O Alto Custo da Administração Barata
Por Ivan Postigo
27/10/2009
Como gestor a melhor contribuição que você pode dar à sua empresa é dedicar-se
àquilo que melhor faz.
Caso sua vocação seja comercial, certamente a empresa ganhará muito com suas
orientações e recomendações para aumento das vendas, se for industrial poderá
ter uma fábrica organizada, limpa, com uma excelente estrutura de planejamento e
atendimento de pedidos, ou se for administrativa terá muito que fazer nas
questões contábeis e financeiras.
Para as demais áreas agregue competência, contrate quem sabe fazer, assim as
questões operacionais serão executadas de forma rápida e segura e você poderá
dedicar mais tempo às questões estratégicas.
Vejo sempre gestores se envolvendo em questões simples, mas por falta de
conhecimento técnico transformam a situação num conflito desnecessário.
Um de meus primeiros chefes e mestres não sabia muito sobre contabilidade e
sempre se atrapalhava em identificar o ativo e o passivo, então quando tínhamos
que analisar o balanço ele me dizia: “ Vem para minha sala, assim eu abro a
gaveta e lá tem um papel com as indicações”.
Em letras vermelhas e grandes lia-se: “Ativo do lado da porta e passivo do lado
da janela “.
Era a brincadeira mensal e uma indicação simples e clara de que se não sabe
fazer é melhor pedir a quem sabe, não dava para levar a mesa junto a todo lugar
que fosse!
Muitas empresas, em momentos de maior dificuldade na gestão, contratam
profissionais para colocá-la nos trilhos, mas passado algum tempo começam a
questionar os custos e efetuam cortes, tendo como alvo os maiores salários.
Não demora muito para que comecem as observações sobre o fato de que João
desenvolvia um determinado trabalho com facilidade, com erros mínimos, mas José
não consegue ter o mesmo desempenho. Desnecessário dizer quantas teses vão ser
levantadas!
A resposta é muito simples: João tinha experiência, João sabia fazer.
Um amigo quando ouve observações como essa costuma responder: Quando fazemos a
coisa certa sempre os resultados são bons, impressionante não?
Um dia alguém vai espancá-lo! Espero que não.
Pensava nisso outro dia quando me deparei com um programa na televisão sobre
refugiados na África.
Essas pessoas atravessam um trecho de um país a noite, onde há uma grande
quantidade de leões. Com bastante freqüência são atacados e muitos devorados por
esses animais que têm o hábito noturno de caça.
Pensando em espantá-los carregam consigo latas, panelas, tampas, e andam
batendo, fazendo um enorme barulho, mas sentem que ao invés de afastá-los, os
estão atraindo.
Um especialista que trabalha há décadas com esses animais esteve na região e
confirmou que é exatamente isso que está acontecendo, e com uma lata e alguns
pedaços de carne rapidamente treinou um leão. Jogava carne para o animal e batia
na lata, rapidamente a fera associou o barulho com comida.
Quando as pessoas passam fazendo barulho, mesmo os leões mais distantes sabem
que está chegando comida na área.
Nas nossas empresas não é diferente quando colocamos pessoas sem treinamento
para cuidar de tarefas mais complexas.
Como gestor, um dos cálculos que você deve fazer é se a sua dedicação à sua
especialidade não traz resultado suficiente para pagar o investimento numa
equipe melhor qualificada e ainda ficar com algum lucro do que ter uma equipe
com um custo menor, mas que demande seu tempo para questões não estratégicas.
Caso a sua resposta seja não, diria a você para reavaliar suas tarefas e o tempo
que tem dedicado às questões estratégicas, provavelmente sua concentração está
se dando em aspectos operacionais.
Depois do trabalho de organização nas empresas, com certa freqüência ouço de
gestores que viviam assoberbados: “Você me arrumou tempo, eu não sei o que fazer
com ele “.
Recomendo sempre que vá ao mercado para entender o que está acontecendo, para
avaliar as conseqüências das medidas tomadas e políticas estabelecidas, para
conversar com especialistas, pares, concorrentes, fornecedores, clientes, se
informar.
Penso que é mais sensato se cercar de especialistas do que estar sozinho batendo
lata em hora e lugar errados.
Você , o que acha ?
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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