Capítulo 6 – Como Deve
Proceder um Líder Frente aos
Seus Comandados
Uma das principais funções
de um líder é promover e
manter a motivação e o
entusiasmo de suas tropas,
frente aos desafios
organizacionais que surgem
constantemente na empresa.
Espera-se de um líder ânimo
e atitude física e mental
positiva, para manter alto o
moral de sua equipe de
trabalho. Para isto, é
preciso acostumar o corpo e
a mente aos sacrifícios que
o cargo exige. A postura do
líder no exercício de seu
cargo se traduzirá
diretamente no comportamento
de seus liderados. Deve se
manter sempre orientado à
competição empresarial,
buscando atingir objetivos
cada vez mais ambiciosos, e
com isto, forçar seu grupo a
um crescimento profissional
continuo.
Nas palavras de Maquiavel:
”Deve, pois, um príncipe não
ter outro objetivo nem outro
pensamento, nem tomar
qualquer outra coisa por
fazer, senão a guerra e sua
organização e disciplina,
pois que é essa a única arte
que compete a quem comanda”.
Segundo Maquiavel, a
primeira razão para a perda
do comando é negligenciar a
arte do combate e da
competição.
Deve o líder conhecer o
comportamento de sua equipe,
pois aquele que desconhece
as atitudes de seus
comandados sofre por não ser
estimado e nem poder confiar
neles. Mas também precisa o
líder conhecer o ambiente
competitivo, os principais
concorrentes, seus
movimentos, sua intenções e
assim, passar confiança aos
liderados sobre suas
decisões.
Vejamos o que Maquiavel tem
a dizer sobre a importância
de o Príncipe conhecer a
arte da guerra e o
território onde serão
travadas as batalhas, que
serve de analogia para a
necessidade de conhecimento
pelo Líder do ambiente
competitivo e a batalha
entre as empresas, para
conquistarem territórios na
competição de mercado:
“Deve o príncipe,
portanto, não desviar um
momento sequer
o seu pensamento do exercício da guerra, o que pode fazer
por dois modos: um com a ação, o outro com a mente.
Quanto à ação, além de manter bem organizadas e exercitadas
as suas tropas, deve estar sempre em caçadas para acostumar
o corpo às fadigas e, em parte, para conhecer a natureza dos
lugares e saber como surgem os montes, como embocam os vales, como
se estendem as planícies, e a aprender a natureza dos rios e dos pântanos,
pondo muita atenção em tudo isto. Esses conhecimentos são úteis por
uas razões: primeiro, aprende-se a conhecer o país e pode-se melhor
identificar as defesas que ele oferece; depois em decorrência
do conhecimento e prática daqueles sítios, com facilidade
poderá entender qualquer outra região que venha a ter de
observar, eis que as
colinas, os vales, as
planícies, os rios e os
pântanos que existem, por
exemplo, na Toscana, têm
certa semelhança
com os das outras
províncias, de forma que, do
conhecimento do terreno
de uma província, se pode
passar facilmente ao de
outras. O príncipe
que seja falto dessa
perícia, está desprovido do
elemento principal de
que necessita um capitão,
pois ela ensina a encontrar
o inimigo,
estabelecer os acampamentos,
conduzir os exércitos,
ordenar as
jornadas, fazer incursões
pelas terras com vantagem
sobre o inimigo.”
Esta prática é o equivalente
coorporativo ao que fazia
Rai Kroc, fundador e
presidente do McDonald’s,
que visitava anônimamente
lanchonetes nos EUA,
observando as qualidades e
defeitos em suas unidades e
comparando-as às da
concorrência, para então
tomar decisões e efetuar
mudanças para melhorias
contínuas. Lideres
coorporativos de sucesso
fazem o mesmo, saem de seus
escritórios e vão
pessoalmente conhecer o
ambiente competitivo para
tomar decisões baseadas em
fatos concretos e não em
suposições.
Maquiavel segue com seus
conselhos sobre este
assunto, vejamos um exemplo:
“Filopémenes, príncipe
dos Aqueus, dentre os
louvores que lhe foram
endereçados pelos
escritores, mereceu também
aquele de que, nos tempos
de paz, em outra coisa não
pensava senão em torno de
guerra e, quando
excursionando pelos campos
com os amigos,
freqüentemente parava e com
eles argumentava: - Se os
inimigos estivessem sobre
aquela colina e
nós nos encontrássemos aqui
com nosso exército, qual de
nós teria
vantagem? Como se poderia
atacá-los, mantendo a
formação da tropa? Se
quiséssemos nos retirar,
como deveríamos proceder? Se
eles se
retirassem, como faríamos
para persegui-los? - E
propunha-lhes,
andando, todos os casos que
possam ocorrer em um
exército; ouvia a
opinião dos mesmos, dava a
sua corroborando-a com
argumentos, de
maneira tal que, em razão
dessas contínuas cogitações,
jamais poderia,
comandando os exércitos,
encontrar pela frente algum
imprevisto para o
qual não tivesse solução.”
Esta mesma prática deve ser
adotada pelos líderes dentro
de suas organizações,
estimulando sua equipe a
pensar sobre formas
alternativas de enfrentar a
concorrência. Com esta
prática, podem surgir novas
idéias competitivas, além de
manter os comandados em
constante estado de alerta e
focados na relação com os
concorrentes.
Maquiavel sugere também que
o líder deve exercitar a
mente para as batalhas que
virão da seguinte forma:
“Mas, quanto ao exercício
da mente, deve o príncipe
ler as histórias e
nelas observar as ações dos
grandes homens, ver como se
conduziram nas
guerras, examinar as causas
de suas vitórias e de suas
derrotas, para
poder fugir às responsáveis
por estas e imitar as
causadoras daquelas;
deve fazer, sobretudo, como,
em tempos idos, fizeram
alguns grandes
homens que imitaram todo
aquele que antes deles foi
louvado e
glorificado, e sempre
tiveram em si os gestos e as
ações do mesmo,
como se diz que Alexandre
Magno imitava a Aquiles,
César a Alexandre,
Cipião a Ciro. Quem lê a
vida de Ciro escrita por
Xenofonte percebe,
depois, na vida de Cipião, o
quanto lhe valeu para a
glória aquela
imitação, bem como o quanto
na castidade, afabilidade,
humanidade e
liberalidade, Cipião se
assemelhava aquilo que
Xenofonte escreveu de
Ciro. Um príncipe
inteligente deve observar
essa semelhança de
proceder, nunca ficando
ocioso nos tempos de paz,
mas sim, com
habilidade, procurar formar
cabedal para poder
utilizá-lo na
adversidade, a fim de que,
quando mudar a fortuna, se
encontre
preparado para resistir”.
Sábias as palavras de
Maquiavel, ao sugerir que se
estude as ações dos grandes
homens para tirar delas
ensinamento e transportá-los
para sua realidade. No livro
“A estratégia do Oceano
azul”, escrito pelo
sul-coreano Cham Kim e a
professora francesa Renée
Mauborgne (Ed. Campus/Elsevier),
que está sendo um sucesso
editorial em nível mundial,
os autores estudaram os
principais movimentos
competitivos dos últimos cem
anos, bem como as ações
realizadas pelos executivos
destas empresas, e com isto
conseguiram formular uma
metodologia revolucionária
que chamaram de “a
estratégia do oceano azul”.
Nela, mostram como uma
empresa pode fazer para se
sobressair em relação a
outras numa competição
empresarial.
Portanto, podemos concluir
reafirmando que todo líder
deve ter um conjunto de
atitudes para conquistar a
estima de seus comandados e
manter a si mesmo motivado
frente às batalhas e
desafios do cargo. Para
isto, precisa manter tanto a
mente como o corpo em
constante estado de
treinamento e exercícios
para estar à altura dos
desafios quando estes
chegarem.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.