Concorrência Desesperada em 2009
Por William Caldas
14/08/2009
Em 2008 vocês tinham um monte de concorrentes. Em 2009 preparem-se, pois
vocês terão um monte de concorrentes desesperados. Com a crise
internacional, muitas empresas resolveram tomar medidas extremas e
agressivas para vender mais que a sua.
Independente do tamanho da sua empresa, inúmeras medidas devem ser
tomadas para enfrentar a marolinha que virou uma onda grande e que está
incomodando muita gente por aqui. Caso você seja um daqueles empresários
e empreendedores que ainda está ileso nos embates econômicos a dica é
blindar sua equipe ao máximo.
Algumas ações vão lhe dar um bom suporte em tempos de poucas vendas e
altíssima concorrência:
- a primeira coisa é aplicar tratamento de choque na gestão dos custos
de vendas. Abaixo todo e qualquer desperdício. Como o dinheiro está
caro, os nossos vendedores precisam saber quanto custa uma ida
improdutiva a um cliente. A conta deve ser feita da seguinte maneira:
Vendas – custos = melhores resultados financeiros
Conheço muitas empresas que procuram ajuda de consultores para melhorar
as vendas. E conheço um monte de consultores que ao chegar neste tipo de
cliente, começa a atuar pelo que acha menos complicado que é acelerar o
ritmo da turma de vendas. Apenas dobrar o número de visitas e de
ligações pode também aumentar a velocidade rumo ao abismo. Sugiro sempre
para as empresas que estão vendendo mal, que primeiramente façam duas
perguntas a si mesmas:
- quanto custa sua operação comercial?
- quantas não-vendas estão sendo contabilizadas diariamente?
O que encontro, na maioria das vezes, são equipes de vendas que
desconhecem o custo diário ou mensal de suas operações. Elas não sabem
quanto se paga pela realização de cada etapa, desde a prospecção de
novos clientes até a entrega do produto passando pela frustração de
receber um não do cliente.
Alguns números que devemos considerar para calcular as vendas:
1) Custo de ligações telefônicas: muitos vendedores mal treinados em
abordagens elevam o custo de ligações por fazer qualquer papel na busca
de clientes, menos o de vendedor. Conversas desnecessárias e
improdutivas apenas aumentam o custo da empresa.
2) Custo de combustíveis: já vi vendedores que, quando as vendas estão
ruins, rodam desesperadamente atrás de clientes, sem planejamento e
muito menos noção do prejuízo que estão causando ao caixa da empresa e à
própria imagem. É muito ruim saber que há vendedores que fazem visitas
em locais mais afastados para elevar o reembolso de quilometragem,
fazendo assim um segundo ganho no mês em que receberá quase nada de
comissionamento. Não fique surpreso, existem muitos vendedores que ainda
fazem isso.
3) Custo de alimentação e estadas em hotéis: quando bate o desespero
para vendedores externos que percebem que a meta está distante, a
primeira coisa que muitos fazem é praguejar sobre a área ou o território
onde vendem. Falam coisas como “Este bairro é muito ruim”, ou, “Esta
cidade é muito atrasada”, e, em um momento de desespero, decidem viajar
para locais desconhecidos. Isso só piora, pois a queda nas vendas pode
ser ainda maior em território desconhecido. Lembre-se: quanto mais
informação, mais segurança e menos desconforto financeiro. Muitos
autônomos não fazem distinção de suas contas bancárias pessoa jurídica e
pessoa física. E deixam de viajar para atender contas distantes pelo
simples fato de estar sem dinheiro. A falta de planejamento transforma
as possibilidades em mera e triste realidade.
4) Custo de material de marketing: se eu já não estou vendendo muito e,
no desespero, começo a atirar para todos os lados, só aumento meu
atoleiro e ainda levo a empresa junto. Visitas improdutivas a clientes
sem o menor potencial de compra e que ainda ganham cortesias e brindes
caros dos vendedores só crescem os custos. Isso para não falar do
material institucional desperdiçado.
Precisamos sempre considerar uma conta básica que implica em reduzir os
custos da operação quando a venda está abaixo da crítica, ao contrário
de aumentar os custos tentando salvar as vendas.
Quando atuamos em um ambiente de desconfiança financeira e escassez de
crédito, surgem também as oportunidades. Há empresas bem estruturas, e
com alta liquidez, aproveitando para comprar seus concorrentes por
preços quase inacreditáveis, antes da tal marolinha.
Conheci outro dia um empresário que comprou dois concorrentes menores
porque eles atrapalhavam sua venda. Como? Somente o fato deles existirem
já levava os clientes a cotar preços com eles também.
Se caixa com dinheiro sobrando não é o seu caso, há duas formas de você
aumentar seu resultado. Uma delas é aportar dinheiro dos sócios de sua
empresa, uma estratégia que vai doer no bolso. A outra é fazer com que
sua equipe entenda que é necessário produzir mais (vendas, atendimento),
com menos (tempo, custos).
Apresse-se, pois 2009 chegou e a única certeza que temos é que as
contratações deverão crescer mais no pessoal interno da organização e
passaremos a nos preocupar mais com custos do que no ano passado.
Um excelente ano de 2009 para todos!
William Caldas é consultor de empresas e palestrante nos temas
Atendimento, Motivação, Marketing, Vendas e liderança para equipes
comerciais. É coautor do livro “Do Porteiro ao Presidente: todo mundo
vende, todo mundo atende”