Extensões de marcas e personagens
Por Arnaldo Rabelo
10/07/2009
As extensões de marca são aplicações de uma marca conhecida a novas
categorias de produtos. Sua utilidade é otimizar o investimento feito na
marca, aumentando os lucros do detentor de seus direitos. No
licenciamento, também tem a função de agregar novos conceitos aos
produtos onde a marca é aplicada, aumentando a atratividade destes para
o público, assim como a lucratividade e as vendas do licenciado.
Quando as novas linhas de produtos estão dentro da área de competência
da empresa detentora de seus direitos, ela faz a extensão da marca
internamente. Quando os novos produtos estão fora de sua área de
competência, a empresa pode estender a marca através do licenciamento.
No entanto, apenas marcas fortes podem ser estendidas. É necessário que
haja um alto nível de relacionamento do público com a marca. As
extensões devem ser feitas com muito cuidado. Se forem feitas sem
critério, podem confundir o que a marca representa, diluindo seu valor.
As extensões bem-sucedidas são as que continuam fazendo sentido,
levando-se em conta o conceito original da marca.
As estratégias de extensão de marca também podem ser aplicadas a
personagens, como veremos a seguir. Podemos ter as seguintes
estratégias, cada uma com vantagens e desvantagens:
- marca única: A mesma marca para todas as linhas. Exige grande unidade
de conceitos e marca extremamente forte. Tem menor custo de
desenvolvimento e na comunicação. Corre grande risco de se enfraquecer e
passar a não representar claramente nenhum conceito. Exemplos: Yamaha,
ou o personagem Garfield (que até pouco tempo não tinha variações para
aplicação).
- marcas derivadas: nomes claramente ligados à marca da empresa-mãe.
Podem identificar famílias de produtos muito diferentes. Exemplos:
Nescau, derivando de Nestlé, e Mônica Jovem, derivando do personagem
clássico Mônica.
- marcas endossadas: Citação (em menor tamanho) da marca da empresa-mãe.
A empresa confere prestígio às suas marcas. A marca da empresa legitima,
enquanto a marca individual distingue. Exemplos: suco Kapo, endossado
pela marca Coca-Cola, ou Shrek sendo endossado pela Kellogg’s, no caso
do cereal.
- marcas independentes: Sem ligação aparente com a marca da empresa-mãe.
A empresa é conhecida por fornecedores e parceiros, mas apenas suas
marcas são conhecidas dos consumidores. Não vincula o nome da empresa ao
sucesso do produto. É usado quando não há benefício na associação.
Exemplos: as marcas de sabão em pó Ariel e Ace, ambas fabricadas pela
Procter&Gamble, ou os personagens Cinderella e Ursinho Pooh, ambos da
Walt Disney (embora fazendo parte de universos completamente
diferentes).
Muitas empresas têm receio de investir em uma marca licenciada,
acreditando que deixarão de construir e fortalecer a própria marca. No
entanto, se utilizarem a estratégia apropriada, o licenciamento dará
visibilidade e prestígio à sua marca, valorizando-a. Cada marca tem uma
função, neste caso. A marca do fabricante representa a qualidade e
expertise da empresa no desenvolvimento do produto, enquanto a marca ou
personagem licenciado agrega novos valores e conceitos ao produto.
Utilizadas da forma correta, as estratégias de extensão de marca
contribuirão muito para o sucesso do programa de licenciamento.
Arnaldo Rabelo é diretor da Rabelo & Associados, consultoria de
marketing infantil e licenciamento. www.arnaldorabelo.com.br