A Logística e a Gestão de Negócios
Por Leonardo Hoff dos Santos
01/10/2004
Nota-se, cada vez mais, que a logística vem causando uma verdadeira revolução
nos negócios e atividades nos mais variados portes e segmentos empresariais.
A logística vem influenciando não somente os projetos de concepção de produtos e
de seleção de mercados-alvo como, também, vem criando novas relações de
parceria, de alianças estratégicas, de seleção de fornecedores e de muitos
outros processos vitais à dinâmica do negócio e, sobretudo, à sua eficiência e
capacidade de rápida resposta.
Pressupõe-se que os processos logísticos devem corresponder às necessidades de
movimentar informações, produtos e matérias de forma mais rápida, confiável e
segura, contornando-se problemas de distâncias, de circulação etc, claro que
sempre embasando-se nos conceitos de racionalidade, tanto operacional quanto
econômica.
Mas a logística é uma das atividades mais críticas na determinação de custos e
de vantagens competitivas, demandando um correto balanceamento entre as
políticas de estoques, de materiais, de transporte, de distribuição, de
armazenagem e de serviço ao cliente.
Assim, a logística está posicionada para se tornar, junto com um sistema de
informações bem estruturado (inclusive utilizando-se tecnologias de intercâmbio
eletrônico de dados - EDI), a nova inteligência da empresa, permitindo coordenar
e integrar todos os processos ao longo da cadeia produtiva, ampliando em muito
as atividades e fronteiras de uma organização. Soma-se a isto as oportunidades
geradas por sua utilização para criar valor para cliente, diferenciação, etc.
Porém, essa nova inteligência exige, também, o desenvolvimento de novas
habilidades, sobretudo visando promover a coordenação e integração das funções
de comercialização, distribuição e manufatura em um único sistema estratégico e
que permita focalizar o cliente e dedicar especial atenção ao gerenciamento dos
processos.
Para isso, a empresa deve construir um mecanismo que indique o desempenho para
cada um dos processos que compõem a logística (suprimentos, manufatura,
atendimento ao cliente, comercialização/processamento de pedidos, transporte,
distribuição, armazenagem, etc), levando-se em conta todos os indicadores
envolvidos ou, ao menos, os considerados fundamentais, tendo-se como foco a
eficiência no uso de recursos e a eficácia de seus propósitos.
De posse dos indicadores (financeiros, de capital, produtividade, prazos, giros,
níveis de serviços, etc), pode-se tanto monitorar (para agir corretivamente)
quanto comparar o desempenho de suas atividades com os melhores do mercado,
processo conhecido como benchmarking.
Da mesma forma, atividades como movimentação, estocagem, espera, transferência e
manuseio - entre inúmeras outras que apenas agregam custos - precisam ser
eliminadas, o que deve ser buscado em nível global do negócio e não de maneira
isolada.
Como exemplos, pode-se (e em muitos casos, deve-se!) lançar mão do uso de
sistemas de informação (comunicação) práticos e eficientes, além da utilização
de embalagens-padrão que facilitem a estocagem, movimentação e abastecimento, da
padronização de procedimentos operacionais.
Como se vê, além de favorecer a competitividade, o que já mostra seu grande
valor por ser esta uma necessidade bastante real, a logística também permite uma
mais justa e correta alocação de recursos ao evitar desperdícios e
irracionalidades, algo que não tem mais espaço na sociedade atual, que já começa
a preocupar-se com estas questões.
Leonardo Hoff dos Santos é administrador especialista em Marketing pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - e pós-graduando em Controladoria de Gestão, atua como consultor em Gestão de Negócios e em Gestão Estratégica de Marketing pela Advantage Consultoria, da qual é diretor executivo. Também é um grande incentivador do empreendedorismo responsável. Fonte: Advantage.