Uma visão aplicada às
organizações empresariais em
Portugal, seu regime de
propriedade e grau de
separação da gestão. Pistas
para fazer uma análise mais
profunda...
Genericamente, a Governança
Empresarial descreve todas
as influências que afetam o
processo institucional das
empresas, incluindo o que é
definido por controladores
e/ou reguladores, envolvendo
na organização a produção e
a venda de produtos e
serviços. Desta forma, a
Governança Empresarial
incluí todos os tipos de
empresas que estejam ou não
sob a alçada da lei civil.
Podemos dizer que esta
preocupação da Governança
Empresarial já vem desde
1911. De fato, foi nesse ano
que Frederick W. Taylor,
então engenheiro--chefe na
Bethlehem Steel, inventa uma
«organização científica do
trabalho», que deve aumentar
a produtividade, reduzindo o
«ócio» dos operários. Está
convencido de que uma
«cooperação amigável» entre
o patrão e os trabalhadores
para aumentar a mais-valia
permitirá acelerar
simultaneamente os
benefícios de um e os ganhos
do outro. Na prática, a
realidade foi menos lírica.
Muitos empresários
aproveitarão num só sentido
uma doutrina que desemboca
com freqüência na
desumanização das tarefas.
Mas isso não impedirá o
sistema Taylor de invadir o
planeta nos anos que se
seguiram.
Por outro lado, assim como o
sistema de democracia
representativa foi
estabelecido para permitir
uma base legitima para o
poder público, o sistema de
Governança Empresarial foi
estabelecido para permitir
uma base legítima para o
poder privado. Ambos os
sistemas tentam lidar com os
problemas que resultam
quando aumentam as questões
complicadas que requerem a
atenção permanente de
profissionais que exercem
uma autoridade delegada em
defesa da comunidade, mesmo
que essa comunidade consista
em cidadãos ou em
acionistas. Os economistas
chamam a estes problemas
“custos de agência” e os
advogados chamam-lhes
“conflitos de interesses”.
Ambos os termos são usados
para exprimir as
preocupações acerca do
exercício da autoridade por
delegação, e o incentivo que
isso fornece para o seu
exercício. Como a autoridade
é delegada, pode haver
abusos. Isto faz com que a
relação entre o proprietário
e o gestor seja tão
importante para a vitalidade
da empresa.
Na última década cresceu o
debate relativo à eficiência
de diferentes sistemas
nacionais de economia. Mesmo
correndo o risco de
simplificação, existem dois
sistemas básicos de
Governança Empresarial ao
nível financeiro que
predominam nas economias
desenvolvidas dos nossos
dias. Um é o modelo
“anglo-americano” com base
numa economia de mercado,
com o capital disperso por
diversos acionistas e
sujeito a “take-overs”. O
outro modelo pode ser
representado pelas economias
do Japão e da Alemanha, com
um sistema baseado em
múltiplas relações em
holdings interempresariais,
com ausência de
possibilidade de
“take-overs”.
Assim sendo, é possível
caracterizar a situação
atual e perspectivas futuras
da aplicação de sistemas de
Governança Empresarial nas
empresas, nomeadamente num
aspecto particular desta
área de conhecimento – a
estrutura do regime de
propriedade e fazer a
avaliação do grau de
separação entre a gestão e a
propriedade. Para isso, as
seguintes hipóteses poderão
ser colocadas:
• Existe uma efetiva
sensibilidade das
organizações empresariais
para a análise desta
temática – aplicação de
sistemas de governança
empresarial?
• Existe ou não uma
crescente penetração da
gestão na propriedade? Ou
será que é o inverso ?
• Será que os “corporate
stakeholders” beneficiam
mais quando os gestores
dedicam a sua lealdade,
energia e competência para
maximizar o valor da empresa
?
• Será que os objetivos
comerciais são conciliáveis
com os objetivos sociais ?
• Existe interdependência
entre a empresa e os seus
“stakeholders” estratégicos
- conceito da Teoria
Stakeholder-Agência ?
• Que relação existe entre
poder e governança
empresarial ?
• Os proprietários têm uma
influência positiva na
performance da empresa
quando têm intervenção na
gestão ?
• Será que há alguma relação
entre “corporate governance”
e performance da empresa ?
Para dar resposta às
hipóteses acima mencionadas,
poderá ser utilizado o
método descritivo e uma
pesquisa bibliográfica sobre
esta temática, tendo como
objetivo estabelecer uma
linha evolutiva destes
conceitos e seus
antecessores, podendo a
revisão da literatura
passará pelas seguintes
áreas:
- Teoria da Agência;
- Governança Empresarial;
- Finanças Empresariais e
sistemas de gestão;
- Taylorismo – Separação
entre Produção e propriedade
;
- Sistemas de remuneração e
incentivo dos gestores ;
- Ownership Stucture – A
possibilidade de dispersão
de capital em bolsa;
- Teoria do Stakeholder;
Posteriormente poderá será
efetuada uma recolha de
elementos ao nível das
organizações objeto do
estudo. A recolha de dados
deverá cumprir as normas
metodológicas geralmente
aceites. Deverão ser
construídos elementos de
recolha de raiz, uma vez que
a temática a abordar é,
aparentemente, inexplorada.
Miguel Cristovão
é Pós-Graduado em Gestão de
Marketing e Mestrado em
Estratégia e Desenvolvimento
Empresarial. Experiência de
quase 20 anos nas áreas de
Marketing e Vendas, com
funções em empresas como 3M
, Tudor, ABB-Adtranz e Sixt.
Atualmente na Samsung
Portugal, Mobile Divison,
com a Gestão de Grandes
Contas. Membro ainda da APPM
- Associação Portuguesa dos
Profissionais de Marketing,
do Clube da Negociação e
palestrante convidado de
Seminários do IIR -
Instituto for International
Research.

