"Ao contrário de aluguéis e salários, o nível de
lucro não sobe com a prosperidade nem cai com as
depressões da sociedade, é naturalmente baixo em
países ricos e alto em países pobres". Quem disse
isso foi Adam Smith, um dos papas da Economia, em
seu clássico A Riqueza das Nações.
Para ele, lucros eram sinônimo de monopólios,
favoritismo, restrições, estagnação e pouca
inovação. Essa era a situação do Brasil antes da
abertura e globalização, quando ter lucro
transforma-se apenas numa questão de aumentar so
preços, a participação e/ou reduzir custos. O
mercado é dominado por poucas empresas, que ditam os
termos das transações e o consumidor é apenas um
número, um meio para se atingir o fim.
Mas com a chegada das empresas estrangeiras aumenta
a competitividade. E as brasileiras, atacadas, são
obrigadas a compactuar com o inimigo ou brigar por
uma posição. com diminuição de lucros.
Smith via o lucro como um subproduto da ineficiência
econômica. Marx ampliou essa tese, pregando que
lucros cada vez menores acabariam com o capitalismo.
Ambos estavam errados. Eles subestimaram o poder dos
avanços tecnológicos e organizacionais para aumentar
a produtividade. A economia, pessoas e empresas
evoluíram e continuam descobrindo novas formas de
lucrar.
Quem melhor dissecou os erros deles foi o economista
austríaco Johan Schumpeter, que defendia a tese da
“destruição criativa”, num ciclo constante de
renovação e melhorias. Mas a melhor visão sobre a
origem do lucro vem de Frank Knight, que escreveu
Risk, Uncertainty and Profit (Risco, Incerteza e
Lucro). Para ele, o lucro só decorre de duas coisas:
monopólio ou incerteza. O monopólio com os problemas
de sempre, e a incerteza sendo vista, neste caso,
como a tomada de riscos calculados, onde alguns
acertariam suas previsões (lucro) e outros errariam
(prejuízo). Traduzindo: o lucro pela incerteza é um
prêmio aos empreendedores arrojados, que agem
enquanto os tímidos ficam olhando.
Você pode criar um monopólio: basta fazer com que
seu produto ou serviço diferencie-se tanto que se
torne algo único, que ninguém mais consegue
oferecer. Em nosso cenário cada vez mais
competitivo, empresas que queiram vender (e lucrar
mais) só terão duas alternativas:
1) Tomar decisões arrojadas, destruindo-se
criativamente e reinventando-se (isso vale também
para pessoas, suas carreiras e desenvolvimento
profissional).
2) Diferenciar-se tanto da concorrência, através de
inovações tecnológicas, marketing, sistemas
internos, investimentos em recursos humanos, design,
atendimento e satisfação dos clientes, etc., que
você seja visto como o único, mesmo que existam
outros (pense em McDonald's - quantos outros lugares
vendem sanduíches?).
Para tal é preciso audácia e arrojo, coisas que
faltam aos profissionais acostumados a mercados
protegidos e que sobram aos estrangeiros que chegam
Se você encontrar alguém reclamando do seu
faturamento, saiba que de duas uma: ou é um
acomodado, que parou no tempo, ou alguém que não
teve a criatividade e a persistência de
diferenciar-se. Ouse ser mais arrojado, reinvente-se
criativamente, diferencie-se, e venda mais.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

