10 Dicas para Preparar Equipes de Vendas (Varejo)
Por Luís Sérgio Lico
25/04/2008
Vivemos uma época de grande velocidade de transformações. Neste contexto
mutável, proliferam mitos organizacionais a exigir perfis e personalidades
definidas para determinada função. A maioria dos “gurus” afirma que uma pessoa
comum não conseguiria nunca ser um bom vendedor. Então, os testes para a
contratação procuram identificar a discursividade, ambição, proatividade,
verificar a “taxa de testosterona” para buscar e contratar somente aqueles que
são bons de combate, ou seja: buscam-se pitbulls. Eles teriam a “base” perfeita
para a ação.
Mas, será que é fácil lidar com um animal feroz e indócil em suas equipes?
Alguém cujo gosto pela competitividade extrapole limites éticos? Que talvez não
hesitasse em colocar em risco o faturamento ou a equipe só para não perder uma
parada? Ou se desmotivasse logo com a rotina da empresa (ou do gerente),
espalhando o vírus do pessimismo? Pois bem! Então não se trata de uma questão de
forma, mas de conteúdo: Como identificar as pessoas certas, para desempenhar um
papel definido? Além disso, temos a problemática do treinamento, do compromisso,
das relações hierárquicas, da satisfação do cliente. A construção do valor deve
orientar nossos passos.
Se comportamentos podem ser medidos, em condições de laboratório, avaliar
consciências é difícil. Por isso, devemos refletir muito para escaparmos à
contradição, em nosso esforço de montar uma equipe campeã. Um erro comum é
ostentarmos dois tipos de discursos: Um que valoriza a capacidade de superação:
Acredite em Você! Desenvolva suas capacidades! Você pode vencer! E outro, mais
pragmático e, porque não, míope, que afirma: Este não serve, não nasceu para
vender! Não estou aqui para ensinar ninguém! Mas... Nossa personalidade é
construída a partir de interações com o meio e descobrir e lapidar potenciais é
justamente a base de formação de times imbatíveis.
Não somente pessoas, mas um clima organizacional que possibilite distinguir
entre capacidade e competência. Um profissional que “já vem pronto” pode também
trazer vícios indesejáveis ou, simplesmente, ser refratário a qualquer esforço
de treinamento. Ou seja, não é capaz, embora competente. Dependendo do tipo de
atividade comercial, uma pessoa paciente e gentil vende muito mais que alguém
“ansioso para fechar”. Hoje vale mais a disciplina, planejamento e regularidade
que um fenômeno passageiro. Aliás, neste mundinho frio, impessoal e globalizado,
a boa educação e a segurança no trato é o que realmente “encanta” o Cliente.
Pitbulls ameaçam!
É preciso, no ponto de venda, apresentações diferenciadas visando despertar a
atenção, o interesse e o desejo dos Clientes em adquiri-los. Trabalhar não a
pressão, mas a comunicação persuasiva, explorando, todos os aspectos sensoriais.
Por isso, uma topografia de auto-gestão, deve ser implementada desde a
contratação e não deve ficar presa a estereótipos. Depois, alinhar a missão
através das outras etapas: integração, treinamento, horizonte de metas, normas e
convivência. Para isso, sugerimos algumas opções técnicas que podem ajudar neste
trajeto:
1 – O primeiro passo é definir quais as réguas de competências e anunciar
corretamente, com um perfil que seja abrangente. Não exclua que demonstre
possuir capacidades que possam ser treinadas depois, isto pode oferecer vantagem
competitiva. Lembre-se, portanto, de não restringir a faixa etária, gênero, raça
ou você corre o risco de perder talentos!
2 - Após ter selecionado, a melhor maneira de escolher quem realmente está
comprometido e deseja contribuir é um case real. Treinamento, integração e o
acompanhamento, nesta etapa são fundamentais para garantir a qualidade do
desempenho. Deve-se deixar claro que todos são responsáveis pelo negócio e devem
ter iniciativa e conhecimento: isto é auto-gestão.
3 – O varejo não é mais comércio, mas, sim, prestação de serviço. Não se tem
mais um produto para vendê-lo a alguém. Você tem de conhecer o seu público-alvo,
conhecer o que ele precisa e arranjar esse produto para ele. O conceito mudou de
marketing de produto para marketing de serviço. Embora descaracterizado hoje (o
varejo parece hoje viver mais como financeira do que como ponto de venda,
enfim...), ainda predomina o bom relacionamento. Construa isto, seja em que
modalidade for.
4 - A concorrência não se dá mais por um meio físico. Há uma competição
globalizada e virtual. A venda tem que ser uma experiência do produto. Percepção
é igual a realidade. Tudo é feito pelos cinco sentidos: você precisa ver,
cheirar, pegar, ouvir e degustar. E quanto mais sentidos você apropriar ao seu
produto, mais fácil será a sua venda. Deixe claro à equipe que o bom vendedor é
aquele que é capaz de servir ao Cliente e o fazer ter consciência disto.
5 – Deve-se aprender a crescer junto com o Cliente. Hoje se investe muito em
design, lojas bonitas, amplas, mas sem calor humano. Venda é emoção. Quem compra
móveis racionalmente? Olha esta cadeira tem tal custo/benefício, se paga em
tanto tempo... Esqueçam isto! O varejo é emoção. Por isso a agressividade não
serve! É preciso ter PAIXÃO!
6 - Conheça o que vende e ensine isto à Equipe: Um Cliente não compra um sofá,
mas uma experiência de conforto em sua casa. Não adquire uma luminária ou um
tapete, mas decoração para si e para mostrar aos outros. Não consome produtos,
mas a interpretação por trás deles: Sucesso, elegância, status, praticidade,
destaque, sonhos realizados. Para isso ele deve ser atendido de forma técnica e
cortês.
7 – Fique atento às fases da venda: Abordagem ativa (sem grudar), levantamento
de informações (perguntas inteligentes), apresentação de produtos (sintética e
objetiva), tentativas de fechamento (sim, são várias), trabalho de objeções (se
há objeção há interesse), conclusão e agradecimento (gentileza gera gentileza) e
pós-vendas (é fácil vender para clientes satisfeitos).
8 – Focar as Técnicas de Vendas nos Pontos Chave: Perceber coisas sob o ângulo
do cliente, oferecer sempre o item de maior valor agregado, tentar a venda de
produtos adicionais, evitar discussões sobre pontos de vista, evitar que se fale
demais, oferecer soluções, dar forma definida ao pensamento da outra pessoa,
encontrar o ponto vulnerável para fechamento do negócio.
9 – Reunir e dar feedback regularmente. Criar campanhas de incentivo não somente
a metas, mas a processos e situações que podem ser melhorados no dia-a-dia da
empresa. Engajar todos nas mudanças e processos. Criatividade é um lados do
triângulo do sucesso. Os outros dois são conhecimento e administração.
10 – Além do conhecimento de mercado, produtos e serviços, deve-se desenvolver a
Liderança Ativa, ou seja: A Excelência em Comandar. Gerir pessoas é diferente de
gerir produtos. Somente quem aplica no dia-a-dia toda sua energia criativa,
conhecimento e disciplina pode estar seguro de não ser enganado por falsas
impressões ou perder vendas por percepções equivocadas.
Luís Sérgio Lico é Palestrante e Conselheiro Organizacional. Mestre em Filosofia e Especialista em Gestão do Comportamento. Autor dos Livros: O Profissional Invisível e Fator Humano. www.consultivelabs.com.br