A Ética nossa de cada dia
Por Maria do Rosário Martins da Silva
24/03/2008

Todos os dias, ao acordarmos, deparamos com um mundo à nossa volta, coisas por fazer, além de objetivos e metas para serem alcançados. A partir desse momento, somos donos de nossas atitudes e pensamentos. Esses serão direcionados de acordo com alguns aspectos que irei discorrer ao tocar em um assunto que considero extremamente importante no tempo em que estamos vivendo: Ética.

O conceito da palavra ética origina-se do Grego - Ethos – costume, comportamento, caráter, modo de ser, hábito, forma de vida. É considerado como o estudo do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Compreender o significado de cada um dos itens abordados dentro desse conceito é importante para enxergarmos a maneira como, não apenas nós, mas as diversas pessoas com as quais convivemos ou apenas encontramos em nosso cotidiano, conduzem a vida pessoal e profissional.

Podemos agir de acordo com os valores e crenças que nos foram passados pelos diversos grupos com os quais convivemos, bem como com aqueles que ainda nos serão mostrados ao longo de nossas vidas. O principal valor é aquele que herdamos do primeiro grupo com o qual interagimos: a família. Nossos pais, com certeza, procuraram ensinar-nos, de acordo com a educação recebida por eles, noções do que é certo e errado, moral e imoral. Foi exatamente nessa época de nossa vida que ouvimos frases como “não faça isso, está errado”; “não pegue objetos que não são seus”; “peça desculpas!”, e muitas outras que demonstravam a correta forma de agirmos perante as outras pessoas.

Passamos a conviver, posteriormente, com nosso segundo grupo social, que foram os nossos colegas de escola, professores e outras pessoas logo no início de nossa vida acadêmica. Nesse período, embasados nos valores familiares herdados, vivenciamos situações diversas de comportamentos que nos colocaram à prova constantemente. Aprendemos então, novos valores e crenças nessa etapa importante na nossa formação. Quantas vezes tivemos duvidas sobre o que nossos pais nos ensinaram e o que os professores achavam que era correto ou os nossos colegas traziam de suas casas em relação às suas atitudes! Têm inicio aí os primeiros conflitos pessoais, gerados pelos nossos valores pessoais e os valores sociais.

Crescemos, terminamos os estudos e vamos então para nossa etapa profissional, passando a conviver com um grupo que já se encontra formado antes de nossa chegada à empresa. A partir daí, nosso cargo e funções dentro do mesmo também nos colocarão diante de diversas situações: contatos com clientes, fornecedores, colegas e superiores. Teremos responsabilidades em relação ao patrimônio da empresa e, muito provavelmente, algumas decisões deverão ser tomadas por nós.

Podemos então optar por agir de acordo com nosso livre arbítrio, decidindo de forma consciente, através da liberdade de pensamentos que temos. Ao fazermos parte de um grupo, seja ele qual for, podemos escolher sermos ou não éticos, e pequenos gestos demonstram exatamente nossa posição diante de todas as situações que vivenciamos.

Muitas pessoas pensam que ética passa apenas por atitudes como não roubar, não subornar ou não aceitar propinas. Porém, a ética vai muito além de tudo isso, estando presente em pequenas ações diárias que podem trazer prejuízos para nossa família, sociedade e empresas. Algumas delas que eu considero não apenas falta de ética, mas total falta de educação:

1) Jogar lixo nas ruas ou pela janela dos veículos: quando vejo alguém fazer isso, fico pensando nas sérias conseqüências para a comunidade, além de prováveis acidentes com veículos. Prova disso são as enchentes que tomam conta de muitas cidades, arrasando a vida de muitas pessoas, que provavelmente jogaram o lixo nos lugares corretos, porém a pessoa que provocou tudo isso deve estar dormindo tranquilamente em sua casa segura e o carro do qual jogou esse lixo está bem guardado dentro de uma garagem.

2) Furar filas: fico questionando o que as pessoas que tomam essa atitude pensam a respeito disso se é que têm capacidade para pensar. Vejo pessoas sem condições físicas que, mesmo tendo os seus direitos garantidos por lei, com atendimento preferencial, são incapazes de tal atitude, ao passo que algumas que se julgam melhores por causa de seu poder aquisitivo ou profissão, passam tranquilamente na frente de todos, por julgarem seu tempo mais precioso do que de todos.

3) Não prestar um bom atendimento ao Cliente: não dar as informações corretas, não prestar os serviços necessários e destratar as pessoas ao telefone, não são apenas posturas profissionais negativas. Atitudes assim têm a ver com educação e respeito pelos que procuram a empresa. O mínimo que se espera de que atende aos clientes é cortesia e presteza nas informações.

Fazer com que o convívio com as pessoas com as quais lidamos diariamente seja de forma pessoal ou profissional, o melhor possível, respeitando os valores de todos – morais, religiosos, sexuais, sociais, etc., é um bom princípio de ética. Portanto, devemos prestar bastante atenção nas nossas ações, tendo sempre como aliada a empatia, ou seja, colocar-se no lugar dos outros. Lembre-se, ética não se separa da Moral e do Direito, e o mais importante é podermos olhar no espelho e ter respeito e orgulho pela imagem que ele reflete, além de podermos deitar tranquilamente nossa cabeça e nossa consciência no travesseiro todas as noites dormindo um sono justo!

Maria do Rosário Martins da Silva é Mestre em Marketing. Especialista em Recursos Humanos e Marketing. Professora em cursos de Graduação e Pós-Graduação. Palestrante nas áreas de Motivação, Empreendedorismo, Recursos Humanos, Marketing, entre outros. Experiência em desenvolvimento de pessoas nas áreas de Marketing, Recursos Humanos, Empreendedorismo, Dinâmicas de Grupos, Jogos de Empresas, Técnicas Vivenciais e Oratória. Contato: zarinhamartins@hotmail.com