Os Elefantes da Classe C
Por Wagner Campos
12/11/2009
O guru indiano C.K. Prahalad tem apontado em suas obras (principalmente em “A
Riqueza na base da pirâmide) que é possível as empresas crescerem com lucros em
mercados com grande incidência de população pobre. Tal afirmação, obviamente
muito bem embasada por Prahalad é fácil de compreender.
No Brasil, por exemplo, existem aproximadamente 192 milhões de habitantes.
Praticamente 50% desta população pertencem à classe C (e suas variações),
aproximadamente 15% pertence às classes A e B e os demais 35% as classes
momentaneamente ainda menos abastadas (sim, momentaneamente). Em 2009,
inclusive, 50% do consumo do país, foi realizado pela população da classe C.
Em meu artigo “As Massas Também Exigem Qualidade” mencionei o interesse da
população em crescimento financeiro ou com maior acesso ao crédito, em adquirir
produtos os quais eram quase uma utopia e hoje é acessível a todos.
Bem ou mal, deixando as questões políticas de lado, a população de classe C está
aumentando devido à boa parte da população classe D que ano a ano vem fazendo um
up grade em direção a classe C, passando assim a aumentar sua renda, seu poder
de consumo e paralelamente sua qualidade de vida.
Este aumento de poder aquisitivo colaborou e continuará colaborando diretamente
para o aumento do consumo. Os fabricantes de produtos da linha branca e linha
marrom, bem como veículos, aparelhos de celulares e até mesmo redes de fast
foods podem ficar com o sorriso nas orelhas pois são um dos maiores alvos de
consumo desta população. Os lojistas situados em Shopping Centers também tem
comemorado o aumento nas vendas e já não criticam mais o excesso de pessoas
apenas passeando ou “dando uma olhadinha”.
A situação é clara. Há recursos disponíveis para compra e facilidade de
pagamento, logo, existirão esforços de marketing para promover o aumento da
demanda. Serão desenvolvidas ações para ampliar de forma significativa os
desejos mais profundos da população, para que se consolidem os dois extremos: a
população realizando seus desejos de consumo e as empresas, realizando seus
desejos de faturamento.
As empresas (indústrias, comércios e serviços) devem estar atentas para esta
tendência que tem demonstrado alterações há alguns anos e precisam se adaptar a
esta nova realidade sem distinguir sua qualidade em atendimento e respeito em
relação às classes sociais existentes. É incrível mas ainda há profissionais de
vendas e atendimento atuando nas empresas que representam, “medindo” os clientes
pela forma com a qual se vestem ou se apresentam. Se os clientes demonstrarem
ter maior quantidade de recursos financeiros, são melhor atendidos ou ouvidos,
mas se aparentarem ser menos privilegiados financeiramente ficarão de lado ou
nem mesmo serão atendidos.
Dizem que o elefante tem boa memória e jamais se esquece de algo, principalmente
de algo que o deixou irritado. O consumidor da classe C é como um elefante. Um
dia pode ter se irritado ou se decepcionado com você, pela falta de atenção e
respeito quando não teve condições em adquirir produtos ou serviços de sua
empresa devido a limitações financeiras. No entanto, quando esta situação se
reverter e seu poder aquisitivo aumentar, tenha certeza que ele não terá
esquecido sua atitude e por isso desejará que você se esqueça dele!
Ah, falando em se esquecer, não se esqueça que elefantes andam em bando.
Prof. Wagner Campos é Palestrante e Conferencista em Vendas, Motivação e
Liderança. Diretor da True Consultoria. Administrador de empresas e Especialista
em Marketing. Possui experiência há mais de 12 anos na área tendo atuado em
empresas como Cia Cervejaria Brahma, Unibanco, Multibrás Eletrodomésticos,
Bebidas Wilson e Sebrae. É autor do Livro "Vencendo Dia a Dia" e Coordenador e
Prof. dos cursos de Marketing, Com. Exterior, Logística Empresarial e Recursos
Humanos da Universidade Paulista – UNIP e Prof. e Coordenador do Curso de
Marketing do Grupo Anhanguera Educacional. Contato: wagner@trueconsultoria.com.br
– www.trueconsultoria.com.br – F: (19) 3444-9599.