O Marketing no Lugar que lhe cabe
Por Simone Balista
22/01/2010
A experiência de grandes empresas mostra que o relacionamento com clientes não é
item acessório, é crucial
Não importa qual a área do negócio, produto que venda ou serviço que forneça.
Todo empreendedor sabe que, num mundo cada vez mais competitivo, conquistar
clientes não é fácil. Mas mantê-los satisfeitos pode ser ainda mais difícil.
Qualidade, preço diferenciado e atendimento eficaz. Se você acha que isso é o
principal, saiba que são apenas requisitos mínimos para sobreviver. A essa
altura, você deve estar se perguntando: o que falta?
É este desafio que move os profissionais de marketing e vendas ou aqueles que
não atuam exatamente nesta área, mas reconhecem a importância do encantamento do
cliente para se destacar.
Gostaria de dividir aqui a visão de empresas de grande porte a respeito do
marketing de relacionamento, colhida em dez anos de experiência na consultoria a
elas. Qual o valor que dão para este investimento de tempo e dinheiro e que
ferramentas utilizam?
Parece que as empresas não têm dúvida de que é necessário começar pelo site,
“existir” na rede. Algumas se orgulham ao dar o endereço da companhia na
internet, considerando que a missão está cumprida aí. Outros sabem que, ao
contrário, este é apenas o começo, o cartão de visitas. Preocupam-se em manter
áreas exclusivas para o cliente acompanhar pedidos em tempo real, ter controle
de pagamentos e outras facilidades.
Um passo posterior é criar peças eletrônicas – e-mail marketing, newsletter,
boletins. Marcar presença na caixa de e-mails do cliente. Enquanto alguns se
dedicam à segmentação do mailing, conteúdos criativos, outros, novamente, só
cumprem tabela.
Participar de eventos, como feiras e congressos, e realizar uma festa de final
de ano para comemorar com os parceiros e entregar um brinde também parece
consenso. Mas quem avança e ganha pontos mesmo é quem se preocupa em customizar
os encontros, busca temas de interesse para realizar palestras que contribuam
com informação, não apenas champanhe e canapés.
Uma gigante do segmento de papel e celulose, que tive o prazer de conhecer,
discute práticas de responsabilidade social com os clientes, saindo da posição
cliente-fornecedor para trocar idéias de igual para igual. Já outra, do setor de
comunicações, realiza prêmio para reconhecer as melhores práticas entre os
clientes, colocando-se no patamar de quem oferece um objeto de desejo. Uma
terceira instituiu programa de relacionamento baseado em pontos, e relata a
satisfação de ter uma ferramenta de marketing que, finalmente, lhe permite
calcular o retorno de forma clara, baseada nas vendas.
Tem empresa em que o executivo principal gosta de cuidar dos relacionamentos
pessoalmente. Isso é bom, muito bom, mas quando complementado por sucesso em
todas as outras pontas. Como me relatou um profissional de marketing
recentemente: “de que adianta tudo parecer tinir dentro da empresa se o
caminhoneiro que faz a entrega aparece de chinelos, camiseta rasgada, atrasado,
e não olha na cara do cliente?”.
Item unânime entre as empresas é a pesquisa de satisfação dos clientes. Não
restam dúvidas de que a ferramenta pode mostrar o caminho das pedras. Outra
gigante me contou não mudar nada antes de ouvir os clientes por meio dela. A
terceirização do serviço mostra que a qualidade na condução da pesquisa tende a
ser elevada. É também o que traz credibilidade para atrelar os resultados da
pesquisa ao bônus dos funcionários, como fazem algumas companhias.
Chamou minha atenção a história de uma multinacional que se intitula
“consolidada”, que cortou a verba de marketing diante da crise e acha que basta
o “jornalzinho”, como a própria empresa definiu o meio de comunicação que mantém
com os clientes. Resta saber até quando conseguirá navegar neste mar de
tranqüilidade e, se uma tormenta chegar, se não estará longe demais da praia (do
cliente).
À parte os presunçosos, histórias de sucesso provam que o marketing é crucial
para a sustentação de uma organização. Construir e manter um bom relacionamento
potencializa ganhos. Serve como alicerce para o negócio navegar seguro, sob
menos risco de intempéries, mas também como alavanca, por movimentar mais e mais
negócios.
Não quero dizer que o marketing é absoluto e infalível, capaz de determinar o
fracasso ou sucesso de uma empresa. Mas colocá-lo no lugar que lhe cabe. Afinal,
em tempos de equiparação de serviços e produtos, a forma como uma empresa é
vista pode ser o único item de diferenciação.
Simone Balista é especialista em pesquisas quantitativas e qualitativas pela
ESPM e SBPM. MBA em marketing pela FGV e Graduada em comunicação social pela
Anhembi Morumbi. Certificada pela Persona Global (USA) em comunicação
interpessoal, alinhamento organizacional e desenvolvimento de lideranças.
Formação de consultores em desenvolvimento humano e líderes facilitadores pela
Adigo Consultores. Há mais de 13 anos atua em projetos de pesquisas adhoc que
envolvem Satisfação de Clientes, Clima Organizacional, Força de Vendas,
Potencial e Imagem de Mercado. Além da atuação como consultora em projetos.