Buzzmarketing - A hora e a vez do Marketing do boca-a-boca
Por Marcelo Miyashita
09/01/2008
O estudo do marketing vem aprimorando cada vez mais suas ferramentas. No início,
marketing era simplesmente estudar o mercado e sua composição, depois, partiu
para o desenvolvimento de produtos e, na metade do século passado, para o estudo
do preço, da distribuição, dos serviços, da logística e da comunicação sob a
ótica do cliente. Quanto mais profundidade, mais valor é dado a cada aspecto da
relação de consumo e compra, ampliando a abrangência das atividades de
marketing.
Hoje, estamos na era do relacionamento, que é um passo à frente da era anterior,
a era do cliente – em que todas as decisões de marketing eram tomadas colocando
o cliente como centro, mas ainda enxergando esse cliente como o prospect a ser
conquistado. Os profissionais dessa era tornaram-se especialistas em conquistar
clientes, puxando-os para o ponto-de-venda e conseguindo sua conversão.
Inclusive, é por essa capacidade, importante para os negócios, que o
profissional de marketing é conhecido até hoje.
A era do relacionamento
Porém, a competitividade faz da melhoria contínua uma necessidade. O
aprimoramento e a inovação são questões básicas para continuar vencendo a
concorrência, cada vez maior, no mundo dos negócios. Já não é suficiente
conquistar o cliente uma vez, é preciso conquistá-lo sempre, mantendo-o fiel o
maior tempo possível, de preferência durante todo seu ciclo como consumidor.
Essa é a era do relacionamento, em que vivemos atualmente. Com o cliente mais
crítico, consciente dos seus direitos, com percepção afinada de qualidade e com
conhecimento das opções existentes no mercado. Nessa situação, mais que tentar
oferecer mais e mais a todo momento, o que tem um limite, o importante é
conseguir compreendê-lo e, na medida do possível, oferecer-lhe um atendimento
mais prestativo, com mais serviços, qualidade e personalização.
Muitas empresas têm buscado esses objetivos, algumas se tornam referências, mas
estas ainda são poucas e, por isso mesmo, admiradas e reconhecidas como de
excelência. No entanto, da mesma forma que a melhoria contínua fez as
ferramentas da era do cliente serem trabalhadas por todas empresas, diminuindo
sua diferenciação de marketing, esse movimento tende a acontecer também na era
do relacionamento. Poderá chegar um dia em que atendimento de alto nível ao
cliente será comum para todas as empresas. A partir daí, qual será o novo
paradigma?
A era do buzzmarketing
Antes, bastava colocar o produto à venda, pouco tempo depois, isto já não era
mais suficiente - era necessário trabalhar a melhor combinação de oferta e
dispor o produto certo, na hora certa, no lugar certo e com a comunicação certa.
Agora, quando todos já dominam ou buscam dominar essa prática, tornam-se
importantes o relacionamento e a proximidade com o cliente. E quando estas
tornarem-se práticas constantes nas organizações, o marketing irá caminhar para
o estudo das conseqüências, positivas ou não, das próprias ações de marketing,
nas opiniões dos clientes e das pessoas que se relacionam direta ou
indiretamente com a organização em todos os níveis, os chamados stakeholders –
público agente, influenciador, com poder e voz para disseminar posições e
imagens favoráveis ou difamatórias.
Cada vez mais as organizações buscam se preocupar com a sua imagem “falada”, que
é diferente da imagem publicitária, oficial, transmitida pelos canais formais de
comunicação. A imagem comentada é aquela transmitida nas conversas entre amigos,
é o burburinho, o buxixo, enfim, o boca-a-boca. É sabido que uma opinião
transmitida por alguém que conhecemos, e a que damos crédito, é tão ou mais
forte que uma mensagem transmitida pela própria empresa ou por seus vendedores.
A questão é como podemos, de forma gerencial, influir nesse processo, que sempre
aconteceu informalmente. Ou seja, como as organizações podem promover e
disseminar o boca-a-boca e, ainda por cima, positivo. Há no mercado editorial
várias obras que abordam e buscam responder a essa questão diretamente
(recomendo os títulos: Buzzmarketing, da editora M.Books; e Marketing IdeiaVírus,
da Campus) e outros que abordam a questão das redes de relacionamento (Wikinomics
– como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio, da Nova Fronteira; e O
Ponto de Desequilíbrio, da Rocco). Muitos profissionais vêm estudando esses
assuntos, também influenciados pelo poder disseminador da Internet e suas trocas
constantes de informações via e-mails.
Gestão do buzz
Do muito que já foi publicado, que ainda é pouco se comparado ao que vai
acontecer nos próximos anos, listo algumas recomendações para as organizações
interessadas em estudar e gerir o buzz em volta de sua marca e ações:
• Gerencie muito bem a expectativa e a entrega. É a velha lição de casa. A
satisfação vem dessa boa gestão, portanto, é importante ser prudente na promessa
e rigoroso no controle da qualidade dos produtos e serviços. É daí que nasce a
reputação: da expectativa atendida continuamente.
• Dê atenção a quem lhe dá atenção. Há clientes que se aproximam mais, seja para
aprender e colher mais dados, seja para reclamar e exigir seus direitos. Nunca
deixe de atendê-los, ouvi-los e respondê-los. O pior para sua imagem é não dar
atenção a quem resolveu se aproximar. O ponto crítico é que, para dar essa
atenção a mais, será preciso investir mais no atendimento e nos canais de
atendimento, será preciso criar processos de feedback e gerenciar também esse
grupo de clientes.
• Dissemine seu conhecimento e seja falado por isso. Clientes não compram apenas
seu produto. Compram sua história, sua técnica e sua experiência. Dissemine seu
saber, crie narrativas em volta do seu produto e da sua organização, quanto mais
o cliente aprender, mais ele terá o que comentar e mais significados ele
encontrará para manter-se cliente. A disseminação, inicialmente, é promovida
pelos meios de comunicação formais, mas sua força vem, principalmente, do
envolvimento das pessoas, clientes e stakeholders, que replicam suas opiniões e
experiências para frente.
• Crie redes formais e alimente seu crescimento. Não há nada mais eficiente que
clientes satisfeitos se conhecendo e trocando suas opiniões. Por isso, uma
organização pode se colocar também como um “hub” – um conector entre as pessoas
que se relacionam com elas, formando redes de relacionamento e estimulando seu
desenvolvimento. Quanto mais conexões, formando grupos, clubes e clusters, uma
organização conseguir criar, mais as pessoas se manterão à sua volta,
comentando. Para isso, será necessário também, continuamente, alimentar essa
rede com mais conhecimento e, principalmente, com novidades. O que mantém essas
redes ativas é seu compromisso em alimentá-las.
O buzz, além de manter clientes, tem poder para trazer novos. Verifica-se isso
em qualquer pesquisa com novos clientes. A opção “conheci por indicação e
comentários de amigos e colegas” sempre recebe muitas afirmativas. O ponto é que
esse resultado costuma ser tratado como conseqüência natural do bom marketing.
Porém, num ambiente cada vez mais concorrencial, com boas práticas de marketing
da era do cliente e do relacionamento, torna-se importante enxergar o buzz e seu
valor para os negócios. Portanto, não é só saber o quanto sua marca é conhecida,
mas como ela é reconhecida e comentada pelas pessoas que têm contato com ela. Ou
com as pessoas que têm contato com as pessoas que têm contato.
Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É
professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na
Cásper Líbero, FGV-EAESP GVpec, Trevisan, PUC-SP COGEAE, Madia Marketing School,
IMES e IBModa. Foi colunista do Comercial & Cia, na rádio BandNews FM. Em 2006
recebeu o Prêmio Marketing Best e em 2007 o título de Marketing Expert,
concedido pela Editora Referência (Jornal Prop&Mkt), pela FGV-EAESP e pela
MadiaMundoMarketing. É mestrando em Administração pela PUC-SP, pós-graduado pela
ESPM e publicitário pela Cásper Líbero. Conheça seu trabalho:
www.miyashita.com.br