Gestão de Conhecimento e Tecnologia de Informação - Aliança inteligente e Profissão emergente
Por Werner Kugelmeier
18/07/2008

Quem não é bombardeado diariamente com “n” informações? Gerenciar esta avalanche passou a ser uma oportunidade para criar um diferencial competitivo em uma economia mundial conectada e impulsionada pela Tecnologia de Informação - TI, que veio para ficar. O “pulo do gato” está na Gestão do Conhecimento - GC (Knowledge Management).
GC significa estruturar a capacidade da empresa de captar, categorizar, interpretar e disseminar a informação, interna e externa, que navega nas áreas de marketing, vendas, serviços, operações e administração das companhias, de tal maneira que permite à organização crescer com lucro, de forma sustentável.
Mas como lidar com a GC? Sugiro trabalhar em três frentes: Configurar, Consultar e Capitalizar.
1 - Como configurar? A experiência mostra que 80% do conhecimento que a empresa precisa já existem na organização (perdidos nos “labirintos corporativos”), podendo ser atualizados, continuamente, pelos próprios colaboradores, clientes, fornecedores, investidores, publicações de negócio, internet e consultorias – o desafio é criar uma infra-estrutura que permite acessar o conhecimento, criar o hábito de compartilhá-lo e mantê-lo dentro de “casa”, mesmo depois que um colaborador deixa a companhia.
Entende-se como “conhecimento” uma combinação de informações que, configuradas e contextualizadas, fornecem a base para a tomada de decisões e a solução de problemas. Apenas "saber" sobre algo não proporciona, por si só, mais competitividade. Quando incorporada à gestão é que a informação faz a diferença. A criação e a implantação de processos que armazenem, gerenciem e disseminem o conhecimento representam o mais novo desafio a ser enfrentado pelas organizações. Termos como "capital intelectual" ou "inteligência empresarial" já fazem parte do dia-a-dia de muitos executivos.
2 - Como consultar? A iniciativa da GC parte da premissa de que todo o conhecimento existente na cabeça das pessoas e nas veias dos processos pertence também à organização. Por outro lado, os colaboradores devem usufruir do conhecimento disponível na organização.
Cada vez mais os executivos acreditam que a GC é uma fonte fundamental para a criação de práticas corporativas (best practice), em particular nas áreas de Gestão Executiva (para diferenciação estratégica, agilidade e assertividade na tomada de decisões), Operações (para otimização de processos e redução de custo) e Comercial (para aumento de receita).
O papel da TI na GC consiste em ampliar o alcance e acelerar a velocidade de transferência do conhecimento. Os softwares de GC facilitam a captura e a estruturação do conhecimento de indivíduos ou grupos, disponibilizando esse conhecimento em uma base compartilhada por toda a organização. Em quase todos os empregos agora, as pessoas usam software e trabalham com informações que permitem a sua organização operar de forma mais eficaz, desde a loja de varejo, onde o colaborador utiliza um scanner handheld para acompanhar o inventário, ao Executivo que usa a Business Intelligence – BI, software para conduzir o negócio. Um sólido conhecimento de produtividade de software se tornou um alicerce fundamental para o sucesso em praticamente qualquer carreira. O conhecimento está e deve continuar disponível a todo instante, a um clique de nossas mãos.

A ferramenta mais indicada, em razão de sua simplicidade, para disseminação do conhecimento nas organizações ainda é a web organizacional (sistemas de informação na intranet da organização), seguida por portal corporativo, que permite a gestão de toda informação organizacional.
3 - Como capitalizar? Os Fatores Críticos de Sucesso em projetos de GC são o patrocínio da alta direção e a educação dos colaboradores. Por mais que a GC esteja em funcionamento com todo o apoio da TI, somente as pessoas podem tirar proveito disto. São elas que formam o Capital Intelectual, a capacidade organizacional de corresponder às exigências de mercado, a “mãe das inovações e o destruidor das burocracias”.
Se aproveitarmos todo o avanço da TI como aliado, a GC recebe um impulso vital no sentido de ligar fontes e usuários e de aumentar o aprendizado “on-the-job”, em cada nível da organização.
Surge aqui a figura do profissional do futuro que já começou: Mestre em Gestão do Conhecimento e da Tecnologia da Informação; para fundamentar melhor, já se percebe uma tendência das empresas de fazer dos colaboradores “profissionais de conhecimento” (knowledge workers) – “a profissão mais importante do futuro” (Bill Gates). Está valendo mais do que nunca a agregação de valor para os stakeholders (colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, investidores), através do potencial produtivo dos cérebros das pessoas. Cabe aqui uma provocação: se apenas 10% do seu pessoal de alto potencial forem contratados pela concorrência, quanto o seu contador abaterá do seu patrimônio líquido no dia seguinte? Para evitar esta contabilização, é preciso dar ao knowledge worker um espaço de trabalho dinâmico que lhe permita acessar o conhecimento, adicionar o conhecimento e transformá-lo em valor.

Na ponta, as empresas já estão cobiçando o Chief Knowledge Officer– CKO (Diretor do Conhecimento), responsável pela gestão do Capital Intelectual da empresa, combinando gestão de pessoas com gestão de TI. "O CKO é um perfil bastante difícil no mercado e começa a ser muito procurado", diz o headhunter Antonio Enéas Reis, da DPS Consult.

Por que não embarcar nesta nova opção de carreira – transformando a Gestão de Conhecimento em Conhecimento para Gestão?!

Werner Kugelmeier é Diretor da WK PRISMA - EDUCAÇÃO CORPORATIVA MODULAR, Empresa de Treinamentos Empresariais, de Campinas – SP, www.wkprisma.com.br, Autor do Livro “PRISMA – girando a pirâmide corporativa”, wkprisma@wkprisma.com.br - (19) 3296 4341/ 3256 8534