A maioria das empresas tem clientes com perfis
diferentes e muitas delas não lidam corretamente com
essa diferença. Definem suas estratégias e operações
de forma geral, tratando todos os clientes da mesma
forma. Só que clientes são diferentes. Alguns querem
muita atenção, mas compram pouco; outros compram
muito, mas querem desconto; outros ainda compram de
forma esporádica e sem planejamento. Para piorar,
existe uma pressão cada vez maior pela otimização do
uso do tempo em vendas. Isto deixa qualquer vendedor
maluco (ou estressado).
A solução? Segmentar a base de clientes. Além de
melhorar o atendimento, uma boa segmentação permite
que um profissional de vendas canalize melhor seus
esforços, diminuindo inclusive custos (deslocamento,
tempo de espera, adequação da proposta, customização
de produtos e serviços, etc.). A segmentação de
clientes nada mais é do que juntar os clientes
“parecidos” em diferentes grupos e, a partir daí,
tratar cada grupo de forma mais personalizada.
Esse processo pode ser feito de diversas formas: por
faturamento, por comportamento, por características
sócio-demográficas (idade, sexo, renda), por região
geográfica etc. Mas uma das formas mais usadas por
profissionais de venda excelentes é a Curva ABC, e é
sobre ela que vamos falar hoje.
Segmentando com a Curva ABC
A Curva ABC é, na verdade, uma conseqüência lógica
do princípio de Pareto (aquele que diz que, em
média, aproximadamente 80% do seu faturamento vem de
aproximadamente 20% da sua base de clientes). A
maneira mais fácil de explicar uma Curva ABC é
mostrando como funciona na prática. Imagine que você
tem 10 clientes e que você vai criar um ranking de
acordo com seu faturamento médio mensal.
Cliente 1 compra: R$ 10.000/mês
Cliente 2 compra: R$ 9.500/mês
Cliente 3 compra: R$ 9.380/mês
Cliente 4 compra: R$ 7.500/mês
Cliente 5 compra: R$ 7.240/mês
Cliente 6 compra: R$ 6.300/mês
Cliente 7 compra: R$ 4.120/mês
Cliente 8 compra: R$ 3.880/mês
Cliente 9 compra: R$ 2.900/mês
Cliente 10 compra: R$ 1.050/mês
Se você colocar isto numa planilha do Excel e traçar
um gráfico, verá que existem duas “quebras”, onde a
linha abruptamente faz uma curva para baixo. Neste
caso, teríamos que os clientes 1, 2 e 3 seriam
considerados “A”; os clientes 4, 5 e 6 seriam “B” e
o resto seria “C”. Algumas empresas criariam a
categoria “D” para o cliente 10 e muitas vezes até
mesmo uma “E”, para clientes inativos, que não
apareceriam no gráfico porque seu faturamento é
zero.
Uma vez divididos desta forma, o próximo passo seria
analisar as características comuns, necessidades e
demandas específicas de cada um destes segmentos.
Como, quando, por que, onde e o que compram os
clientes do grupo A, B e C?
O terceiro passo é criar um sistema de atendimento
diferenciado, que possa ao mesmo tempo atender a
demanda dos clientes e otimizar o tempo e
investimentos da empresa. Por exemplo:
a) Clientes A: Visita pessoal toda semana.
b) Clientes B: Visita pessoal na primeira e terceira
semana do mês, telefone na segunda e na quarta
semana do mês.
c) Clientes C: E-mail marketing na primeira semana,
visita na segunda semana, telefone na terceira e
quarta semana do mês.
Isto é só um exemplo extremamente simplificado,
lógico, mas já começa a ficar clara a diferença
prática da segmentação. A idéia toda é dar mais
atenção aos melhores clientes, sem prejudicar o
atendimento aos demais. Este tipo de segmentação
permite que o vendedor canalize melhor suas energias
e possa preparar-se de forma mais adequada para
visitas ou telefonemas.
Como já dito, você pode segmentar seus clientes de
diversas outras formas (por freqüência de compra,
por lucratividade, por porcentagem acumulada de
vendas ou por qualquer outra característica que
desejar), mas a lógica fundamental por trás da Curva
ABC de clientes é esta: segmentar os clientes de
alguma forma (geralmente por faturamento).
E, uma vez segmentados, criar maneiras diferenciadas
e personalizadas de atendê-los, para que você
inteligentemente administre recursos – tempo e
dinheiro –, potencialize seus ganhos e melhore a
satisfação/lealdade dos seus clientes que certamente
ficarão contentes em ser atendidos de acordo com
suas necessidades
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.
