Magia em Vendas
Por Dill Casella
13/05/2009
Há algumas semanas fui comprar algumas coisas pessoais num Shopping Center de
São Paulo. Sou do tipo “sei o que quero”, no entanto, adoro uma oferta e jamais
deixo de cavar uma negociação (quanta emoção!).
Na maioria dos estabelecimentos, logicamente, fica difícil exercitar o trio
descrito acima, principalmente porque a oferta declarada quase sempre inibe uma
boa negociação. Confesso que tento...
Fui a uma grande rede, cujas propostas principais são o auto atendimento, preço
e oferta em larga escala de produtos fabricados. Sabia da proposta da loja, mas
senti necessidade da informação. Precisava saber se tal produto (um simples
jeans) poderia ser encontrado em uma determinada cor e modelo.
Sofri a achar alguém...alguém que não estivesse correndo pela loja, alguém
disposto a ajudar, alguém que estivesse sorrindo, enfim, alguém que se
importasse comigo, com a contribuição do meu ticket para o faturamento do
estabelecimento. Achei a pessoa mas não comprei...Faltou o algo a mais...estava
num lugar “self service” e desejava uma venda comunicada...o calor do contato
humano e até da negociação foi impossível...
Comprar meu novo par de sapatos foi uma aventura. A loja que escolhi, com fartas
vitrines, amplo espaço de circulação, permissão para tocar e degustar os
produtos tinha tudo para dar certo. Meus sapatos tinham que ser pretos, aderirem
ao chão (solado de borracha), um toque de beleza e...tinham que ser número 44...
O vendedor exibiu um belo sorriso, mostrou extrema atenção e boa vontade! Voltou
atrás de uma imensa pilha de sapatos!! Os de número 44, todos marrons, exceto
um...os de solado de borracha eram 43. O único 44, preto, era de solado de couro
e eu não gostei do modelo....Então o vendedor passou a sorrir cada vez menos,
argumentando “novas tendências de moda”, sendo que todas as futuras tendências
eram compatíveis somente com os modelos que a loja me apresentou! Senti-me
completamente “démodé” e, apesar de ainda cliente, freqüentador de aeroportos,
eventos, reuniões, festas, etc., cheguei a imaginar que todos os meus amigos e
pessoas que conhecia também estavam fora de moda.
Recobrei a consciência e tive a absoluta certeza da intenção do profissional de
vendas de calçados. Estava comprometido somente com o resultado dele e não com a
sensação que eu teria ao chegar em casa...Sua intenção era das piores (para
mim)... Não comprei nenhum sapato...
Precisava comprar também um terno. Tenho alguns ternos do conhecido “Tropical”
(poliéster com viscose) que são resistentes, fáceis de passar e elegantes.
Finalmente encontrei o ambiente!! Eu e o vendedor falamos de composição de
tecidos, usos, verdadeiras tendências de moda, conforto, largura de riscas de
giz, cores...Falamos de crise mundial, de esporte, de roteiros de viagem...Fui
apresentado a um arsenal de opções de maneira extremamente imparcial e ao mesmo
tempo atenciosa e porque não dizer, consultiva. Mais que um cliente, senti-me à
vontade para dizer “sim, vou ficar com este” ou mesmo “não, obrigado. Vou dar
mais uma voltinha...”.
Comprei! Comprei três ternos! Consegui realizar meu emocionante exercício de
negociação e, de quebra, sabe o que levei? Um belo par de sapatos! Pretos, 44 e
de solado de borracha!!
Qual a magia desse último vendedor? Transparência, comprometimento com o
cliente, espírito consultivo, paixão por sua profissão, conexão com informações
globalizadas, vontade de estabelecer novos relacionamentos, arte no exercício de
suas atribuições e respeito.
Reze essa cartilha e conte-me depois sobre seus resultados!
Super abraço e boas vendas!
Dill
Casella (www.dill.com.br)
é Engenheiro Civil, pós graduado em Marketing, especialização em Desenvolvimento
Gerencial e Empreendedorismo pela FDC e Practitioner pela SBPNL. Com mais de 15
anos em cargos de liderança de empresas de primeira linha, realiza palestras em
vendas, atendimento ao cliente, liderança e motivação.
Também é compositor, músico, escritor e ator
amador.