Balanced ScoreCard – uma paixão gerencial
Por Werner Kugelmeier
18/01/2007
O Planejamento e a execução da Estratégia nas empresas estão passando
por uma revolução com as novas metodologias e ferramentas de
Inteligência do Negócio, que atualmente está centrada em dois
conceitos-chave: Balanced ScoreCard e Cockpit Management.
O Balanced ScoreCard – BSC é um modelo de gestão, com base em uma
plataforma eletrônica, que estrutura logicamente a estratégia da
empresa, traduzindo-a em metas, indicadores de desempenho e ações, nas
dimensões Financeiro, Cliente, Processo e Aprendizagem. Logo, ele se
torna um painel de comando na direção de comportamentos gerenciais e de
controle na execução da estratégia da empresa.
O Cockpit Management é um modelo de gestão da performance, onde a
atuação cotidiana é refletida em uma visão integrada da situação da área
de atuação, discutida em um Cockpit, ou "Sala de Guerra", em reuniões
altamente produtivas sobre a performance dos gestores individualmente e
da empresa em geral. O BSC é um desafio, não um brinquedo, onde o gestor
pode pilotar seu desempenho: ele deixa o executivo numa posição
confortável ou desconfortável, na medida em que ele tenha feito - ou não
- os gols...
Trata-se, portanto, de uma mudança "radical" no jeito de gerenciar a
empresa. Os executivos podem definir, comunicar e acompanhar os fatores
que afetam o desempenho de forma rápida e intuitiva. Através de telas
personalizadas, os indicadores de desempenho são apresentados aos
executivos. Isso permite que os gestores, em todos os níveis, acompanhem
sistematicamente os sinais “semáforo” de desempenho ( prisma de
desempenho = performance prism). Alinhado com precisão ao planejamento
estratégico da organização, o corpo gerencial terá como agir conforme os
sinais “verde”, “amarelo” e “vermelho”, e medir os efeitos de suas
ações.
Reunião de diretoria: só se fala no “idioma BSC”
Os gestores conseguem partir do mesmo nível de entendimento, quanto :
1. à saúde financeira da empresa, expressa em otimização do investimento
de capital –
base para novos investimentos, aumento de rentabilidade e crescimento
por força
própria;
2. à satisfação consolidada dos clientes - base para a liderança no
mercado, o lançamento
de novos produtos e a capitalização de marca;
3. à rotina racionalizada dos processos internos - base para maior
rapidez no
desenvolvimento de variáveis de produtos, prospecção do mercado externo;
4. ao aprendizado dos colaboradores - base para o fortalecimento de
competências centrais,
a internacionalização de colaboradores e retenção de talentos.
Metas claras e quantificáveis permitem ações prioritárias e nomeação de
responsáveis.
O BSC viabiliza o acompanhamento das ações necessárias para alcançar as
metas. Desta forma, pessoas ficam responsáveis por determinadas ações e
responderão pelo cumprimento das mesmas. O sistema comunica
automaticamente aos responsáveis, via intranet, , o prazo para o término
das iniciativas, assim como o seu eventual atraso.
Quando a empresa tem um bom BSC
Os executivos têm o mesmo modelo estratégico na cabeça; consequentemente,
conseguem explicar a todos os colaboradores, qual é a estratégia da
empresa e identificar quais decisões e ações são consistentes com a
estratégia ( strategy map ). Um bom BSC inclui bancos de dados e modelos
matemáticos manipuláveis, que permitem previsões e teste de cenários. Os
gestores fazem medições capazes de indicar se a estratégia está
funcionando ou não. Os executivos apanham, aprendem e avançam, na medida
em que compreendem que toda estratégia é feita sob hipóteses de causa e
efeito. Com o BSC, os executivos estão sempre testando, descartando e
melhorando hipóteses.
Uma estratégia e várias ações chegando junto.
Poucas empresas têm uma estratégia corporativa. Dessas, nove falham, de
cada dez, na implementação. A explicação já foi dada pela Fundação
Getúlio Vargas: existem o estorvo de visão (só 5% dos funcionários
compreendem a estratégia e, portanto, agem de acordo), o estorvo de
gestão (85% dos executivos gastam menos de uma hora por dia com a
estratégia), o estorvo dos recursos (60% das empresas não amarram o
orçamento à execução da estratégia) e o estorvo das pessoas (só 25% dos
gestores têm remuneração variável ligada à estratégia ).
O BSC neutraliza essa deficiência, por se tratar de um método de
comunicação para ajudar a empresa inteira a implementar uma estratégia.
No entanto, o convívio com um BSC tem profundo impacto numa empresa, o
que requer um forte comprometimento da Alta Direção com o projeto de
implantação. O importante é persistir; o ganho virá na medida em que a
gestão fica mais transparente, revelando, assim, os executivos líderes
talentosos - um conhecimento valiosíssimo para a empresa.
De 2000 a 2004, segundo a e-Consulting, o investimento de empresas
brasileiras em BSC cresceu mais de 500%; uma evolução que se torna
lógica ao considerar benefícios visíveis como: alinhamento de todos os
níveis da organização aos objetivos estratégicos; minimização de
divergências na operacionalização do planejamento estratégico;
comunicação de informações pertinentes a todos os níveis da organização,
em tempo real; compreensão de todos quanto a sua contribuição individual
para o resultado corporativo; controle preventivo das medidas previstas;
redução do tempo gasto para coletar e organizar informações gerenciais,
de dias para minutos; aumento de produtividade na análise de relatórios
gerenciais, através de grande capacidade de detalhamento (drill-down/up),
mais autonomia dos gestores que podem buscar os modelos predefinidos na
intranet e criar versões sob medida, de acordo com suas necessidades – o
“tchan” do BSC: porque não se apaixonar por ele ?!
Werner Kugelmeier é Diretor da WK PRISMA - EDUCAÇÃO CORPORATIVA MODULAR,
Empresa de Treinamentos Empresariais, de Campinas – SP,
www.wkprisma.com.br, Autor do Livro “PRISMA – girando a pirâmide
corporativa”, wkprisma@wkprisma.com.br - (19) 3296 4341/ 3256 8534