Inteligência Internacional Mercadológica – mais que um radar, a bússola
Por Werner Kugelmeier
18/07/2008
Com a internacionalização dos negócios, os mercados externos se tornaram
alvos estratégicos para as empresas com base doméstica. A
internacionalização das empresas tornou-se uma postura ligada à
sobrevivência. Para que as empresas possam explorar as novas
oportunidades e, ao mesmo tempo, contornar as armadilhas inerentes, é
preciso enfrentar o desafio da internacionalização.
A internacionalização, por ser mais exigente e complexa do que a atuação
nacional, serve simultaneamente como parâmetro para a Inteligência
Nacional Mercadológica. Sendo o processo de tomada de decisão, em cada
país, realizado com a mesma metodologia, podemos padronizar o processo
de análise dos mercados.
A formulação de uma estratégia implica, antes da implementação do Plano
de Marketing, em um diagnóstico interno, ou seja, uma avaliação dos
pontos fortes e fracos da organização (o comportamento do mix de
produtos, em relação aos indicadores de desempenho como venda, lucro,
reclamação) frente a uma análise do ambiente externo com suas
oportunidades e ameaças (tendências políticas, econômicas, sociais e
tecnológicas).
Com o avanço da Tecnologia de Informação, os gestores dispõem hoje de
Inteligência de Negócio (Business Intelligence -BI ) para conseguir
transformar dados em informações e, a partir daí, para compreendê-los e
transformá-los em conhecimento. Desta forma, eles podem estruturar a
companhia para ser mais competitiva e ganhar dinheiro com aquilo que ela
sabe.
Conhecendo o ambiente de negócio em que atua, é possível definir
estratégias vencedoras de marketing para seus produtos e serviços.
A palavra "estratégia", de origem grega, “a arte militar de planejar e
executar movimentos de tropas”, contempla dois aspectos: (1) “em que
guerra vamos entrar ?” e (2) como vamos ganhar a guerra ?”. O sucesso de
uma estratégia de marketing depende da identificação de desejos e
necessidades reais dos consumidores bem como das vantagens competitivas
em relação aos concorrentes diretos.
Por sua vez, é o processo de elaboração do Plano de Marketing que faz o
grande diferencial para a conquista de uma real vantagem competitiva nos
mercados internacionais. A sua formulação leva a uma determinada forma
de atuação no mercado externo, com um foco a perseguir (segmento de
mercado, valor criado para os consumidores e rentabilidade esperada).
O processo de planejamento começa com a determinação do mercado em que a
empresa pretende investir, aquele em que o conjunto de seus recursos e
capacidades melhor se ajusta às características locais, como o hábito de
compra do consumidor, o posicionamento no mercado e o comportamento da
concorrência direta.
Quando se fala em marketing internacional, surge a questão: deve a
empresa padronizar seu composto mercadológico, ou seja, os 4 P´s -
Produto, Preço, Ponto de venda, Promoção e os 4 C´s – Cliente, Custo,
Conveniência, Comunicação, ou deve adaptar este composto para atender as
características específicas do mercado-alvo ? A padronização oferece a
vantagem de redução dos custos em desenvolvimento de produtos,
embalagens, distribuição e material promocional. Entretanto, existem
regras locais de cada país. O fundamental é que os gestores de Marketing
ponderem, “no bottom line”, o custo da customização versus o benefício,
em termos de volume e rentabilidade de vendas.
A estrutura de um Plano Estratégico de Marketing varia de acordo com
segmentos de negócio ou interesses da empresa. Um modelo “curinga”
possibilita sua adaptação para um universo de realidades distintas, a
partir de módulos essenciais como Análise de Oportunidades e Ameaças,
Análise de Pontos Fortes e Pontos Fracos (SWOT Analysis), Objetivos
(consolidar, crescer, exportar) e Metas (faturar e lucrar), Estratégias
de Posicionamento (liderança de inovação, marca, custo); Composto de
Marketing (4 P´s e 4 C´s), Programas de Ação (prioridade, prazo,
responsável) e Demonstração de Resultado Projetado (receita/variação,
lucro/variação).
A Capacidade Gerencial com Foco Internacional
A internacionalização dos mercados tem forçado as empresas a buscar,
especialmente para cargos diretivos, profissionais com mentalidade e
vivência internacional. Esses irão delinear a atuação mercadológica e
comercial, optar por um determinado modo de entrada (exportação, joint
venture, investimento externo direto) e assumir a responsabilidade pela
conduta comercial rumo aos resultados esperados.
Um profissional com competência gerencial internacional sabe que o
comprometimento com a atividade internacional se materializa através da
alocação de recursos humanos, materiais, financeiros e mercadológicos,
os quais, em seu conjunto, sinalizam a intenção da empresa em dar
continuidade ao seu processo de internacionalização.
Esses profissionais reconhecem que o cliente e o concorrente
internacional são os principais elementos a serem considerados na
formulação e na execução das estratégias.
Uma empresa alcança uma alta performance nos mercados internacionais
quando cria uma cultura internacional dentro da organização, top-bottom,
onde todos, do topo ao “chão de fábrica”, compreendem e pactuam que é
necessário criar um valor para o cliente internacional; este, via de
regra, busca um fornecedor que faz do processo de internacionalização um
hábito de venda regular (estar junto em tempos bons e tempos ruins) e
não uma conveniência de venda spot ( up and down, stop and go ).
Elaborar um Plano de Marketing não é uma tarefa simples, tampouco é
possível nas quatro paredes do escritório – é preciso um intenso
trabalho “in loco”, mas seus ganhos são justificativas suficientes para
sua implementação – afinal, estamos falando não apenas de um radar, mas
de uma bússola para poder conduzir a produção, vendas e serviço...
Werner Kugelmeier é Diretor da WK PRISMA - EDUCAÇÃO CORPORATIVA MODULAR,
Empresa de Treinamentos Empresariais, de Campinas – SP,
www.wkprisma.com.br, Autor do Livro “PRISMA – girando a pirâmide
corporativa”, wkprisma@wkprisma.com.br - (19) 3296 4341/ 3256 8534