Se você é uma daquelas pessoas que acha que
fidelização e lealdade de clientes podem ser
conquistadas apenas por caros sistemas de CRM, que
somente grandes empresas podem utilizar, espero que
este artigo ajude-o a mudar de opinião.
A estratégia da lealdade pode ser utilizada por
qualquer empresa, de qualquer ramo, inclusive pela
sua. O marketing de relacionamento, utilizado para
alcançar maior competitividade e lucratividade, nada
mais é do que o gerenciamento das atividades de
atração, manutenção e aumento contínuo do nível de
relacionamento com o cliente.
É importante entendermos a razão pela qual um
cliente volta a comprar ou fazer negócios conosco e
é aqui que entramos na estratégia da lealdade. A
estratégia da lealdade é abordada através de 4
níveis. Vamos a eles:
Nível 1 - Relação financeira: é o nível de
fidelidade que o cliente tem com empresas que
praticam preço baixo. Ou seja, o cliente sempre
volta a comprar aquele produto ou serviço porque é o
que tem menor preço. O cliente tem um vínculo
financeiro com a empresa.
Apesar de funcionar bem, como podemos verificar no
sucesso que algumas empresas têm, deve tomar-se um
grande cuidado se a estratégia estiver no vínculo
financeiro pois, a partir do momento em que essas
empresas não mais oferecerem o preço mais baixo,
perderão seu diferencial e seus clientes irão para a
concorrência que desenvolveu outro tipo de
estratégia de lealdade. O vínculo financeiro é muito
frágil. E nem sempre o cliente irá dar preferência
para o preço mais baixo, mas sim para o que tiver
melhor custo-benefício para ele. Por isso chamamos
de cliente eventual.
Nível 2 – Relação social: é o nível onde os clientes
voltam a comprar o produto ou serviço por questões
puramente sociais, ou seja, porque conhecem o dono,
porque são amigos do vendedor, porque a loja fica no
bairro, etc. É um cliente regular.
Esse nível já não é tão frágil, pois baseia-se em
indicações e preferências emocionais dos clientes.
Porém, ainda assim tem muitas falhas, uma vez que
esses vínculos sociais são mutáveis.
Nível 3 – Relação customizada: é quando o cliente
começa a perceber os atributos do produto ou serviço
oferecido e o valor que tem para ele. Ou seja,
começa a voltar naquela loja, a comprar
matéria-prima daquele fornecedor, a almoçar todos os
dias no mesmo restaurante, a ficar sempre no mesmo
hotel, tudo porque começa a perceber que aquela
empresa realmente está oferecendo os atributos que
ele valoriza – e está disposto a pagar por eles.
Essa estratégia já tem uma grande vantagem sobre a
financeira e a social, pois começa a lidar com o
conceito de “valor para o cliente”. A maioria das
empresas encaixam-se aqui (ou pelo menos tentam),
oferecendo um produto ou serviço adequado para
agradar a maioria de seu público-alvo. É uma
tentativa de segmentação. Um exemplo fácil de
entender é o McDonald’s: foi feito para pessoas que
gostam do estilo de comida e querem comer rápido.
Veja que a estratégia deles está na padronização e
não na adaptação, e o cliente que gosta dos
atributos de seus produtos sai satisfeito e volta,
mesmo que não haja personalização. E ainda indica
para os amigos. Chamamos estes de clientes
defensores.
Nível 4 – Relação integrada: é quando você
praticamente une todas as 3 estratégias
apresentadas, oferecendo atributos que o cliente
valoriza, por um preço que ele está disposto a
pagar, e ainda integra um certo grau de adaptação
para que esses atributos sejam maleáveis a ponto do
cliente receber apenas o que tem interesse. Se ele
quer um sanduíche sem picles, ele terá e
rapidamente.
Por exemplo, a rede de hotéis Accor que possui hoje
6 marcas: Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis, Formule1
e Parthenon. Veja que cada uma dessas marcas tem uma
segmentação diferente. Assim, a Accor oferece opções
integradas para seus clientes, possuindo ainda plano
de fidelidade (incentivando os clientes a se
hospedarem em uma das marcas da rede) e sendo
socialmente responsável, com vários projetos que
ajudam o meio-ambiente e a sociedade. Este clientes
são fiéis e leais, por isso chamamos de parceiros.
Solidificar relacionamentos, transformar clientes
indiferentes em leais e servi-los com qualidade são
as melhores maneiras de aumentar vendas e melhorar a
qualidade delas. Em que estratégia da lealdade seus
produtos ou serviços se encontram? Como passar para
o próximo nível?
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

