Capítulo 1 – Como foi
adquirida a liderança
A primeira análise em
relação aos desafios que
espera o Líder é saber de
que forma este cargo, ou
liderança, foi conquistado.
Alguns são conquistados por
merecimento, outros por
indicação de alguém. Existe
a liderança surgida dentro
do próprio grupo, e outras
vindas de fora. Há aquelas
conquistadas por uma
articulação do próprio
Líder, com métodos não
convencionais ou escusos,
assim como outras surgem
pela própria estrutura da
organização que prevê uma
ascensão por tempo de
serviço ou com outro
critério estipulado por
regras.
Em cada caso haverá um grau
de dificuldade, sendo que
dependendo como a equipe que
perceber a chegada do novo
Líder, poderá aceita-lo ou
não mais facilmente. Existem
casos em que o novo Líder
assume com grande prestígio
e todos sentem uma honra e
grande motivação em fazer
parte de sua equipe. Em
outros casos sua chegada é
recebida com desconfiança ou
até mesmo com reações
contrárias, o que promete
criar grandes problemas de
adaptação na função de
comando.
Uma das principais
qualidades esperada de um
Líder é o conhecimento
profundo da natureza humana,
para perceber e entender
qual é sua situação inicial
frente aos comandados. De
que forma está sendo
percebido e como será aceito
pelo grupo. Existe uma
excelente ferramenta
gerencial que pode ser
utilizada pelo novo líder
para conhecer a opinião da
equipe sobre ele mesmo, que
é a “janela de Johari”. Este
modelo foi criada por dois
psicólogos americanos,
Joseph Luft e Harrington
Ingham, há cerca de 50 anos,
que mostra a interação entre
nossa auto-percepção e a
maneira como os outros nos
vêem.
A Janela de Johari é
dividida em quatro
quadrantes, veremos a seguir
o que significa cada um
destas partes.
EU PÚBLICO - Este primeiro
quadrante, chamado de eu
aberto ou eu público, é
formado por sua auto
percepção e pela maneira
como os outros percebem
você.
EU FECHADO - Esta é nossa
área secreta, neste
quadrante estão incluídas as
informações e
características pessoais que
somente você conhece sobre
si mesmo. E só você mesmo é
quem pode decidir o que irá
revelar ou não aos outros.
EU CEGO - Esta é nossa área
cega. Aquela área de nossa
vida que desconhecemos em
relação ao que os outros
percebem de nós. Quando
temos um baixo nível de
relacionamento interpessoal,
a tendência é que as pessoas
não exponham o que pensam de
nós, e com isso ficamos sem
ter feedback.
EU DESCONHECIDO - O eu
desconhecido compreende o
campo de nosso inconsciente,
daquilo que tanto você
desconhece sobre si mesmo,
como também os outros
desconhecem sobre você.
É fundamental que os lideres
trabalhem melhor o
auto-conhecimento,
procurando ampliar a área do
eu público e diminuir as
áreas do eu cego, do eu
fechado e do eu
desconhecido. Procure está
atendo às reações e
comportamento das pessoas e
solicite sempre que possível
opiniões e feedback às
pessoas de sua confiança.
Assim como para conhecer a
natureza do líder é preciso
ser um membro da base
organizacional, também para
conhecer a natureza dos
membros da base
organizacional é preciso
pensar como um líder.
Maquiavel ilustra este ponto
com a seguinte observação: O
pintor que desenha uma
paisagem, de baixo observa o
contorno das montanhas e de
tudo o que está no alto,
enquanto do alto observa
tudo que está embaixo. Da
mesma forma, para conhecer
bem a natureza do povo, é
necessário ser príncipe,
para conhecer a natureza do
príncipe, é necessário
pertencer ao povo.
Em função da realidade que
encontrar no contexto de sua
área de comando, o Líder
terá maiores ou menores
problemas, e é fundamental
que possa percebê-los desde
o princípio, pois: “como
dizem os médicos sobre a
tuberculose, no início o mal
é fácil de curar e difícil
de diagnosticar. Mas, como o
passar do tempo, não tendo
sido nem reconhecida nem
medicada, torna-se fácil de
diagnosticar e difícil de
curar. O mesmo sucede nos
assuntos de estado.
Prevenindo-se os males que
nascem, o que só é permitido
a um sábio, estes são
curados rapidamente. Mas,
quando se permite que
cresçam, por não havê-los
previsto, todos os
reconhecem, porem não há
mais remédio.”
Dessa forma, deve um líder
estar atento às condições de
aceitação que encontrar em
sua equipe de trabalho e de
seus assessores mais
próximos, para poder desde o
inicio prever as situações
críticas e poder
administrá-las
adequadamente.
À medida que o líder
observar que sua condição
está sendo questionada, ou
porque nutrem temor de
mudanças indesejadas, ou
porque sentem a falta da
liderança anterior, ou
porque discordam do método
utilizado para a escolha do
novo comando, serão
necessárias ações rápidas. O
novo líder precisa
demonstrar o mais cedo
possível e de forma
inquestionável sua
competência e aptidão para o
cargo.
Concluímos dizendo que o
primeiro grande desafio de
um Líder é conhecer
profundamente o perfil
psicológico de seus
comandados, bem como o grau
de aceitação que tem em
relação aos mesmos, para
poder saber o real poder de
influencia e comando que
goza junto a esta equipe.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.