Brasil Empreendedor - Dados e Fatos
Por Maria do Rosário Martins da Silva
06/11/2005

Que o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, todos sabem. De acordo com o último levantamento do GEM (Global Entrepreneuship Monitor) realizado em 2004, “ele está colocado como sétimo país mais empreendedor do mundo. Essa pesquisa é feita através da taxa de atividade empreendedora (TEA, na sigla em inglês) de 13,5%, que é definida como a percentagem da força de trabalho que está iniciando novos empreendimentos ou já é proprietária ou gerente de negócios iniciados, há menos de 42 meses.” (Fonte: HSM Managemente Update nº 22 – Julho 2005).

Ao ler o resultado da pesquisa, me chamaram a atenção alguns dados sobre o perfil dos empreendedores brasileiros, que destacarei ao longo desse artigo, para que se possa compreender o alto índice de abertura de novos negócios e, principalmente, a informalidade que se encontra instalada no mercado. De acordo com a pesquisa, existem 15,3 milhões de empreendedores no Brasil, um número absoluto inferior apenas ao dos Estados Unidos, considerando até países como China, Índia e Coréia do Sul, por exemplo. Dos empreendedores brasileiros, 46% são motivados “por necessidade” e 54% por oportunidade.

O empreendedorismo feminino responde por 45% do total, o que coloca o Brasil entre os países em que elas mais atuam como empreendedoras.

E 42% dos empreendedores são pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos. Verificou-se também baixa educação formal dos empreendedores brasileiros, tendo em vista que apenas 14% dos 15,3 milhões de empreendedores têm formação de nível superior e 30% nem sequer concluíram o ensino fundamental. Também foram reveladas na pesquisa as condições para empreender no Brasil, encontrando três limitações principais: falta de apoio financeiro, políticas governamentais desfavorável (em especial, burocracia excessiva) e déficit em educação e treinamento.

Foi exatamente esse ponto que me fez pensar sobre o enorme número de empresários que vivem na informalidade (muitos deles no fundo do quintal). E são esses que fatalmente, geram empregos e produzem maciçamente, de forma a “sobreviver” no país que é um dos maiores empreendedores do mundo. Viver na informalidade é a única saída que muitos encontram, tendo em vista que não conseguem pagar tantos impostos, além dos altos custos para se legalizar seu negócio.

Alguns dados confirmam essa opção, sendo que a burocracia, citada acima, no caso do Brasil é considerada a maior do mundo. Para abrir a empresa, são necessários 15 procedimentos, realizados em diferentes instituições e lugares, levando cerca de 158 dias para que seja liberado o funcionamento.

Porém, se perguntarmos a todos esses empreendedores, formais ou informais o que os move em seu dia-a-dia, o que ouviremos, com certeza, é uma única palavra: o sonho! É ele que move, dá forças e impulsiona o brasileiro a ser dono do seu próprio negócio, dando-lhe a cada dia a certeza de que valeu a pena, apesar de todas as dificuldades que têm que enfrentar.

Maria do Rosário Martins da Silva é Mestre em Marketing. Especialista em Recursos Humanos e Marketing. Professora em cursos de Graduação e Pós-Graduação. Palestrante nas áreas de Motivação, Empreendedorismo, Recursos Humanos, Marketing, entre outros. Experiência em desenvolvimento de pessoas nas áreas de Marketing, Recursos Humanos, Empreendedorismo, Dinâmicas de Grupos, Jogos de Empresas, Técnicas Vivenciais e Oratória. Contato: zarinhamartins@hotmail.com