E-Commerce: Acertar para ganhar
Por Ricardo Sleiman
23/06/2010
Sabemos que uma das principais ferramentas de conversão em vendas do e-commerce
é a comunicação. Sabemos também que sem a utilização do marketing direto, seja
ele online ou off line, as chances de progredir são mínimas, para não dizer
zero.
É verdade que o viral é presente em todas as áreas corporativas, mas ele só
acontece a partir de um detalhado planejamento, que envolve uma campanha,
pessoas, assertividade (ou não), adesão por uma marca e assim sucessivamente.
Portanto, por mais que seja viral uma marca, sua proveniência é decorrente de
alguma ação.
No e-commerce não é diferente e não é à toa que ele é um dos setores que mais
cresce na internet, com uma projeção de chegar a R$ 10,5 bilhões de faturamento
em 2009, contra R$ 6,4 bilhões em 2008, segundo dados da e-bit. Um crescimento
altamente e relevante na era digital.
Junto a esse cenário, milhões de internautas, mais de 13 milhões de pessoas que
compraram pelo menos uma vez na web, quase 25 milhões de pedidos, apenas no ano
passado. Neste ano? Um aumento de 30% na base de e-consumidores. A expectativa é
chegar a 17 milhões de adeptos e 30 milhões de pedidos. É justamente esse o
ponto que merece atenção. Serão 17 milhões e esse número pode ser maior? Depende
de como os varejistas virtuais, de todos os portes e segmentos, planejam suas
campanhas de marketing.
O Brasil ainda engatinha no quesito relações na web. Muitas das empresas
praticam campanhas com base na quantidade, ao invés da qualidade. Querem
conversar com quem não se interessa pelos seus produtos, na esperança de que o
convencimento virtual dê vazão ao crescimento de sua base de dados e, claro, nas
vendas. É verdade, essa evolução até pode acontecer, mas tenha certeza de que
não da maneira mais adequada e efetiva. Aqui vale muito mais valorizar o médio e
longo prazo para a fidelização de sua base do que o apelo momentâneo.
É melhor que esse cliente compre uma única vez ou, mesmo que não compre,
continue a receber as invasivas campanhas pelas quais não se voluntariou ou
contar com e-consumidores que, se bem trabalhados, possam fazer parte de uma
longa jornada de sua empresa?
E, o mais interessante, é possível fazer isso acontecer, desde que se tenha em
mente a importância do que é mais valioso para sua loja virtual: sua base de
dados. Essa base pode conter os campos apenas necessários para sua comunicação
online ou off line, mas pode trazer informações altamente relevantes para
conquista real de quem se precisa atingir.
Como? Os recursos são inúmeros e não importa se a loja virtual acaba de nascer
ou tem dez anos de mercado. Montar o maior ativo de uma empresa não é das mais
fáceis tarefas, mas mantê-lo atualizado, de acordo com o ciclo de vida de cada
público que se almeja, é o grande trunfo de todo o processo.
Vou dar um exemplo. Hoje, sua companhia tem em sua base dados segmentada,
dividida por faixa etária, classe social, renda mensal, entre outros e o
cadastro número 56 está prestes a casar e busca por eletrodomésticos. Mas a loja
virtual insiste em enviar campanhas relacionadas aos mais recentes produtos para
bebês. O que ela espera em termos de retornos rentáveis? Vamos pensar que um dia
esse “cadastro” terá um filho e irá se lembrar da marca? Vamos esquecer que uma
das vantagens mais importantes do comércio eletrônico é a agilidade, o tempo
real?
Já diz o ditado: os pequenos detalhes fazem a diferença. A importância de manter
um cadastro atualizado ou, analisar o que já está em dia em sua base porque você
se preocupou em cuidar, é fundamental para as ações posteriores.
Já passamos da era da segmentação, porque agora estamos na era da colaboração. A
segmentação deve estar mais do que clara no processo de comunicação entre o
e-commerce e seu público. Até hoje recebo itens pertencentes ao universo
feminino. Posso até receber e me interessar porque talvez me dê uma ideia de
presentear minha esposa. Mas, talvez? O e-commerce nasceu para suprir e não
trazer ideias. Ele chegou para facilitar o meu e o seu dia–a-dia. Queremos
receber o que gostamos. Sabe aquela história do cliente preferencial? Ele só
existe, e olha que não em todos os casos, no mundo físico.
Não é falta de tecnologia, cursos e treinamentos em mídias digitais, nem de
empresas que facilitam o processo para segmentar, filtrar e cruzar informações
relevantes para o seu negócio. Acho que a causa está no pensamento tradicional
da forma de se fazer marketing em nosso país. A internet trouxe a aplicação de
um marketing de baixo custo, sem impressões com banners físicos, mala direta e
até mesmo um telemarketing ativo, até isso está mudando. Quais alternativas?
Internet, internet e...internet.
Mas, é preciso saber usar a internet com e o bom senso tem que falar mais alto.
Principalmente porque o bom senso é diretamente proporcional ao crescimento de
seu negócio. Mudar a forma de pensar, atualizar-se, usar as mídias digitais a
favor do consumo e entender que hoje ela é quem tem a voz ativa, certamente são
fatores que contribuirão para uma cadeia evolutiva e centrada.
O e-commerce traz diferentes adeptos de suas facilidades todos os dias. Não se
mede mais um potencial público apenas pela sua faixa etária, bairro ou estado
civil. O que conta aqui são as suas preferências, gostos, histórico de compras,
comunidades a que pertence, entre outros. A internet, como já se diz, é um mundo
sem limites. Explorar quem se quer atingir também deve ser assim.
Recentes pesquisas apontam a Classe C como uma das fortes impulsionadoras do
e-commerce, aliás, a maior, que hoje representa nada mais, nada menos do que 50%
de todos os e-consumidores, de acordo com a e-bit. Mais um nicho, mais um
mercado, o que significa mais buscas sobre o setor e detalhes para saber como se
aproveitar de mais um potencial na web. Aqui, novamente, continua valendo a dica
do ‘explore sem limites’. Buscar o máximo de informações sobre suas principais
necessidades e trabalhar com ações de marketing alinhadas à sua demanda só fará
crescer, de forma qualitativa, sua base.
Vale ressaltar o exemplo citado anteriormente. Não adianta fazer uma comunicação
para todos. O one to one deve estar presente. Mas, além dele, sua continuidade.
Como? Mais uma vez, acompanhando o ciclo de vida. Hoje sua renda mensal é
inferior a R$ 1 mil. Amanhã, pode ser superior a classe B. O planejamento é
constante, não adianta estabelecer o fluxo do marketing direto no e-commerce uma
única vez. A cada receptividade e análise da proveniência desse acesso à sua
comunicação, um novo plano de ação deve ser colocado em prática.
Acompanhar os dados de mercado feitos por instituições renomadas e aproveitar-se
dessas informações para estratégias diferenciadas também é um dos pontos que
merecem destaque. Mais especificamente para atender a classe C, assuntos como
aumento na venda computadores, barateamento de banda larga, iniciativas do
governo para inclusão social, entre outros, são de extrema importância para
saber qual direção seguir. Além disso, se os dados apontam para a demanda maior
por eletroeletrônicos e artigos de informática, pensar em incrementar ou
potencializar seu leque de produtos oferecidos também contribui para um cenário
altamente positivo.
Mas, lembre-se, de nada adianta ter tudo isso em mãos e não trabalhar com o
principal foco: sua base de dados, bem como a aplicação do database marketing
full time para, acima de tudo, acertar na comunicação.
A assertividade tem total relação com a conversão de vendas e, o melhor, através
de apenas, um clique.
Que venham as Classes D e E. Prepare-se.
Ricardo Sleiman é CEO da ZipCode, uma das principais empresas especializadas em
marketing direto.
ricardo.sleiman@zipcode.com.br