Os 5 Degraus da Ruína Empresarial
Por Ivan Postigo
14/06/2010
Tenho abordado a questão da derrocada empresarial, com mais freqüência do que costumo fazer, por duas razões:
a) As consultas de empresas em sérias dificuldades têm aumentado;
b) Quando escrevo sobre um determinado assunto é comum que surjam mais perguntas.
Nesses momentos, em que a crise assola a empresa, a primeira conversa com os
gestores é bastante longa e truncada.
Envolvem debates sobre o futuro, algumas abordagens sobre o presente, que é o
que importa, e relatos de intranquilidade.
Ao usar esses termos me perguntaram: - Você sempre fala do futuro, este é que
devemos planejar, o presente já se tornou operacional, então porque você nesse
caso está com o foco nele?
Ora, é simples, quando algo não tem futuro o que é que importa? O presente!
Uma atenção especial no presente quem sabe não abre novamente as portas do
futuro?
Isso é cruel? Sim, mas porque essa situação se apresenta dessa forma?
Não responda, não precisa, coloco a seguinte situação:
Uma pessoa lhe diz que não tem mais crédito com os fornecedores e nem com os
bancos, pois esgotou todas as linhas, e sem matéria-prima a fábrica ira parar no
dia seguinte.
Como você qualifica essa situação?
Que recomendações sobre o futuro do empreendimento pode dar a ela?
Calma, não vale lhe perguntar por que não o procurou antes e por que deixou a
situação chegar nesse ponto!
Tudo o que ela precisa nesse momento é que você a ajude a pensar como sair dessa
situação.
Você pensa, pensa, pensa, e não vê saída.
Ah, vende a empresa!
Ok, quando? Lembre-se que a fábrica vai parar amanhã e as despesas continuam
“correndo”.
Dá para sentir o tamanho do problema?
Como a conversa é entre nós e não com o gestor que está com o “pepino” ou o”
abacaxi para descascar”, vá lá, faça a pergunta.
-Por que deixaram a situação chegar nesse estágio?
A lista de motivos é enorme, desde a invasão de produtos estrangeiros até as
barreiras criadas pelo ego.
Estava tratando de algumas questões financeiras esta semana quando um amigo me
lembrou uma frase, que ele considera sensacional, para ser usada quando nos
achamos maiores que os desafios e não aceitamos e não queremos ajuda.
Temos uma pessoa nos nossos contatos, hoje felizmente bem sucedida, que já
passou por enormes apertos, que nos disse certa vez:- Aprendam com os erros dos
outros, até então é grátis.
- Pagar o preço por puro orgulho é estupidez.
- Digo isso porque a minha empresa “arrebentou” bem antes do que meu ego, e se
não tivesse acordado teria levado esta também “pro buraco”.
Evidentemente que a situação de uma empresa em crise não dá para ser avaliada
numa tabelinha e nem os vários estágios são nítidos, mas dá para considerar que
o processo de deterioração tem cerca de 5 degraus.
Primeiro: Orientação
Os gestores deveriam buscar orientação, os erros estão evidentes e algumas ações
podem rapidamente recolocar a empresa nos eixos.
Vaidade, política, teimosia, medo das mudanças criam barreiras que impedem a
incorporação e ação de “agentes externos”.
Segundo: Correção
Entramos numa fase um pouco mais delicada e a empresa começa a sentir o impacto
financeiro dos problemas.
As linhas de crédito se aproximam de limites perigosos e as garantias começam
exaurir.
Terceiro: Socorro
Pronto, cheques especiais esgotados. Todas as linhas tomadas.
Os gestores já não administram os negócios, a ordem é arrumar dinheiro.
A folha de pagamento começa a atrasar, os fornecedores se recusam a entregar
material sem pagamento de parte dos valores pendentes, pagamentos em cartório
viraram uma constante.
Quarto: Salvação
A situação ficou tão complicada que nem vendendo uma parte do patrimônio a
situação mostra possibilidade de reversão.
Já especularam uma possível venda da empresa, mas uma pessoa se interessa só
pela marca, outras por algumas máquinas e equipamentos, mas ninguém está
disposto a comprar o problema.
As propostas são encaradas como ofensas e os atritos estão a “mil”.
A notícia já é de conhecimento geral e o valor da empresa, se é que ainda tinha
algum, despencou.
Quinto: Falência
Por que não tratar a situação em uma concordata?
Quer dar uma sobrevida ao negócio? Pode colocar essa medida no estágio de
salvação.
Quando o fato que levou a empresa ao processo concordatário é uma questão
mercadológica e não problema de gestão costuma ser mais fácil a superação. A
empresa precisa de algum tempo para ganhar fôlego, mas quando a questão é
dificuldade de gestão é pouco provável que a situação se resolva.
Valores pessoais e convicções se sobrepõem a questões técnicas.
Nesses casos as pessoas decidem mais para ter razão do que para gerar
resultados.
São momentos em que a procura por orientação costuma ocorrer: A crise no último
degrau.
A esperança de reversão ficou lá entre o terceiro e quarto passos.
É sempre bom ter desafios profissionais, mas cá entre nós, é bem melhor quando
são para superar as barreiras de crescimento.
Muitos gestores quando chegam próximos da meta e não a superam, suspiram e dizem
desanimados: - O mercado ta complicado!
Complicado?
Complicado é o quinto estágio que acabamos de ver. Isso sim é complicado!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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