Existe Inovação sem Risco?
Por Gisela Kassoy
08/09/2008

Bons tempos aqueles! Praticamente, o único receio de uma empresa era ser ultrapassada pela concorrência.

Aquecimento global, exuberância irracional e pandemias eram conversas de especialistas, ávidos para estragar prazeres.

Havia verba e estímulo para inovações e seus devidos testes, projetos piloto e possíveis erros.

O financiamento dos riscos faz parte do processo. Muitas organizações estimulam o risco, já que mesmo depois de um determinado número de erros, uma das idéias que vingue é lucrativa o suficiente para equilibrar as apostas.

Isto não deixou de ser verdade. Inovações continuam tendo o poder de multiplicar os lucros das empresas.
Mas o momento é outro. A verba diminuiu. A crise financeira mostrou que às vezes o pior acontece. A palavra de ordem passou a ser cautela.

Mas é possível inovar sem correr riscos? É possível arriscar sem perder dinheiro? Ou, pelo extremo oposto, é possível sobreviver na base da cautela?

A resposta vem de uma habilidade em demanda crescente: a convivência com o risco.
Ao exaurir possibilidades, elaborar planos A, B , X e Z as empresas estarão desenvolvendo as competências para prever sucessos e, sobretudo, abrindo espaço para monitoramento contínuo, uma vez que as variáveis externas mudam cada vez mais .

Afinal, inovar continua sendo pensar no impensável, romper barreiras, ir além.

Processos de inovação se beneficiarão da grande lição da crise: a ampliação da consciência.
Consciência aqui significa visão de consequências. Trata-se de pensar na frente, antecipar-se aos fatos, embora estejamos numa época na qual eles são pouco previsíveis.

Trabalho com inovação há quase 20 anos. As demandas e processos evoluíram, se transformaram, se adaptaram.
Monitoramento sempre fez parte de uma estratégia eficaz para inovar. Agora será a chave.

Gisela Kassoy - Consultoria em Criatividade - www.giselakassoy.com.br