Estimule o Buxixo
Por Marcelo Miyashita
27/03/2008
O buxixo é um ato natural do ser humano. Somos propensos a falar e falar sobre
nossas vidas, nossas coisas e nossas experiências, inclusive, como consumidores.
É aí que o buxixo afeta os negócios e qualquer plano de marketing via ações
tradicionais de comunicação. Como definido por Emanuel Rosen, no seu livro The
Anatomy of Buzz: How to Create Word of Mouth Marketing, de 2000, o buxixo diz
respeito àquilo que os clientes falam um para o outro. Não se trata, somente, de
um simples diálogo entre pessoas. O buxixo vai mais fundo, é o ti-ti-ti entre as
pessoas. São comentários - informais, anárquicos, complementares, adversos ou
virtuais - sobre algo ou alguém.
E como o ser humano é um ser social, um ti-ti-ti aqui alimenta outro ali e, num
estalo, difusos comentários ganham forma e surge uma opinião generalizada,
favorável ou não. Esse buxixo entre as pessoas faz com que elas se tornem hubs
de uma rede sem fio e invisível, conectadas uma às outras por suas relações de
conveniência, convivência, confiança e emoção. Seth Godin, em seu livro
Marketing Idéia Vírus, de 2001, define as pessoas, em função da sua força
conectora, como contaminadores. E ainda as classifica em dois níveis: os
poderosos e os promíscuos. Os poderosos funcionam como megahubs, pessoas
formadoras de opinião, celebridades da mídia e especialistas famosos, capazes de
provocar um buxixo com uma frase ou um ato. Os promíscuos formam redes locais,
junto aos seus conhecidos, colegas de trabalho, amigos e familiares. Apesar de
não terem a exposição dos megahubs, eles detêm o poder do diálogo e da
proximidade com seus contatos – o termo promíscuo, na visão de Godin, vem do
fato de não serem tão fáceis de serem identificados, assim como sua ação de
contaminação. Basicamente, sob uma ótica de marketing, promíscuos são todas as
pessoas que se relacionam com o negócio de uma empresa – funcionários,
intermediários, parceiros e clientes – e poderosos são os influenciadores e
formadores de opinião reconhecidos e identificados pelo mercado em que a empresa
atua.
Estimulando o buxixo
Duas coisas podem dar partida ao buxixo: novidades ou idéias contagiosas, que,
por estarem associadas à curiosidade, ao inusitado e ao novo conseguem
mostrar-se simpáticas e atraentes ao hub disseminador; e um bom trabalho de
relacionamento com os megahubs, que são identificáveis, e os hubs, que, com
esforço, podem ser rastreados e cadastrados. McConnel & Huba, autores do
Buzzmarketing – Criando Clientes Evangelistas, de 2003, citam três ações para
promover o ti-ti-ti: primeiro, conte aos hubs sobre um novo produto ou serviço;
em seguida, traga os hubs para encontros, físicos ou virtuais, em que possam
conversar com outros hubs da companhia; depois dê um jeito de se certificar que
outras pessoas verão os hubs usando seus produtos.
Eventos e feiras dirigidas cumprem as duas primeiras ações. A terceira ação,
certificar-se de que outras pessoas verão os hubs usando seus produtos, é uma
tática comum no mercado da moda e de produtos de altíssimo valor. Companhias
fabricantes de relógios há muito tempo fecham acordos, formais ou não, com os
megahubs, celebridades e formadores de opinião famosos, para que, simplesmente,
circulem com seus relógios no pulso. Ultimamente, até clínicas de estética
utilizam dessa artimanha operando próteses de silicones em celebridades
emergentes, em troca da divulgação do seu nome.
O buxixo, querendo ou não, é um fato. Cabe ao empreendedor e, principalmente,
aos gestores de marketing, compreender seu conceito, entender como surgem e como
se disseminam, para tentar, de forma indireta, influenciar sua disseminação via
ações de relacionamento e relações públicas. E, claro, os contaminadores devem
alastrar opiniões positivas e favoráveis, ou seja, antes de tudo, é essencial
ter a companhia organizada, entregando bons produtos, prestando bons serviços e
cumprindo suas promessas.
O conjunto de ações de marketing conscientes, planejadas e gerenciadas em prol
do buxixo forma a tática chamada buzzmarketing. Portanto, o buxixo vem antes e
sempre irá existir. E essa tática nada mais é que uma tentativa gerencial para
influenciar esse processo. Por isso, de nada adiantarão ações repentinas e
pontuais de relacionamento com megahubs - que poderão, depois, pela falta de
continuidade, até causar efeito contrário. Decidir influir no buxixo é uma séria
atitude. As pessoas não são bobas e falam. Ah, como falam!
Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É
professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na
Cásper Líbero, FGV-EAESP GVpec, Trevisan, PUC-SP COGEAE, Madia Marketing School,
IMES e IBModa. Foi colunista do Comercial & Cia, na rádio BandNews FM. Em 2006
recebeu o Prêmio Marketing Best e em 2007 o título de Marketing Expert,
concedido pela Editora Referência (Jornal Prop&Mkt), pela FGV-EAESP e pela
MadiaMundoMarketing. É mestrando em Administração pela PUC-SP, pós-graduado pela
ESPM e publicitário pela Cásper Líbero. Conheça seu trabalho:
www.miyashita.com.br