Lição do Carvão
Por Antomar Marins e Silva
22/02/2009
O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no
assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer
alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma
conversa. Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado. Antes
que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito isso comigo.
Desejo tudo de ruim para ele. Quero matar esse cara!
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o
filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito isso!
Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um
saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o
acompanhou, calado.
Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma
pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no
varal é o seu amigo Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento
seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na
camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O
varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o
alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai, que
espiava tudo de longe, aproxima-se do menino e lhe pergunta:
- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de
carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela
brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa. O filho
acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho
onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar seus
dentes e os olhinhos.
O pai, então, lhe diz ternamente :
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para
você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por
mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a
borra, os resíduos, a fuligem fica sempre em nós mesmos.
Moral da história:
* Cuidado com seus pensamentos; eles se transformam em palavras.
* Cuidado com suas palavras; elas se transformam em ações.
* Cuidados com suas ações; elas se transformam em hábitos.
* Cuidado com seus hábitos; eles moldam o seu caráter.
* Cuidado com seu caráter; ele controla o seu destino.
Antomar Marins e Silva é Escritor e Consultor de melhoria de resultados
de negócios das organizações e especialista em gestão estratégica,
professor e facilitadores de treinamentos para os níveis tático e
estratégico das empresas. Autor dos livros Sonhar é para Estrategistas;
Gestão Estratégica de Negócios: Pensamentos e Reflexões; Qualidade: O
Desafio da Secretária; Desperdício: Como Eliminá-lo Através dos 5S´s,
Lições Aprendidas; Empreendedorismo Empresarial; Motivação e Artigus,
além de mais 500 artigos técnicos publicados no Brasil e no exterior.
Detentor de inúmeros prêmios profissionais, além de honrarias nacionais
e internacionais. email: antomar.marins@gmail.com