Capítulo 8 – A Generosidade e a
Parcimônia
Uma das qualidades que mais
facilmente pode provocar a
ruína de um líder é a
generosidade, visto que
quanto mais ela é praticada
no presente, menos condições
se tem de praticá-la no
futuro. Ao mesmo tempo, a
parcimônia se torna uma
importante qualidade no
contexto da liderança, pois
mantém as condições
gerenciais do líder. O líder
liberal, que distribui
favores e generosidades aos
seus comandados, acaba por
esgotar rapidamente seus
recursos, e quando é
obrigado a negar favores,
ganha a fama de miserável.
Já o líder austero e
parcimonioso, pode realizar
grandes ações em sua gestão
e acabar ganhando a fama de
competente, mesmo tendo de
desagradar a alguns.
Como bem diz Maquiavel:
“Portanto, um príncipe
deve gastar pouco para não
precisar roubar seus
súditos, para poder
defender-se, para não ficar
pobre e desprezado,
para não ser forçado a
tornar-se rapace, não se
importando de incorrer
na fama de miserável, porque
esse é um daqueles defeitos
que o fazem
reinar”.
Em geral, dentro das
organizações, o líder é
bastante assediado com as
mais diversas propostas por
parte de seus liderados e de
outros colaboradores, com o
objetivo de sugar-lhe
recursos, ou fazê-lo assumir
compromissos que poderão
comprometer suas condições
gerenciais. O líder generoso
tem dificuldade de dizer
não, e acaba cedendo mais do
que deveria, abrindo
precedente para que outros
liderados também possam
utilizar sua generosidade
para conseguir favores.
Esta situação gera um ciclo
vicioso, e a tendência é que
este líder chegue a um ponto
em que se veja
impossibilitado de conceder,
em função do esgotamento de
seus recursos,.não apenas os
favores inapropriados, como
também aqueles que deveria
atender normalmente, A
partir deste ponto começa um
processo de falência de suas
condições gerenciais, e
nasce a sua fama de
miserável.
Nas palavras de Maquiavel:
“E não há coisa que tanto
se destrua a si mesma como a
liberalidade, pois,
enquanto tu a usas, perdes a
faculdade de utilizá-la,
tornando-te
pobre e desprezado ou, para
fugir à pobreza, rapace e
odioso. Dentre
todas as coisas de que um
príncipe se deve guardar
está o ser
desprezado e odiado, e a
liberalidade te conduz a uma
e a outra dessas
coisas. Portanto, é mais
sabedoria ter a fama de
miserável, que dá
origem a uma infâmia sem
ódio, do que, por querer o
conceito de
liberal, ver-se na
necessidade de incorrer no
julgamento de rapace,
que cria uma má fama com
ódio”.
Tanto na gestão pública
quanto na privada, os
melhores administradores são
aqueles que mantém suas
contas em dia, pagam seus
fornecedores e funcionários
pontualmente, e mantém o
equilíbrio financeiro. Estes
lideres normalmente são
conhecidos pela sua
austeridade e
parcimoniosidade.
Também em outros aspectos do
funcionamento organizacional
a liberalidade se contrapõe
a austeridade. Líderes
parcimoniosos não permitem
comportamentos inadequados,
disputas entre funcionários,
desrespeito a horários e
outras liberalidades. Já os
lideres generosos são por
demais flexíveis, aceitando
pequenos desvios que, com o
tempo, vão se avolumando e
acabam por tornar sua gestão
caótica e desrespeitada por
parte dos liderados.
A generosidade e
liberalidade geram simpatias
em curto prazo e fama de
miserável a médio e longo
prazo, e, em conseqüência,
desgastes e perda de
liderança num processo
irreversível. O contrário
ocorre com a austeridade,
que pode gerar uma certa
antipatia por parte dos
liderados num primeiro
momento, mas, no entanto, a
médio e longo prazo trazem a
fama de competência.
Portanto, dadas todas estas
argumentações, sugerimos que
os lideres não temam
incorrer na fama de austeros
ao manter um comportamento
parcimonioso junto a seus
liderados, e mesmo ser
taxado de pouco generoso.
Certamente, com o tempo,
irão sobressair os
resultados de sua
austeridade e estes
resultados irão trazer-lhes
a fama de lideres
competentes.
Ari Lima é
empresário, engenheiro,
consultor em marketing
pessoal e gestão de
carreiras e especialista em
marketing e vendas.
Desenvolve treinamento em
marketing pessoal e
marketing jurídico para
profissionais liberais,
empresas, escritórios e
estudantes universitários.
Ministra cursos, seminários
e palestras realçando o lado
prático e funcional do
marketing e escreve artigos
diariamente para diversos
sites e revistas. Além de
uma sólida formação teórica,
possui 25 anos de
experiência prática em
gerenciamento e treinamento
de vendedores e de gerentes
de vendas, bem como
atendimento a clientes.

