As Grandes Decisões de Marketing
Por Leonardo Hoff dos Santos
01/04/2005
Constantemente notamos que a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas quando
ouvem a palavra marketing é “propaganda” e, em segundo lugar, “venda”. Esta
última, algumas vezes, ainda, com o sentido de “promoção pessoal”. Para muitas
pessoas, propaganda e marketing são sinônimos. Para outras, venda e marketing
também são a mesma coisa.
As associações acima citadas não são ao todo equivocadas, pois são, na verdade,
partes integrantes do marketing, juntamente com outras tantas. Isso se deve ao
fato de o marketing poder apresentar uma infinidade de sentidos, sinalizando
para seu grande potencial e valor.
A palavra "market" significa mercado, e a terminação "ing" foi acrescentada para
sugerir sua dinâmica de acompanhar a contínua mudança que ocorre nos hábitos,
necessidades e desejos dos mercados-alvo, ou seja, caracterizando um “mercado em
ação”.
Em um conceito próprio, marketing é o processo de planejamento, concepção,
execução e controle de programas e fatores (preços, promoções e distribuição de
produtos, serviços, idéias, eventos etc) com o intuito de criar trocas que
venham a satisfazer aos objetivos sociais ou organizacionais, particulares ou
coletivos.
Assim, pode-se dizer que toda iniciativa que tenha como objetivo conquistar
novos clientes, melhorar seus produtos ou serviços ou, ainda, o relacionamento
de sua empresa com seus clientes, a fim de torná-los mais fiéis e satisfeitos,
trata-se de uma iniciativa de marketing.
Mas não temos a pretensão de explorar todas as possíveis interpretações, pois,
para isto, seriam necessárias muitas páginas. Nossa intenção, aqui, é enriquecer
o conhecimento público sobre os inúmeros benefícios que o marketing oferece, e
estimular uma reflexão a respeito dos fatores que devemos considerar ao conceber
uma estratégia vencedora.
Uma estratégia de marketing consiste em definir a forma com que se pretende
atuar no mercado, e, normalmente, envolve decisões relacionadas aos elementos
conhecidos como os “Quatro P’s” do marketing: produto, preço, ponto, promoção.
Estes quatro elementos (os fatores de estímulo) podem ser desdobrados em
inúmeros outros (já vimos até 12 P’s!) e, para facilitar, preferimos apresentar
a orientação das decisões de marketing sob outra forma, que é a dos fatores de
“utilidade”, capazes de proporcionar ao cliente um pacote de valor agregado aos
produtos propriamente ditos.
Considerando a utilidade de tempo, local, forma, propriedade, informação e
serviços, podemos encontrar inúmeras respostas que nos oferecerão subsídios para
uma adequada concepção das estratégias para o desenvolvimento de nossos negócios
e empreendimentos.
Será a partir destas definições que poderemos determinar as ações e programas em
busca dos objetivos propostos, ao que se pode – e deve! – lançar mão das
diversas ferramentas de marketing, como pesquisa mercadológica, desenvolvimento
de produto, segmentação de mercado, estratégias de comunicação, de preço,
distribuição, forças de venda, relacionamento ... e muitas outras.
Nesta perspectiva, em que se “vê” o marketing como um instrumento para
“customizar propostas ou conceitos” dirigidos aos clientes-alvo, se obtém um
leque bastante grande de caminhos decisórios, já que as ferramentas, meios e
informações - tão importantes! - são infinitas.
Assim, independentemente de seu porte, ou de se ter ou não um sistema de
informações mercadológicas estruturado, as decisões devem colaborar para o
sucesso e a sobrevivência ao longo do tempo, em que a empresa precisa ser
competitiva, ágil, dinâmica, bem direcionada e voltada para o cliente e para a
racionalização de seus processos.
Ou seja, precisa estar preparada para competir com grandes e pequenos – e para
colaborar também! - tendo como principal vantagem a habilidade de superar
rapidamente os desafios, e a capacidade de poder reorganizar-se antes que a
concorrência o faça, adotando uma postura de projetiva, funcional e
monitorizada.
Para simplificar, podemos dizer que o fundamental é custo baixo; é conhecimento
de mercado; é empreender, sim, mas em realizações baseadas em análises
cuidadosas; é focar o negócio naquilo em que se pode fazer melhor do que a
concorrência; é selecionar o cliente que dará melhor retorno; é ver o cliente e
“enxergar” sua longa vida útil; é tornar o cliente seu melhor vendedor; é
oferecer ao cliente aquilo que ele “ainda” não sabe que quer ou que precisa; é
formatar parcerias para alcançar o sucesso, sem jamais esquecer que tanto você
quanto seus parceiros e clientes também querem o melhor.
Após uma cuidadosa reflexão sobre estes fatores, ficarão mais claros os caminhos
para encontrar as melhores respostas a perguntas como: “que características terá
o produto ou serviço?”, “qual o melhor preço a ser praticado?”, “que pontos de
venda ou sistemas de distribuição são mais adequados?”, “quais serão as formas e
meios de promoção para atingir determinado público?” ... e, conseqüentemente,
todas as demais perguntas que vierem a surgir a partir destas.
Como se pode perceber, não existe uma fórmula secreta para o sucesso. O que
existe é a necessidade do bom senso, do acesso e do uso de uma boa base de
informações, da equalização de fatores controláveis àqueles que estão fora de
nosso controle, e da adequação de nossa proposta às necessidades e desejos do
público ao qual pretendemos atender.
Então, pessoal, utilizemos melhor o potencial do marketing! ... Ou seria ...
Vamos nos inserir melhor neste mercado em ação?!
A decisão está em suas mãos!
Leonardo Hoff dos Santos é administrador especialista em Marketing pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - e pós-graduando em Controladoria de Gestão, atua como consultor em Gestão de Negócios e em Gestão Estratégica de Marketing pela Advantage Consultoria, da qual é diretor executivo. Também é um grande incentivador do empreendedorismo responsável. Fonte: Advantage.