A caneta sem tinta na gestão empresarial
Por Ivan Postigo
27/10/2009
Os modelos de gestão empresarial são os mais diversos, encontramos
centralizados, descentralizados, participativos, não participativos,
ditatoriais, democráticos, tolerantes, intolerantes , espelhando a cultura da
empresa e perfil dos principais e ou do principal dirigente.
O modelo pode ser responsável por períodos de instabilidade na manutenção de
talentos, enfrentado a empresa um alto turnover no quadro de funcionários.
Vamos encontrar em anúncios oferecendo vagas algumas indicações da cultura da
empresa , como acostumados a trabalhar sob pressão, capacidade de liderar
grupos, independência para tomar decisões , enfim a lista é bem variada, mas
nenhum que diga preparado para lidar com frustrações.Um dos aspectos mais
difíceis de se administrar é gestão com caneta sem tinta.
Quando um profissional talentoso e experiente é contratado a liberdade de ação é
teórica , a limitação só será constatada quando medidas efetivas e de impacto
precisarem ser tomadas.
O profissional pode levantar informações, reunir as equipes para debate,
formular o plano de ação, estabelecer medidas e procedimentos, mas não pode
implantá-los onde houver essa restrição.
Duas situações podem ser observadas:
1) A ação de implantação dos procedimentos é barrada antes de sua divulgação.
2) Por decreto as medidas implantadas são suspensas.
No primeiro caso há a frustração, mas ainda sobra espaço para negociação uma vez
que esta atinge um grupo pequeno de pessoas e não há uma observação geral da
falta de autonomia do profissional que comanda o grupo nesse trabalho.
No segundo caso fica claro a falta de autonomia e que nenhuma autoridade foi
delegada de fato.
Situações como essa levam à um desestímulo geral e perda de confiança, e não
raro quando idéias são apresentadas as pessoas reagem negativamente com frases
como “ já recomendamos”, “tentamos fazer”, “funcionava assim”, “aqui isso não
funciona “, ficando os problemas sem um tratamento adequado desde que não sejam
observados pelo principal gestor.Essa experiência desenvolve e fortalece a
cultura do “não me envolva “.
Já tivemos que contornar situações complexas, uma das mais difíceis foi quando
as pessoas se recusavam, fora das reuniões, a falar de problemas, procedimentos
e soluções.
Quando questionados por que a resposta era uma só e objetiva : “ Ninguém vai
conseguir implantar nada e se o problema se agravar irão dizer que eu também
sabia, portanto me deixem fora “.A brincadeira do “me incluam fora disso “, já
tinha tomado proporções sérias.
O perfil do quadro de funcionários mostrava baixa retenção de talentos, alto
turn over, gastos enormes de contratação e demissões e dificuldades dos gestores
de aceitarem os fatos.
Vamos encontrar na nossa carreira profissional pessoas que aceitam correr riscos
mediante uma recompensa, caso contrário não mostram disposição, mas também um
volume maior dispostos a se envolver em questões complexas por senso de
responsabilidade, coragem e dedicação ao que faz, pedindo unicamente liberdade
para agir.
Nada é mais frustrante à essas pessoas dedicadas e comprometidas do que receber
uma caneta sem tinta, as chances desse relacionamento profissional durar são
pequenas.
Você pode ter na sua empresa o modelo de gestão que quiser, mas não se lamente
de estar sobrecarregado com decisões tomar.
Uma alternativa interessante é contratar profissionais competentes, delegar e
dar-lhes canetas novas com carga total .
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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