De Batom e Salto Alto - Essas Mulheres Empreendedoras
Por Maria do Rosário Martins da Silva
06/11/2005

Dia Internacional da Mulher! Todos os anos brindamos a conquista... todos os anos recebemos flores ou presentes. Todos os anos participamos de eventos, discussões e seminários. Todos os dias acordamos, e começamos a ser mulher mais uma vez! Vivemos uma vida... duas vidas... muitas vidas, pois nos dias de hoje, ser mulher não passa apenas pelo salto alto e batom ou pelas belas pernas e miligramas a mais de silicones que se coloca para mostrar que tem peito. Ser mulher é ter peito para enfrentar todas as batalhas no mercado de trabalho e ocupar um lugar que, durante muito tempo, não comportava a presença feminina, bem como, ter pernas capazes de suportar horas e horas das jornadas fora e dentro de casa. Surgiu uma nova mulher, que assume postos no mercado de trabalho que vão desde o chão de fábrica até cargos de poder nas empresas. Porém, apenas 9% ocupam postos executivos no Brasil, de acordo com recente estudo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, realizado com as 500 Maiores Empresas do Brasil. É necessário que este número aumente cada vez mais. O poder de compra aumentou. As decisões em relação à aquisição de produtos e serviços, muitas vezes são tomadas pela mulher e os profissionais de marketing que perceberam isso, responderam rapidamente ao chamado da nova consumidora. Alguns exemplos: 1) A indústria automobilística, atenta às novas tendências femininas, colocou no mercado novos modelos de carros, que além do design moderno e feminino, ganharam acessórios para agradar às compradoras, agora com total poder de compra e decisão, como por exemplo, estofados mais seguros garantindo que as meias-finas não desfiem. 2) Os aparelhos de barbear, antes voltados para o público masculino, ficou menor, com cores e desenhos femininos. 3) “Sabemos que as mulheres compram furadeiras elétricas. Antes, nosso produto era totalmente voltado para os homens. Mas detectamos a mudança do perfil de consumo e desde os anos 90 estamos atentos", afirma Luis Bressane, chefe de marketing do setor da indústria Bosch na América Latina. "Hoje, as furadeiras Skill têm punho ergonômico, que dá segurança na pegada da máquina.” Os executivos perceberam que as mulheres já não esperam mais maridão, irmão ou papai para furar parede. Faith Popcorn, considerada a Nostradumus do Marketing, há muitos anos fez algumas previsões acerca das tendências que mudariam todo o comportamento do consumidor. Além das “99 Vidas”, onde previu que as pessoas teriam que desempenhar diversos papéis (a mulher, além de sua jornada no mercado de trabalho, também desempenha o papel de mãe e esposa) aconselha: "As mulheres querem uma marca que diga: "Fale o que você quer e vamos fazer disso nossa estratégia". A mulher antigamente ficava em casa, tomando conta de todos os afazeres, enquanto seu marido ia para o trabalho. Tarefa mais que honrosa, o lar sempre bem administrado, tudo no lugar! Porém, com o tempo, surgiram novos horizontes e uma inquietação tomou conta desta pacata senhora. Barreiras foram rompidas, portas foram abertas nas empresas para cargos até então ocupados somente pelos homens e o comando começou a mudar de mãos. Assustada, a sociedade assistiu a tudo, perguntando-se o que estava acontecendo. Incrédulas, algumas pessoas não acreditavam que daria certo, pois achavam que o lugar de mulher era no conforto do lar ou na beirada do fogão e do tanque. Então, quando finalmente se tornaram operárias, as mulheres morreram lutando pelos direitos trabalhistas. E a história nos faz lembrar do dia 8 de março de 1857, quando reivindicando uma jornada de trabalho de 10 horas por dia e equiparação salarial com os homens - que desempenhavam a mesma função, os patrões não aceitaram os argumentos e responderam ateando fogo à fábrica, o que culminou na morte de 129 mulheres por asfixia. A sociedade continuou “asfixiando”, mas a luta continuou. Resistindo a tudo e a todos, foi à luta e agora não tem mais volta. A mulher está no comando de empresas, nas ruas protestando, no campo de futebol apitando os jogos, no volante dos caminhões, na administração de seus próprios negócios e nas alturas, pilotando aviões. A Amélia que era “mulher de verdade”, tão cantada em versos e prosas ficou arrojada, rompeu barreiras, queimou soutiens em praça pública. Trocou o avental todo sujo de ovo pelas fardas policiais, uniformes de comissárias de bordo, becas utilizadas nos tribunais, e ousaram competir, empreendendo de forma extraordinária. E quem disse que “ela não tinha a menor vaidade”, jamais pensou que mesmo atuando em tantas esferas, ela não perderia o desejo de estar cada vez mais bonita, freqüentar academias, salões de beleza e desfilar seu charme pelas ruas. Os homens que conseguiram entendê-las e apoá-las, deixaram de lado seus preconceitos, começando uma nova etapa, auxiliando-a no que fosse necessário. Existe uma frase que diz: “Atrás de todo grande homem existe uma grande mulher”. Porém, gostaria de dizer uma outra: Ao lado de toda grande mulher, existe um homem de verdade! A Amélia se transformou nas diversas Marias, Martas, Conceições, Myrians, Márcias, e outras mais, que, mesmo desempenhando seus cargos, não perderam a ternura, o charme, a delicadeza. E mesmo empreendendo, “merecem viver e amar como outra qualquer do planeta”

Maria do Rosário Martins da Silva é Mestre em Marketing. Especialista em Recursos Humanos e Marketing. Professora em cursos de Graduação e Pós-Graduação. Palestrante nas áreas de Motivação, Empreendedorismo, Recursos Humanos, Marketing, entre outros. Experiência em desenvolvimento de pessoas nas áreas de Marketing, Recursos Humanos, Empreendedorismo, Dinâmicas de Grupos, Jogos de Empresas, Técnicas Vivenciais e Oratória. Contato: zarinhamartins@hotmail.com