A intenção estratégica
dá corpo ao desejo de
obtenção da posição de
liderança e estabelece o
critério que a organização
deverá usar nesse processo.
Deste modo a intenção
estratégia, é mais do que
libertar simplesmente a
ambição, é um processo de
gestão ativa que incluí:
• Focar a atenção
organizacional na essência
da vitória;
• Motivar as pessoas,
através da comunicação da
importância e valor dos
objetivos e alvos a atingir;
• Deixar espaço para as
contribuições individuais,
fundamentando o entusiasmo;
• Usar a intenção
estratégica de forma
consciente, para guiar a
aplicação de recursos.
A intenção estratégica
diverge do conceito de
planejamento estratégico.
Porque o objetivo da
intenção estratégica é
cruzar o futuro com o
presente, não diz respeito a
melhorias incrementais, mas
sim à capacidade de fazer
diferente. Com a aceleração
das mudanças, o horizonte de
previsão torna-se cada vez
mais curto, e só com uma boa
articulação da intenção
estratégica, uma sucessão de
planos de anos consecutivos,
pode conduzir a uma
liderança global. A
estratégia é clara no que
diz respeito aos fins mas
flexível no que diz respeito
aos meios. Deixa espaço para
a improvisação e
criatividade. Os gestores
devem encorajar e motivar a
criatividade e devem
estabelecer os critérios
dentro dos quais os
empregados podem prestar e
encaixar a lógica das suas
iniciativas.
Deste modo, a estratégia é
concebida, não como um
exercício de
reposicionamento da empresa
dentro do sector onde atua,
mas ao contrário, a
estratégia é um esforço de
descoberta, que põe a ênfase
na procura de novos padrões
de oportunidades e novos
padrões de interação entre
clientes, empresas,
tecnologias e mercados. Tal
concepção, faz lembrar a
frase de Einstein “Em
situações de crise não se
usa o conhecimento mas sim a
criatividade”.
Após a definição da intenção
estratégica, segundo
C.K.Prahalad e Gary Hamel, o
primeiro e o mais importante
passo que uma empresa deve
tomar é identificar e
maximizar as suas
competências-chave e
descobrir as que falta para
construir o futuro que
deseja. As
competências-chave, são um
dos principais conceitos
apresentados por estes
autores num artigo na
Harvard Business Review,
publicado na década de 90,
com o título “The Core
Competence of the
Corporation”. Segundo estes
autores, as “Core
Competences”,
competências-chave,
consistem num conjunto único
de habilidades que incluí
uma componente tecnológica e
uma componente de
aprendizagem. Essa
combinação entre tecnologia
e aprendizagem, deve estar
presente em todas as
unidades de negócio. É algo
que traz inerente um valor
agregado bastante complexo
exclusivo e particular da
empresa.
A arquitetura estratégica
È outro dos conceitos
avançados por Prahalad e
Hamel no artigo publicado na
Harvard Business Review,
“The core competence of the
corporation”. A arquitetura
estratégica, é definida como
o mapa de orientação futura
que identifica quais as
competências chave que devem
ser construídas e as
tecnologias que as suportam.
Segundo os autores, a
fragmentação das
competências chave, torna-se
inevitável quando os
sistemas de informação, as
formas de comunicação, as
trajetórias das carreiras e
os processos de
desenvolvimento da
estratégia, não atravessam
horizontalmente toda a
organização. Por este
motivo, Prahalad e Hamel,
acreditam que a gestão de
topo deverá dedicar uma
parte do seu tempo a
desenvolver a arquitetura
estratégica da empresa, que
estabelece os objetivos para
a construção das
competências.
A arquitetura estratégica
guia o processo de aquisição
de competências, por isso
deverá permitir uma
distribuição eficiente dos
recursos existentes entre as
diferentes prioridades da
organização, o que ajuda,
por um lado a dar uma imagem
das principais decisões a
serem tomadas pela gestão de
topo e, por outro lado,
ajuda a gestão operacional a
compreender a localização
das prioridades e a
necessidade de as manter
consistentes. Deste modo, a
arquitetura estratégia força
a organização a identificar
e a submeter-se a técnicas e
a linguagens de produção que
atravessem todas as unidades
de negócios. O que permite,
em última análise, o
desenvolvimento de uma
cultura empresarial e de
capacidades assentes no
trabalho de equipe, partilha
de recursos e na proteção de
conhecimentos e técnicas
próprias. Esta é a razão
pela qual uma arquitetura
específica não pode ser
copiada facilmente pela
concorrência: ela revela a
direção da empresa sem
revelar no entanto nenhum
dos passos.
A arquitetura estratégica
tem o seu ponto fulcral na
intenção estratégica, na
medida em que a arquitetura
pode apontar o caminho paro
o futuro, mas só a intenção
estratégica dá a noção de
destino, direção e
descoberta. São estes
atributos que envolvem os
funcionários
transmitindo-lhes novos
horizontes a explorar e
novos territórios
competitivos. Em suma a
intenção estratégica precisa
de ser personalizada em cada
funcionário para que estes
saibam exatamente de que
forma a sua contribuição é
essencial. A intenção
estratégica tem, portanto,
uma fronteira emocional: é
um objetivo que os
funcionários interiorizam
como válido.
Miguel Cristovão
é Pós-Graduado em Gestão de
Marketing e Mestrado em
Estratégia e Desenvolvimento
Empresarial. Experiência de
quase 20 anos nas áreas de
Marketing e Vendas, com
funções em empresas como 3M
, Tudor, ABB-Adtranz e Sixt.
Atualmente na Samsung
Portugal, Mobile Divison,
com a Gestão de Grandes
Contas. Membro ainda da APPM
- Associação Portuguesa dos
Profissionais de Marketing,
do Clube da Negociação e
palestrante convidado de
Seminários do IIR -
Instituto for International
Research.

