A Arte da Estratégia
Por Arnaldo Rabelo
10/07/2009
Estratégia é um assunto muito valorizado e pouco praticado em muitas
empresas, em função de parecer complexo demais. No livro "A Arte da
Estratégia", Carlos Alberto Júlio (presidente da HSM) mostra como o tema
pode ser tratado de forma simples. Esse ponto-de-vista está
perfeitamente alinhado com o meu, pois adaptei o processo de
Planejamento Estratégico de Marketing para que possa ser facilmente
aplicado em empresas que não têm experiência com ele, qualquer que seja
o seu porte.
Acompanho sempre a literatura sobre o assunto. É interessante que todos
os livros têm o mesmo fio condutor, mas cada um explica o processo de
uma forma peculiar.
Veja as dicas do livro, com a minha explicação:
1. Tenha um norte para suas ações.
Toda empresa precisa pensar no futuro para nortear o presente,
independentemente de como está hoje.
2. Descubra onde sua empresa está hoje.
Para definir uma boa estratégia, é preciso analisar a empresa, o mercado
e o ambiente onde se encontra. A análise abrande: companhia,
concorrentes, canais (de venda), consumidores (ou clientes), custos e
contexto (conjuntura ou ambiente de negócios).
3. Estabeleça objetivos desafiadores.
Os objetivos devem ser alcançáveis, mas desafiadores. Procure ter
objetivos específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com datas
definidas. Os objetivos gerais podem ser desmembrados em metas
relacionadas (cada objetivo pode gerar um conjunto de metas).
4. Desenhe um caminho diferente de todos os demais.
Para criar diferenciais, pesquise o mercado, segmente os clientes
(separando-os em grupos com necessidades mais homogêneas), posicione sua
marca (associando um conceito a ela e expressando-o ao mercado; ocupando
um lugar único na mente do público), priorize (decidindo o que vem antes
e do que abriremos mão; definindo suas ações de acordo com sua urgência
e importância)
5. Execute. Amarre a estratégia com ações práticas.
As operações relativas a produto (ou serviço), preço, distribuição (ou
pontos de contato com o cliente) e comunicação (incluindo promoções,
relacionamento e vendas pessoais) precisam estar alinhadas às
estratégias. O retorno gerado pela execução é proporcional à margem de
lucro e à velocidade de giro do estoque (ou número de serviços prestados
em uma unidade de tempo). Para executar bem, tenha prioridades
absolutamente definidas, esteja em sintonia com as mudanças externas à
empresa, tenha as pessoas certas nos lugares certos, saiba simplificar
as coisas para comunicá-las melhor e disseminar a idéia de que cada um é
responsável pelos resultados.
6. Controle é fundamental. O tempo todo.
Tenha um sistema eficiente para monitorar o cumprimento das metas; saiba
o que fazer quando uma meta não é cumprida; esteja preparado para rever
estratégias e operações, agindo conforme necessário; procure ter um
olhar positivo sobre as mudanças.
7. Pense grande, comece pequeno e cresça rápido.
O processo estratégico abrange os seguintes passos: estabeleça o
objetivo para a empresa, caminhe no ritmo que a situação atual da
empresa permite, execute as operações de forma alinhada com a estratégia
e controle-as.
8. Eficácia operacional não é estratégia. Mas é igualmente
necessária.
Se a empresa tiver apenas eficácia operacional, sem estratégia,
provavelmente não terá futuro. Mas depois de definir uma estratégia, a
eficácia operacional é fundamental.
9. Todos podem utilizar ferramentas acessórias.
Ferramentas como gestão do conhecimento, gestão do relacionamento com os
clientes, mineração de dados (análise de dados) e outras formam o que
chamamos inteligência de negócios e são muito úteis para qualquer
empresa. Alianças com outras organizações, sejam empresas ou entidades,
também podem ser muito promissoras. O gerenciamento de várias alianças
forma uma rede que tem um grande potencial para o sucesso da estratégia.
Procure ter também ferramentas de motivação e para o aprendizado da
equipe.
10. Parte vital de uma estratégia são as pessoas que irão executá-la
e, neste caso, só existe uma regra: a pessoa certa no lugar certo.
Você não tem a obrigação de ter todas as competências, mas deve contar
com uma equipe que se complemente e, no conjunto, apresente todas as
características necessárias. O dirigente do negócio deve indicar um
administrador qualificado para ser o líder da estratégia, o qual deve
montar uma equipe (incluindo o dirigente) para participar do processo.
Concentre-se em seus pontos fortes e compense suas fraquezas com os
pontos fortes dos demais membros da equipe.
Viu como é simples? Pois comece hoje mesmo a repensar sua estratégia de
negócios, a partir de uma análise cuidadosa e uma discussão em equipe.
Lembre-se de que é muito melhor ter uma estratégia definida de forma
simples do que não ter nenhuma.
Arnaldo Rabelo é diretor da Rabelo & Associados, consultoria de
marketing infantil e licenciamento. www.arnaldorabelo.com.br