Capítulo 5 – Os tipos de
equipes de trabalho e os
colaboradores mercenários
Saber escolher um grupo de
colaboradores fiéis, com
comportamentos adequados e
alinhados com os objetivos
maiores da organização é um
dos principais desafios do
líder. Existem as equipes
próprias, as terceirizadas
(mercenárias) e as
auxiliares (emprestadas de
outros setores), além disto,
dentro destas equipes
existem comportamentos
adequados e outros que são
prejudiciais à organização.
É necessário que o líder
saiba construir boas
fundações em sua gestão para
poder cumprir adequadamente
suas metas, por isto, montar
uma boa equipe de trabalho
passa a ser estratégico para
consolidar sua liderança.
Em muitas empresas,
utiliza-se freqüentemente a
contratação de funcionários
terceirizados, que
poderíamos chamar de
mercenários. São
profissionais que podem ser
úteis em determinados
contextos, no entanto, para
assuntos essenciais da
organização, eles são
absolutamente inúteis e
perigosos, pois não estão
comprometidos com os
objetivos maiores da
empresa. Nas palavras de
Maquiavel, ao falar sobre os
exércitos mercenários, ele
afirma: “Querem muito ser
teus soldados, enquanto tu
não estás em guerra, mas, ao
chegar à guerra, ou fogem ou
se demitem”.
Na década de noventa, foi
muito utilizada uma forma de
reorganização empresarial
denominada de
“reengenharia”, que tinha
como uma de suas principais
conseqüências a demissão em
massa de funcionários, ou
seja, dispensa de “equipes
próprias”, e recontratação
de parte deste efetivo, na
forma de terceirização,
“equipes mercenárias”. O
resultado, como se sabe, em
grande parte dos casos, foi
a ocorrência de diversos
problemas neste tipo de
mudança organizacional.
É fácil entendermos por que:
as equipes terceirizadas, ou
mercenárias, como estamos
denominando neste texto, são
formadas por profissionais
pouco comprometidos com os
objetivos da empresa. Não
têm compromisso de
fidelidade, não são
treinadas adequadamente, não
“vestem a camisa” da equipe,
não têm um sentido de
hierarquia e de respeito à
autoridade.
Quando o líder baseia a
busca de resultados em
equipes mercenárias, nunca
está seguro, porque estas
não possuem o mesmo
comprometimento que as
equipes próprias.
Normalmente são desunidas e
estão basicamente sendo
motivadas pelas vantagens
financeiras. Apóiam o líder
nos momentos tranqüilos em
que não é exigido nenhum
sacrifício, mas quando
chegam os tempos difíceis
não se pode confiar nelas.
Segundo Maquiavel, “com as
milícias mercenárias, as
conquistas são lentas,
tardias e frágeis, e as
perdas são rápidas e
espantosas”.
Portanto, um líder sábio
sempre foge destas equipes
mercenárias e utiliza as
suas próprias. Como lembra
Maquiavel, este líder
“Prefere perder com as suas
a vencer com as dos outros,
por julgar que não é
verdadeira a vitória que se
conquista com armas
alheias”.
No entanto, nas organizações
é muito comum a utilização
de mão de obra terceirizada,
inclusive para assuntos
fundamentais. O objetivo
passa a ser a redução de
custo, mas o resultado é
justamente o contrário do
esperado. Diminuem-se
despesas com a mão de obra,
em curto prazo, mas, a médio
e longo prazo, ocorre a
queda da produtividade e o
aumento de despesas em
função de outros fatores
como baixa qualidade de
produtos e de serviços
prestados.
Neste ponto, entra o segredo
do grande líder. Ele precisa
ser estimado, e para ser
estimado terá de ser senhor
absoluto de sua própria
equipe. Por isto, deve se
apoiar em seu próprio
pessoal. Abrindo mão de
contar com funcionários
terceirizados, baratos, mas
pouco produtivos, o líder
eficaz prefere ter trabalho
para escolher cuidadosamente
cada membro de sua equipe,
treiná-los adequadamente, e
assim conquistar melhor
produtividade, lealdade e
comprometimento. Nas
palavras de Maquiavel, “a
pouca prudência leva os
homens a provar uma coisa
que, por ter sabor bom, não
percebem o veneno que há por
baixo”.
Fazendo uma analogia com o
esporte, podemos comparar os
soldados mercenários com os
jogadores que entram em um
time buscando apenas o ganho
financeiro e a fama pessoal,
sem se envolver com a equipe
e com a torcida. Esses
jogadores normalmente não
estão comprometidos com os
objetivos do grupo, mas
apenas visam à projeção
pessoal e ao ganho
financeiro. É o contrário do
atleta que trabalha para o
grupo, que busca conquistar
o campeonato e agradar a
torcida.
Mesmo em relação às equipes
próprias, o líder precisa
saber identificar algumas
características de seus
liderados para evitar que
comportamentos inadequados
possam prejudicar o clima
organizacional. A seguir
vamos descrever alguns tipos
de características
prejudiciais às organizações
e sugerir soluções e formas
de lidar com elas.
Tipo insatisfeito - É um
comportamento encontrado em
ambos os sexos, sendo mais
freqüente nas mulheres. São
pessoas que costumam
reclamar excessivamente,
gostam de apontar falhas nos
outros e culpam a todos,
chefes e colegas de
trabalho, pelas falhas,
nunca admitindo seus
próprios erros. São pessoas
que têm problema para
aceitar hierarquia e
autoridade, fazendo muitas
intrigas. São emocionais,
fazem-se de vitimas, são
excessivamente críticas e
têm dificuldade de
relacionamento interpessoal
e trabalho em equipe.
Tipo controlador – Este
comportamento é mais
freqüente em homens. São
pessoas excessivamente
organizadas, presas a
detalhes e perfeccionistas.
Nas empresas, são
profissionais eficientes,
porém, não são eficazes,
pois gastam esforço e tempo
realizando com "perfeição"
tarefas que nem precisariam
estar sendo realizadas. Têm
dificuldade de
relacionamento, de liderança
e de trabalho em equipe,
além de dificuldade para
delegar tarefas.
Tipo manipulador –
Comportamento comum a ambos
os sexos, normalmente são
pessoas inteligentes,
sedutoras e comunicativas.
Utilizam estas habilidades
para envolver as pessoas e
atingir seus objetivos
pessoais, valendo qualquer
coisa para realizar seus
propósitos. Costumam
conquistar posição de
chefia; são tipos muito
perigosos para as
organizações em virtude de
terem grande poder de
persuasão e influência. No
entanto, são pessoas
egoístas e seus objetivos
nem sempre estão de acordo
com os da organização, neste
caso, não têm o menor
constrangimento em
prejudicar a empresa e os
colegas, se isto servir a
seus propósitos.
Tipo paranóico -
Comportamento comum tanto em
homens como em mulheres. São
pessoas com manias de
perseguição, megalomaníacas
e que provocam intrigas e
confusão. Têm dificuldades
sociais e de relacionamento.
Suas histórias normalmente
são bem construídas e
elaboradas, por isto as
pessoas desavisadas
acreditam facilmente em suas
invenções.
Estas pessoas têm grande
disposição para gerar
conflitos, por isto seu
comportamento normalmente
cria desunião e desmotivação
nos setores em que
trabalham. Acreditam de fato
que todos os perseguem,
conseqüentemente, é
praticamente impossível
manter a harmonia com elas.
Tipo Instável - Tanto homens
quanto mulheres são
passíveis de apresentar este
comportamento. São pessoas
que mudam de maneira
freqüente e radical seus
estados de espíritos.
Oscilam entre a euforia e a
depressão sem motivo
aparente ou relevante. Suas
instabilidades geram
desconforto para todos que
convivem com estes
profissionais na
organização. Apresentam
produtividade variável em
função do estado psicológico
em que se encontram,
inclusive têm
relacionamentos bastante
instáveis.
Tipo excêntrico -
Características que incidem
tanto em homens quanto nas
mulheres. São pessoas com
comportamento estranho,
anti-social, demonstrando
atitudes esquisitas e são
introspectivos. Costumam
imaginar coisas. Dentro das
organizações elas têm
dificuldade de socialização
e adaptação, e por isto não
trabalham bem em equipe, nem
têm condições de assumir
responsabilidade de chefia.
Seu comportamento excêntrico
e, às vezes, até bizarro,
acaba por torná-las pessoas
diferentes, isolando-as dos
demais membros da equipe.
Para lidar com estes
funcionários problemáticos é
necessário que o líder
compreenda que dificilmente
poderá mudar estas pessoas,
portanto é necessário
identificar estes
profissionais problemáticos
e fazer uma avaliação do
nível de desajuste em seus
comportamentos.
Deve-se pensar na
possibilidade de manter
estes profissionais dentro
das empresas, apenas se o
nível de comprometimento for
aceitável, e, mesmo assim, é
preciso atenção,
acompanhamento e até
tratamento se necessário.
É preciso ter consciência de
que todos estes funcionários
são extremamente trabalhosos
para as organizações e uma
das conseqüências destes
comportamentos é a
ocorrência constante de
conflitos e intrigas. O
líder não pode fazer "vista
grossa" para esta situação,
pelo contrário, deve
administrar estes conflitos.
Assim, evitará perder
produtividade e talentos,
porque muitos profissionais
competentes não conseguirão
conviver com eles e buscarão
sair da organização em
função dos conflitos e
intrigas causados pelos
funcionários problemáticos.
Portanto, sugerimos que o
líder trate a questão dos
tipos de equipes de
trabalho, bem como dos
comportamentos inadequados
como um assunto estratégico
a ser resolvido. É possível
buscar diversos tipos de
soluções, seja adequando
estas pessoas às funções
mais compatíveis com seus
comportamentos, seja
sugerindo encaminhamento
para um possível tratamento,
ou desligando estas pessoas
da corporação. A única
atitude que não é
aconselhável é a manutenção
destes profissionais dentro
das organizações, permitindo
que criem conflitos e
prejudiquem os objetivos da
empresa.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

