Mapa Não é Território
Por Dill Casella
10/08/2008
Você vai a uma festa badaladíssima! Convidados que estão na mídia, Buffet de
primeira, local super conceituado, enfim, tudo muito pomposo...Você está
adorando tudo, vislumbrado!
Lá, encontra o Gilson que trabalha com você! Um não sabia que o outro havia sido
convidado! Vocês se abraçam, trocam algumas palavras, percepções sobre o evento,
sobre o figurino de algumas moças, o tempero dos canapés, a marca de whisky, a
lei seca e acabam sendo dispersados por uma conversa aqui e acolá com outras
pessoas. Distanciam-se...
No palco da festa, uma das mais conceituadas cantoras do cenário moderno,
esbanja todo seu talento e técnica em performance arrasadora! Na primeira mesa,
uma senhora muito bem maquiada, vestindo um autêntico Versace, balança sua
cabeça, negativamente, a cada nota suavemente emitida pelas preciosas cordas
vocais da cantora. O gesto da senhora passa a incomodar a cantora, trazendo
tensão e até influenciando sua doce interpretação...
Ao final do show, já no camarim, a cantora ainda intrigada com os motivos da
atitude daquela senhora, percebe alguém batendo á porta. Ao abri-la, leva enorme
susto ao reconhecer a responsável por sua indignação. A senhora, visivelmente
tomada pela emoção, balançando a cabeça negativamente, diz: “Eu nunca, nunca vi
ninguém cantar como você...”. Pois é, o “balançar negativo” tinha o sentido de
admiração, vislumbramento, encantamento, principalmente em não acreditar que tal
cantora pudesse atingir as notas mais impossíveis em sua performance...E a
percepção da cantora tinha sido exatamente o oposto...
Na manhã seguinte da big festa, na empresa, o João, que trabalha com você,
encosta na sua mesa e solta a seguinte frase: “Então, a festa de ontem foi um
fracasso...”. Indignado e ainda sob o efeito da magia do evento da noite
anterior, você questiona o que João acabara de falar. E ainda ouve:
“O Gilson, que me falou que você também estava lá, achou tudo horrível, de
péssimo gosto...”
Nas duas situações (a festa e a cantora), está explícito uma das maiores
experiências subjetivas da Programação Neurolinguistica, ou seja, de que “mapa
não é território”!! Os mapas do Gilson e o seu, o da senhora e o da cantora
apontavam realidades completamente diferentes...
Nossas percepções e perspectivas nos permitem fazer comparações entre
informações arquivadas e novas. Isso é o nosso mapa!! São meios metafóricos que
nos permitem entender e agir sobre a informação e os dados percebidos de fontes
exteriores!
O mapa pode representar o território somente se tiverem estruturas semelhantes.
A precipitação na interpretação de nossos mapas pode nos levar a conclusões
equivocadas e distorcidas...
Outro dia, ia a São Paulo com minha família pela Rodovia Fernão Dias e outro
veículo estava “desesperado” para nos ultrapassar. Ele estava dirigindo de
maneira agressiva, irresponsável e resolvi encostar para permitir sua
ultrapassagem. Não me contive e falei comigo mesmo: “Palhaço...”. Minha filha de
3 anos, no banco de trás, explodiu em alegria, buscando no outro veículo onde
estava o “palhaçinho do circo que havíamos visto na semana anterior”...
Mapa não é território mesmo!!
Dill Casella (www.dill.com.br) é Engenheiro Civil, pós graduado em Marketing, especialização em Desenvolvimento Gerencial e Empreendedorismo pela FDC e Practitioner pela SBPNL. Com mais de 15 anos em cargos de liderança de empresas de primeira linha, realiza palestras em vendas, atendimento ao cliente, liderança e motivação. Também é compositor, músico, escritor e ator amador.