Elefante ou gazela?
Por Maria do Rosário Martins da Silva
27/01/2005

Você sabe como é que os treinadores adestram os elefantes? Vou descrever para quem ainda não conhece: quando são filhotinhos, eles são presos pelas patas, com correntes pesadas a estacas profundamente enterradas, com o objetivo de mantê-los no mesmo lugar por bastante tempo e assim poderem ser treinados. Porém, ao ficarem mais velhos, eles não tentam livrar-se das correntes, mesmo com toda a força que têm. O motivo desta atitude é uma palavra muito conhecida por todos: condicionamento. Assim como os velhos elefantes, muitas pessoas continuam paradas, apesar das mudanças.

Acreditando que não vale a pena, permanecem alheias à elas, afastando-se cada vez mais dos seus objetivos. Porém, o mundo veloz em que vivemos não aceita mais este comportamento. É necessário uma mudança de postura, de visão e, além, disto, uma constante busca de informação e participação nas atividades que se relacionam à profissão abraçada ou que se pretende seguir. Condicionadas à situação atual, estas pessoas alegam que “Sempre foi assim!” ou “Do jeito que está já é de bom tamanho!”, perdendo assim, ótimas oportunidades de fazerem mais e melhor.

Quando estão na escola, nada mais fazem do que esperar ansiosamente que a aula termine, para poderem ir embora. Não participam, muitas vezes, das atividades que ocorrem na Instituição. Não conhecem seu Diretório Acadêmico, formam-se sem nunca terem entrado na Biblioteca, e o investimento em livros é trocado pela despesa dos churrascos e nas idas ao barzinhos com a turma. O livro, torna-se então muito caro para ser adquirido - é melhor tirar cópia xerox - e, em sua estante, aumenta cada vez mais o número de CDs (piratas, é claro!). Seu condicionamento impede-o de entender uma regra básica que é exigida nos dias de hoje: somente terá lugar no mercado aquela pessoa que possuir, além de seu currículo, uma característica básica para o profissional do século XXI: competência. Não somente a competência profissional, que compreende a teoria e a prática, mas, principalmente, a competência pessoal. E isto requer mudanças rápidas, principalmente, de postura.

Na velocidade em que as coisas estão ocorrendo não dá para ficar parado, como verdadeiros paquidermes. É necessário ter pensamentos velozes e pernas ágeis para não ficar no meio do caminho comendo a poeira dos concorrentes. Deve-se agir como as gazelas, que sabem utilizar-se do poder de suas patas velozes para fugirem, em situações de perigo. Muito mais do que ir à escola todos os dias e ficar pensando em criar estratégias do tipo: “como colar sem ser flagrado pelo professor”, atender celular na hora da aula ou perturbar os colegas com suas brincadeiras e conversas paralelas, o estudante deveria pensar em qual será a melhor estratégia para conseguir uma posição de destaque no mercado de trabalho, ou como criar seu próprio negócio e ser dono de seu nariz.

Trocar o diploma pela Educação Continuada, pois a carreira hoje não é mais definida apenas pela empresa, mas deve ser encarada como uma responsabilidade do profissional. Deveria, também, começar a mudar suas atitudes comportamentais, respeitando o ambiente em que se encontra, envolvendo-se nas atividades da Instituição, acreditar nas pessoas que estão à frente de projetos defendendo os direitos dos estudantes, fortalecer o Diretório Acadêmico, contribuindo de forma financeira e intelectual.

O investimento em seu conhecimento deverá estar acompanhado da consciência de que não existe sucesso sem sacrifício. A mão-de obra braçal está cada vez mais sendo substituida pela força intelectual, que somente pode ser conseguida com muita pesquisa e empenho pessoal. É hora de arrancar as estacas e livrar-se das correntes, utilizando-se da força do desejo de querer sair do condicionamento em que se encontra, percebendo que as mudanças estão ocorrendo a todo momento, encarando-as como fatores positivos e começar a correr.

Deixar de ser grandes elefantes, que apesar de sua enorme força não saem do lugar, passando a utilizar-se dos segredos das gazelas, conseguindo assim, sair à frente, correndo como loucos em busca de seus objetivos. E aí? Vai ficar parado ou correr? O que você é: Elefante ou Gazela?

Maria do Rosário Martins da Silva é Mestre em Marketing. Especialista em Recursos Humanos e Marketing. Professora em cursos de Graduação e Pós-Graduação. Palestrante nas áreas de Motivação, Empreendedorismo, Recursos Humanos, Marketing, entre outros. Experiência em desenvolvimento de pessoas nas áreas de Marketing, Recursos Humanos, Empreendedorismo, Dinâmicas de Grupos, Jogos de Empresas, Técnicas Vivenciais e Oratória. Contato: zarinhamartins@hotmail.com