Lições da Carreira de Sucesso de Steve Jobs
Por Ari Lima
02/10/2009

Durante uma palestra proferida aos formandos da universidade de Stanford (EUA), em 12 de junho de 2005, Steve Jobs, fundador e presidente executivo da Apple, uma das maiores companhias de tecnologia do mundo, deu um depoimento emocionante sobre sua vida e trajetória profissional. Nesta palestra, Steve Jobs nos dá um exemplo e uma lição de vida, que além de comovente, pode servir a toda uma geração de jovens cujo futuro profissional depende de sua capacidade de conviver com adversidades, entender as sutilezas da vida e de saber tomar decisões em momentos críticos.
(PALESTRA STEVE JOBS 1a. Parte)

Em seu depoimento, Jobs conta três histórias que nos fazem refletir e nos dá lições valiosas. Estes depoimentos refletem sua história. A partir de um começo de privações seguido de uma trajetória meteórica rumo ao sucesso, e permeada por uma demissão intempestiva, um fracasso humilhante perante o mercado, a volta por cima, e todas as lições aprendidas nesta aventura. Neste meio tempo, o susto com a descoberta de uma doença grave consolidou ainda mais sua personalidade de superação. Vamos conhecer suas histórias.
Do fracasso ao sucesso em menos de 10 anos

De origem humilde, Jobs matriculou-se em uma universidade particular, mas teve de abandonar o curso por falta de recursos da família. Apesar disto, manteve-se ligado ao “campus” dormindo nos quartos dos colegas, para que pudesse continuar assistindo a algumas aulas de seu interesse. Uma destas disciplinas, a de caligrafia, conhecimento que buscou por intuição, viria a ter mais tarde, um papel fundamental, quando estava desenvolvendo a tipografia do primeiro computador pessoal. Isto nos ensina que é necessário acreditar em nossa intuição, e que “é preciso saber ligar os pontos, para aprender lições”, ou seja, precisamos analisar o passado e saber ligar os fatos ocorridos (no caso o estudo de caligrafia e serigrafia) ao sucesso no futuro (o desenvolvimento do primeiro computador pessoal).
Com a criação da Apple, na garagem de sua casa, juntamente com seu colega e sócio Steve Wosniack, veio o desenvolvimento do primeiro computador pessoal que revolucionou o mercado de informática nos anos 80. Em dez anos a empresa transformou-se num gigante do setor, avaliada, à época, em 2 bilhões de dólares. A Apple foi a criadora do primeiro computador pessoal que popularizou a interface gráfica – o Macintosh – na época um desenvolvimento revolucionário. Recentemente ela voltou a revolucionar o mercado com o lançamento do iPod. Na época, o Windows, programa dominante do mercado mundial de informática atualmente, criado pela Microsoft de Bill Gates, foi na verdade uma cópia do software do Macintosh.
Macintosh

Do sucesso ao fracasso em pouco tempo

No auge do sucesso e da fama, a Apple abriu o capital e expandiu-se vertiginosamente no marcado. Steve Jobs contratou John Sculley, então presidente da Pepsi – Cola, para ser o presidente executivo da Apple. Em 1985 houve uma série de divergências entre Jobs e Sculley e, apesar de Jobs ser o maior acionista e principal executivo da empresa, o conselho de acionistas da companhia apoiou Sculley e demitiu Jobs.

(PALESTRA STEVE JOBS 2a. Parte)

Neste episódio, Jobs, ao pensar que era insubstituível, entrou em rota de colisão não apenas com Sculley, mas também com os acionistas da companhia. Por isto, talvez tenha sido o responsável pela sua própria demissão em função da vaidade e da arrogância, por se considerar um “gênio da informática”.
A saída de Steve Jobs da Apple causou muita especulação no mercado e, de certa forma, foi uma humilhação pública para aquele que era o fundador e peça central da empresa. Após estes acontecimentos a empresa entrou numa fase de declínio, tendo sido obrigada a promover demissões e enfrentar prejuízos e perda de mercado.

Uma lição desta fase: Não existe sucesso que dure para sempre, e o sucesso do passado não garante o sucesso no futuro.
A volta por cima
Apesar da humilhação e de se sentir deprimido pelos acontecimentos, Jobs descobriu um fator que mudaria sua trajetória naquele momento de fracasso. Percebeu que trabalhar com computadores era sua paixão, e isto lhe deu forças para recomeçar do zero, utilizando todo o seu potencial e criatividade.
Neste período fundou as empresas Next e Pixar. Pixar criou o primeiro longa-metragem de desenho animado por computador, o Toy Story, e hoje é o mais bem sucedido estúdio de animação do mundo. Posteriormente, em uma notável evolução da situação, a Apple comprou a Next, e ele voltou à direção da Apple. A tecnologia desenvolvida na Next está no coração do atual renascimento da Apple com o lançamento do iPod.
A lição que fica desta fase é que a paixão pelo que se faz pode ser um poderoso motivador, capaz de transformar fracasso em sucesso. Mesmo recomeçando de baixo, Steve Jobs conseguiu usar a paixão por computadores como combustível para inovar e viver sua fase mais criativa, revolucionando com sua tecnologia muitos aspectos do mercado, inclusive a indústria do entretenimento, como é o caso dos desenhos animados por computador.
A presença da morte como lição de vida
Steve Jobs conta durante a palestra que há alguns anos teve um diagnóstico de câncer, no qual os médicos detectaram um tumor maligno em seu pâncreas. Inicialmente os médicos lhe disseram que era quase certo que ele tinha um tipo de câncer incurável, e que não deveria esperar viver mais do que de três a seis meses. Disseram-lhe para “ir para casa, se despedir da família e colocar as coisas em ordem o mais rápido possível”, um prognostico que realmente pode abalar uma pessoa.

Mais tarde, após a biopsia, soube-se que este tipo especifico de câncer era uma forma muita rara, mas que poderia ser curado através de uma cirurgia. Ele se submeteu à cirurgia e agora está bem.
Neste ponto da palestra, ele faz um depoimento emocionante, refletindo sobre a lição aprendida. Segundo suas próprias palavras: “Nosso tempo é limitado, por isso não devemos desperdiçá-lo vivendo a vida de alguém. Não devemos ficar presos por dogmas, que é na verdade viver com as opiniões e forma de pensar de outras pessoas”. E continua: “Não deixe que o ruído da voz dos outros afoguem a sua própria voz interior. E o mais importante: é preciso ter a coragem de seguir o seu coração e sua intuição. Eles, de alguma maneira, já sabem o que você realmente deseja se tornar. Todo o resto é secundário”.
No final da palestra, ele cita uma frase estampada na contracapa de uma publicação da época, em que havia uma foto de uma estrada com aspectos de cidade de interior. A frase dizia: “Continue com fome, continue bobo”. Esta é uma metáfora que pode nos fazer refletir sobre nossas vidas. Talvez devêssemos sempre continuar com fome de aprender e de crescer em todos os sentidos, e para isto devemos nos sentir de alguma forma “bobos”. Pois, é a consciência de que não sabemos tudo e de que somos limitados, que nos motivará a continuar buscando o conhecimento.
Portanto, “Continuemos com fome, continuemos bobos”.

Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica, possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a clientes.