O Boato e Marketing Viral
Por Daniel Portillo Serrano
17/05/2010
Pensar em Marketing viral sem pensar que ele não existiria caso a pessoa
checasse antecipadamente as informações antes de disseminá-las seria um
despropósito.
O Marketing viral só cresceu dessa forma pois o ser humano tem uma tendência a
transmitir informações sem verificar a veracidade. Temos uma necessidade latente
de dizer ao maior número de pessoas possível que aquela informação ele soube por
nossa boca. E, assim, nos sentimos cada vez mais importantes. Seja disseminando
piadas, anúncios, vídeos engraçados ou notícias das celebridades.
Segundo Levy (1993), Boato é “o processo pelo qual informações não comprovadas
são transmitidas de pessoa a pessoa que o aceita, transmite, segundo princípio
de quem conta um conto acrescenta um ponto, e acaba por orientar um
comportamento em função dele”.
Na prática, não há a necessidade de acrescentar um ponto cada vez que
disseminamos uma mensagem, mas o princípio básico do Viral com o Boato é o
mesmo: transmitir informações muitas vezes não comprovadas. Se o boato era uma
ferramenta boca a boca que podia demorar meses para se disseminar, atualmente,
com as ferramentas de comunicação disponíveis (emails, sites de relacionamento,
blogs, entre outros), um boato pode ter início às 8:00 da manhã em Paris e, duas
horas depois estar rodando o mundo, com as suas devidas traduções por cada país
que passa.
Se antes o chamariz para o boato era “Já te contei que...” ou “Não conte para
ninguém, mas...”, hoje em dia as mensagens vem precedidas com uma mensagem com
algo do tipo: “incrível...”, “Leia até o fim...”, “Passe para o maior número de
pessoas possível”. Passar para o maior número? Isso se eu quiser, ou se
concordar, ou se assim o desejar.. mas com os atuais instrumentos, ninguém pensa
duas vezes: Xampu dá câncer? Envie para seus amigos. Estão matando baleias na
Austrália? Envie para seus amigos. O governo está tramando algo que não
divulgou? Mande para seus amigos.
Essas mensagens acabam tendo o mesmo efeito do Boato: Nenhum. Assim como era o
boato antigamente, a partir do momento que retransmitimos a mensagem, nos
sentimos livres. Cumprimos nossa missão.
Dessa forma, quando alguém me perguntar o que estou fazendo para salvar as
baleias responderei orgulhoso: enviei um email que recebi com imagens chocantes
de baleias sendo caçadas para o maior número de amigos possível. Que por sua vez
enviaram para outro tanto. Espero que isso seja suficiente para salvar as
baleias.
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Referências:
LEVY, Moisés Mishel - Informação Executiva - Primeira edição - Edicon - São
Paulo - 1993
SERRANO, Daniel Portillo - Marketing Viral - Disponível em
http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos/Marketing_Viral.htm - acessado em 17
de maio de 2010
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Daniel Portillo Serrano é Palestrante, Consultor e Professor. Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Marketing Pela Universidade Anhembi Morumbi, e pós graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Ibero-Americano - Unibero, Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Paulista - UNIP. É consultor de Marketing e Comportamento do Consumidor e editor dos sites Portal do Marketing e Portal da Psique . Tem atuado como principal executivo de Vendas e Marketing em diversas empresas do ramo Eletroeletrônico, Telecomunicações e Informática. É professor de Marketing, Administração, Estratégia, Comportamento do Consumidor e Planejamento em cursos universitários de graduação e pós graduação. Acesse aqui o Currículo Lattes de Daniel Portillo Serrano . Veja um Vídeo do Daniel Portillo Serrano