Mais Próximos da Separação
Por Evaldo Costa
12/11/2009
Você costuma queixar-se sempre que algo dá errado? Mesmo tendo muita mais
para consumir do que a maioria dos habitantes do planeta, ainda assim, você
reclama da vida? Queixa é inerente ao ser humano. Parece que ao fazê-lo, nos
eximimos de culpa. A sensação que fica é que o desabafo alivia o nosso
sofrimento. Daí, muita gente ?vive como se fosse rio: segue o caminho torto
por ser o que oferece menos resistência?.
O que ocorre quando você perde um ente querido? Normalmente, sofremos com os
pensamentos sobre as nossas ações do passado ou ausência delas.
Choramingamos como se isso aliviasse a dor ou culpa. Valorizamos a amargura
e o sofrimento e esperamos que a vida tenha dó de nós. Ora, se todos buscam
a felicidade e sabemos que ?a cada dia que nasce, estamos mais próximos da
separação?, porque então não valorizar mais os momentos felizes. É incrível
como as pessoas têm grande facilidade de lembrar-se das cirurgias pelas
quais passou durante a vida e não consegue saber quantos sorrisos deu ontem.
Será que para viver melhor temos que ser irresponsáveis, abandonar o
trabalho ou sacrificar alguma área de nossa vida? Veja como a nossa mãe é
mais sábia: ela trabalha fora, em casa, cuida de si própria, dos filhos,
marido e toda a família. Se enquanto labuta, algo errado ocorre com um filho
no colégio, o que ela faz? Acertou se respondeu: abandona tudo e vai ao
encontro dele.
Tenho a impressão de que em boa parte da nossa vida, perdemos a noção do que
mais importa: a nossa felicidade! Dizemos que amamos quem vive ao nosso
lado, mas nem sempre lhe damos a justa atenção. É como se o amor e a vida
pudessem esperar; se a felicidade pudesse ficar na ?prateleira?, como se
mercadoria fosse, aguardando o melhor momento para ser consumida.
Infelizmente, as coisas não funcionam assim. Fazemos de conta que não
sabemos disso e depois ficamos pelos cantos em busca de consolo. Agimos como
se tivéssemos total controle de nossas vidas. Quando você está viajando e o
avião enfrenta alguns minutos de turbulência severa, o que você faz? Alguns
oram, outros tentam adormecer, muitos silenciam e por aí vai. Mas, a questão
é: você pode impedir que o avião caia? Claro que não, o único ser humano a
bordo que poderá evitar um acidente é o piloto. Adianta se preocupar?
Assim é a nossa vida. Achamos que estamos no comando, mas não estamos. Daí,
enquanto não entendemos que há um piloto no manche do nosso destino, não
abandonamos a angústia, não dominamos o medo, não deixamos de nos preocupar
exageradamente, cultivamos o sentimento de incerteza, de sofrimento e o que
é pior: não apreciamos a viagem como gostaríamos e deveríamos.
Evaldo Costa é Escritor, Consultor, Conferencista e Professor. Autor dos livros:
“Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três
Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”