Os desafios da Toyota e de corporações globais
Por Evaldo Costa05/03/2010
Que vivemos dias muito diferentes daqueles da época dos nossos pais, isso
ninguém duvida. A democratização e globalização da comunicação nos permitem
realizações inimagináveis há algumas décadas atrás. Atualmente, podemos nos
comunicar instantaneamente com pessoas em quase todos os cantos do planeta.
Você pode estar se perguntando: ?muito legal, mas o que isso tem haver com o
setor automotivo ou título desta matéria??
Na verdade, tudo. Podemos conhecer a política da montadora nos vários
mercados onde atua. Com isso, aumentam as exigências dos consumidores por
produtos de ótima qualidade. Afinal de contas, ninguém deseja levar um carro
inferior para a garagem, não é mesmo? O consumidor não tem mais
nacionalidade: ele é global. Um espirro no Japão pode causar pneumonia no
Brasil.
Veja o que acontece, por exemplo, com o divulgado recall da Toyota. O
assunto surgiu como uma fagulha na pólvora. Alastro-se velozmente e obrigou
o presidente da montadora Japonesa, Akio Toyoda, a se explicar para
consumidores de todas as partes. Desde que a indústria automotiva foi
criada, jamais vimos algo assim. Se a Toyota falhou ou não, isso é o que
menos importa para a reflexão que proponho.
O que conta são as preocupações e cuidados que empresas, especialmente as
globais, precisam ter com a qualidade de seus produtos e serviços. Para quem
não acompanha de perto, é bom saber que desde o final da década de 60 a
Toyota investe continuamente na produção e qualidade de seus veículos. Só
para recordar, tudo começou com os métodos recomendados por Willian Edward
Demming.
Logo que a empresa tomou conhecimento do trabalho deste americano,
especialista em qualidade, adotou com muito sucesso a metodologia ?pull de
produção?, mais conhecido como Just in time (aquele que determina que nada
deve ser produzido, comprado ou transportado antes da hora), e demais
métodos como Kanban, Kaisen etc.
Naturalmente, foram muitas décadas de trabalho árduo para garantir o
reconhecimento de qualidade dos produtos Toyota. O fato é que anos de
dedicação, trabalho árduo e compromisso com o consumidor foram abalados pela
notícia de um defeito no pedal do acelerador de alguns modelos da montadora.
Consumidores de todas as partes podem estar se perguntando se é seguro
dirigir um Toyota.
Como assim? Como duvidar de uma empresa com os melhores exemplos de
segurança, princípios morais, legais e éticos, como é o caso da Toyota. Não
estou defendendo a instituição ou seu presidente. Estou apenas ressaltando o
quanto à mídia global pode impactar o negócio de uma organização global.
Mesmo sabendo que a Toyota não se tornou líder do dia para a noite, afinal
de contas foi meio século de investimentos para conquistar a admiração dos
clientes, ainda assim, meia dúzia de acidentes, com causas ainda não
apuradas, poderão abalar a credibilidade do consumidor, como parece, ter
abalado.
Devemos nos lembrar do que disse Kelly Young: "O problema em si não é o
problema - o problema é a atitude com relação ao problema". E neste ponto a
empresa parece, mais uma vez, ter feito o dever de casa com humildade e
dignidade. Que o fato possa servir de lição, não só a Toyota, mas a todas as
organizações que competem nessa arena da comunicação globalizada.
Pense nisso e ótima semana,
Pense nisso,
Evaldo Costa é Escritor, Consultor, Conferencista e Professor. Autor dos livros:
“Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três
Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”