A Melhor empresa....para falir
Por Antomar Marins e Silva
10/02/2009
Introdução
A o seu ver, qual seria a empresa perfeita; aquela que se manteria
perene no mercado? Não conseguiu, não é verdade? Isto acontece porque
não existem empresas perfeitas. Afinal, elas são formadas por pessoas
que também são imperfeitas. Entretanto existem inúmeras empresas cujos
donos, sócios ou herdeiros vivem “trabalhando contra” os negócios. Sobre
estas empresas é este artigo.
Destruindo o negócio
Por incrível que possa parecer, alguns donos, sócios e principalmente
herdeiros vivem matando diariamente a “galinha dos ovos de ouro”. É
sempre bom lembrar que na fábula original os ovos eram de gansos, mas
como ela não sabia cantar a galinha fez seu marketing e acabou
levando... Mas isto é outra estória. Vamos voltar a nossa: como destruir
o negócio? Muito fácil. Basta que façam coisas do tipo:
* Viver brigando entre si por poder, status, cargos e outras coisas
banais e insignificantes.
* Prometer e não entregar, e o que é pior, mentir para seus clientes.
* Misturar a vida profissional com a pessoal, por isso vive tirando dela
o máximo possível de dinheiro para satisfazer às suas necessidades
pessoais.
* Acreditar que sabe tudo, conseqüentemente, “acha” que não precisa da
ajuda de mais ninguém – colaboradores internos ou externos – para
administrar os negócios da empresa.
* Viver empregando parentes desqualificados em detrimento da contratação
de profissionais habilitados e capacitados.
* Viver explorando fornecedores, desconsiderando as suas necessidades e
satisfações e não transforma-los em parceiros da empresa.
* Não ter ética nas relações com colaboradores, fornecedores e clientes.
* Desconsiderar o tripé: educação, treinamento e desenvolvimento, isto
é, não permitir que os colaboradores sejam reciclados e melhorados por
acreditar que eles “irão virar cobras para lhe morder” ou “depois de
treinados irão para a concorrência”.
* Valorizar mais as pessoas que o vivem “bajulando” – “querido
chefinho”, “o senhor está sempre certo”, “claro chefinho” – do que
aquelas que o questionem e que apresentem novos caminhos.
* Não investir em aprimoramentos e melhorias para aumentar os negócios e
lucros da empresa.
* Gritar com as pessoas ou repreender o tempo todo. Nessa empresa não
existem relacionamentos intra e interpessoal. Ainda é do tempo que a
eficiência e a eficácia eram conseguidas na base do “manda quem pode,
obedece quem tem juízo”.
* Passar o tempo todo em reuniões improdutivas, na sua maioria sem
agenda, objetivo, propósito e horário para início e fim. São as famosas
“resopones” (reuniões para solucionar porcaria nenhuma).
* Ser omisso. Não solucionar ou ajudar a solução de problemas. Quando é
procurado por um subordinado para ajudá-lo sobre algum assunto,
transforma a ajuda em perguntas feitas do tipo: “você traz a solução ou
faz parte do problema?”
* Sonegar informações aos colaboradores, pois ainda acredita que “reter
informações e ter poder”. Ao contrário: quem dissemina a informação é
quem detém o poder.
* Construir um nicho de poder onde vive “encastelado” na sua mesa. Seus
clientes, colaboradores e fornecedores são, apenas, seus vassalos.
Existem apenas para atendê-lo.
* Manter uma estrutura hierarquizada, rígida e ultrapassada. Por
conseguinte, existe total distanciamento entre os níveis, inexistem
relacionamentos interpessoais e comunicação. Nesta empresa as pessoas
passam o tempo todo falando “das outras” e “não com as outras”.
* Dar a si e para “seus afilhados” ganhos exorbitantes, benefícios
especiais e salários de “fome” para os colaboradores e assistência do
“INSS”.
É claro que o exemplo vem de cima. Se o dono, sócio ou herdeiro agir
como nos exemplos apresentados os colaboradores da empresa também
passarão agir de forma inadequada. Naturalmente observa-se nos seus
funcionários:
* Falta de comprometimento, logo, deixam tudo para fazer depois. Lembra
aquele texto “Não é Comigo” fixado nos avisos das empresas.
* Desperdício e retrabalho não são com eles. Se os sócios não sabem, por
exemplo, 40% do orçamento operacional de uma empresa de serviço são
gastos em refazer trabalhos. Pesquisas também indicam que numa
organização industrial, este percentual atinge cerca de 20% de suas
receitas de vendas, como os colaboradores vão estar preocupados com
isto?
* Fazer simplesmente o necessário ou o que foi mandado: nem mais nem
menos. Afinal, não existe motivação para trabalhar na empresa.
Conclusão
Essas empresas tardiamente buscam ajuda para salva-las. Na maioria das
vezes não há mais solução. Outras vezes, com a ajuda de consultores e
muito esforço dos donos, sócios ou herdeiros, com muita vontade política
promovem uma mudança radical na empresa, conseguem salvar a empresa.
Se você conseguiu identificar neste artigo, um ou mais exemplos que se
aplicam a sua empresa ou a alguma que conheça, tenha certeza, ele é um
indicador que ela está no rol da melhor empresa para falir. Evitar isso,
depende de você!
Antomar Marins e Silva é Escritor e Consultor de melhoria de resultados
de negócios das organizações e especialista em gestão estratégica,
professor e facilitadores de treinamentos para os níveis tático e
estratégico das empresas. Autor dos livros Sonhar é para Estrategistas;
Gestão Estratégica de Negócios: Pensamentos e Reflexões; Qualidade: O
Desafio da Secretária; Desperdício: Como Eliminá-lo Através dos 5S´s,
Lições Aprendidas; Empreendedorismo Empresarial; Motivação e Artigus,
além de mais 500 artigos técnicos publicados no Brasil e no exterior.
Detentor de inúmeros prêmios profissionais, além de honrarias nacionais
e internacionais. email: antomar.marins@gmail.com