ao ano nos
últimos anos, o que se
mantém inclusive em 2009,
considerando-se a crise
econômica mundial. O Brasil
possui mais de setenta
milhões de usuários de
internet, ou seja,
aproximadamente 40% da
população, esse número é
superior à população total
de muitos países, tais como
França, Itália e Espanha. O
Brasil é o país onde as
pessoas passam mais tempo
navegando na web, são mais
de 26 horas por mês em
média. Hoje existem
aproximadamente treze
milhões de e-consumidores
brasileiros, sendo que as
perspectivas apontam que
esse número poderá evoluir
rapidamente para vinte
milhões, que é a quantidade
de pessoas que se utilizam
de serviços financeiros
online. Essa análise leva em
conta o fato de as pessoas
terem perdido o receio para
fazer transações financeiras
na internet, então, o
próximo passo natural será a
aquisição de produtos e
serviços na rede.
Há outros números que
representam essa rápida
evolução da internet. Nos
últimos sete anos o número
de internautas no Brasil
quadruplicou e sete, em cada
dez internautas, visitam
sites de compra. A cada dado
verificado torna-se clara a
necessidade de estar
presente nesse universo.
A previsão de faturamento
para o ano de 2009 é de dez
bilhões de reais, porém com
alguns fatos recentes no
mercado brasileiro,
acredita-se que esse número
poderá ser até superado,
apesar do cenário adverso. É
o caso da entrada de grandes
players como Casas Bahia,
que nesse ano já injetou R$
3,7 milhões na sua loja
virtual, Ponto Frio, que
também lançou sua loja
virtual, WalMart que
investiu R$ 25 milhões no
seu portal de comércio
eletrônico e grupo Pão de
Açúcar, que aperfeiçoou os
serviços do Extra.com. Além
disso temos a redução de
impostos sobre produtos de
linha branca e a retomada do
crédito.
Ironicamente, um movimento
muito interessante que vem
sendo sinalizado é a perda
de participação, no
faturamento total, por parte
dos grandes varejistas,
devido à entrada de pequenas
e médias empresas. Uma
demonstração desse fato é
que somente no primeiro
trimestre de 2009 a redução
dessa participação foi de
6,45%.
Isso se deve ao grande
interesse observado na busca
por maior conhecimento sobre
o tema por parte das PME’s,
para que possam entrar
também nesse universo
promissor. Com isso, os
microempresários têm
participado cada vez mais de
cursos e seminários para
entender quais os passos
necessários, quais as
parcerias que precisam ser
firmadas, os investimentos,
enfim, todo o caminho a ser
percorrido.
Outro fator fundamental é
compreender o comportamento
do e-consumidor, como esse
grupo tem evoluído e
contribuído para o
crescimento do varejo
eletrônico. O receio de
executar operações
financeiras é um dos
entraves para um crescimento
ainda mais acelerado do
E-Commerce, porém, como dito
acima, isso vem mudando
recentemente e fazendo com
que mais e mais internautas
passem a utilizar as
facilidades e a conveniência
da internet para realizar
suas compras.
A entrada das classes
populares na internet é hoje
um dos fatores que mais
movimenta os números da vida
online. Essas classes,
principalmente motivadas
pelo interesse na educação
dos filhos, se sentem
obrigadas a lhes
proporcionar acesso à web.
Atualmente, com as
facilidades geradas pelos
financiamentos para a compra
de computadores, a baixa
renda foi responsável pelo
ótimo desempenho de vendas
que esse produto obteve nos
últimos anos, pois em 2007
foi a primeira vez que os
computadores superaram a
venda de televisores no
país, o que se repetiu em
2008, quando foram vendidos
doze milhões de equipamentos
frente a dez milhões de TV´s.
Ainda sobre o comportamento
do consumidor online no
Brasil, 86% deles se
declararam satisfeitos com o
processo de compra
realizado, segundo pesquisa
do instituto e-bit, na qual
são apontados que os itens
mais relevantes para esse
índice de satisfação do
consumidor são entrega no
prazo, qualidade no
atendimento e facilidade na
navegação.
Outro fator que tem
influenciado as compras na
web e essa satisfação é o
crescimento das redes
sociais colaborativas, que
são muito eficazes no
momento da decisão de
compra, pois o internauta
pode obter informações
complementares sobre
produtos e serviços bem como
indicação de outros
consumidores. Por outro
lado, as redes servem também
como um sinal de alerta para
as lojas, que, ao terem
acesso às reclamações e
sugestões dos clientes,
podem com isso aprimorar
seus serviços. Uma boa parte
dos internautas,
aproximadamente 46%, costuma
pesquisar os comentários de
outros usuários antes de
realizar suas compras,
conforme levantamento
realizado junto aos
participantes do último
‘Campus Party’, evento
realizado em São Paulo em
janeiro deste ano, além de
20% deles que citam ter o
costume “postar”
informações, dicas e
detalhes sobre produtos em
diversos sites e
comunidades. Esse é o famoso
“marketing boca a boca”,
porém potencializado ao
extremo, devido à agilidade
da rede. Basta lembrar que o
brasileiro é um dos povos
que mais aderiu à navegação
em comunidades online como
Orkut, Flickr, Twitter e
Facebook, entre muitas
outras.
A mesma análise sobre
satisfação com o consumo
online foi verificada em um
estudo realizado com
consumidores
norte-americanos pela
ForeSee Results, o qual
demonstra que pessoas com
hábito de comprar pela
internet estão mais
satisfeitas com as lojas
virtuais do que com as
físicas. Variando numa
escala de zero a cem, as
lojas virtuais atingiram
noventa pontos em
satisfação, sendo que o
comércio tradicional chegou
a 72 pontos apenas. Outro
fator, apontado pela
pesquisa, é que a chance de
o consumidor virtual voltar
comprar na mesma loja na web
e recomendá-la para outros
consumidores é de 65% e 75%,
respectivamente, o que
demonstra uma enorme
fidelização, sonhada por
todos os profissionais de
marketing.
O mundo das compras online
foi extremamente facilitado
pelas ferramentas de busca,
ou os famosos buscadores,
como o Google, mas
principalmente por aqueles
que possibilitam buscas por
preço, pois permitem que se
façam comparações de forma
instantânea, tanto é que
praticamente todas as
pessoas que costumam
consumidor na rede os
consultam antes de realizar
qualquer compra. Esses
pontos tornam o comércio
eletrônico bastante
peculiar, pois obrigam os
varejistas a se adequarem a
um “padrão web”, tendo em
vista que não é viável
operar de forma muito
diferente dos concorrentes,
principalmente com relação a
processo de vendas e formas
de pagamento. Sem esquecer
que com essa facilidade, os
consumidores passaram a
adotar um comportamento
bastante interessante, de
imprimir suas pesquisas, por
exemplo, e ir negociar numa
loja física, para tentar
obter a melhor negociação
possível.
A sugestão indicada aos
varejistas que ainda relutam
em adentrar o mundo online é
que procurem criar diversos
canais de acesso aos seus
consumidores, integrando os
novos meios digitais aos
tradicionais, como tem sido
feito pelas montadoras de
automóveis, que
disponibilizam todas as
informações possíveis online
para que os clientes cheguem
à concessionária com sua
decisão tomada, apenas para
fechar o pedido. Nesse
mercado, a internet tomou um
espaço fundamental, pois de
70 a 80% dos compradores
visitam os sites dos
fabricantes durante o
processo de tomada de
decisão. Essa tendência foi
apontada na última edição da
“NRF – National Retail
Federation”, no mês de
janeiro em Nova York. Para
atrair a atenção dos
consumidores, os principais
players desse setor têm
investido algo em torno de
10% da sua verba
publicitária em estratégias
de Marketing Digital,
envolvendo ações inovadoras
de Mobile Marketing e
Advergaming, além das
tradicionais campanhas de
email marketing e banners.
Há outros exemplos de redes
de varejo que possibilitam a
compra online e a retirada
dos produtos pode ser feita
diretamente pelo cliente na
loja física. Isso se aplica
muito bem àqueles que têm
certa urgência ou mesmo são
mais céticos e não se sentem
confortáveis em realizar
todo processo online. Outras
lojas procuram facilitar a
troca de produtos adquiridos
online, gerando assim maior
confiança no momento da
compra.
Deve-se ressaltar também o
crescimento da mobilidade,
devido à evolução dos
aparatos móveis, que traz
consigo o conceito de “M-commerce”,
ou seja, o comércio via
celular. Lembrando que temos
hoje no Brasil mais de 150
milhões de linhas ativas. O
M-commerce representa ações
de compra e venda que podem
ter início ou fim com o uso
do celular. Pode-se utilizar
por o SMS para informar já
clientes sobre uma
determinada promoção da rede
de varejo, por exemplo.
O crescimento do Comércio
digital está totalmente
associado a uma abordagem de
nichos específicos, muito
mais do que a mercados de
massa, principalmente quando
falamos da entrada das PME’s.
Essa teoria foi bastante
explorada sob o conceito de
“Long Tail” ou Cauda Longa,
no livro do autor Chris
Anderson, segundo o qual há
uma infinidade de pequenos
mercados, gerados por
desejos específicos de
consumidores que se
diferenciam dos grandes
grupos de consumidores, e
isso leva a oportunidades
para novos negócios, que são
mais facilmente viabilizados
pela internet, dado o
alcance que esse canal
possui e a facilidade gerada
pelos mecanismos de busca
para se localizarem artigos
e serviços peculiares.
Com as facilidades de acesso
à internet crescendo
incessantemente, com a
redução dos custos gerada
pela “Cloud Computing” –
conceito novo para explicar
que não é necessário
adquirir todos os
equipamentos e softwares
para o desenvolvimento de
negócios – e com
investimentos menores que o
marketing digital permite,
não será mais possível que
grandes varejistas, e nem
pequenos, fiquem à parte
dessa nova realidade, a qual
traz grandes desafios, mas
também grandes oportunidades
de atender a novos segmentos
e nichos de mercado.
Sandra Turchi é graduada
pela FEA-USP, pós-graduada
pela FGV-EAESP e MBA pela
Business School São Paulo
com especialização pela
Toronto University e em
empreendedorismo pelo Babson
College em Boston. É
superintendente de Marketing
da Associação Comercial de
São Paulo (ACSP) instituição
que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção
ao Crédito). Site:
www.sandraturchi.com.br -
Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi

