Não Suporto Meu Chefe - Como Crescer na Carreira, Apesar do Chefe
Por Inácia Soares
14/08/2009

Nenhum profissional escapa desta relação. Ter vários chefes ao longo da vida faz parte da carreira. A estrutura das empresas se fundamenta na hierarquia como forma de garantir controle e produtividade. Até o chefe, se não é o proprietário do negócio, também tem chefe. Afinal, ele deve obediência ao dono da empresa. Portanto, aprender a lidar com o chefe é o caminho mais sensato e inteligente para construir uma boa carreira. E antes que você comece a achar que seu chefe é um caso perdido, avance mais um pouco na leitura.
Os chefes acham que se espera deles o controle absoluto sobre os processos e as pessoas, por isso tendem a ser controladores. Não existe escola de chefes e ninguém sabe como fazer antes de assumir o cargo. E há aqueles que, nem depois de assumir aprendem, claro. O tamanho da responsabilidade de um chefe dentro de qualquer negócio deveria obrigar os empresários a exigir mais qualificação dos seus executivos e esses, de si mesmos. Como a experiência é a mãe do aprendizado, aprende-se a ser chefe, somente fazendo. E com um agravante: ninguém dá feedback ao chefe. Logo, ele nem sempre sabe que está errando e continua a errar.

Um grande erro dos chefes está em se esquecer que para alcançar os melhores resultados, é preciso ter as pessoas certas nos lugares certos. Sem ter percepção para isso, e com sérias dificuldades de liderar o grupo, o chefe não chega a um bom lugar. Tenho visto muitos chefes trabalhando para mudar isso. Fazem cursos, leem muitos livros, assistem palestras e monitoram o próprio comportamento. Mas enquanto eles vão tentando mudar, os subordinados podem garantir paz e produtividade tomando algumas medidas preventivas e ativas.

O chefe tem o direito de errar – Quem nunca chamou o chefe de burro por vê-lo tomando uma decisão errada? Errada aos seus olhos. Aos deles, era a melhor. É preciso entender que, ainda que a decisão esteja equivocada, seu chefe tem o direito de tomá-la. Chefe é pago para acertar, mas pode errar. Não pense que você deve ficar de braços cruzados assistindo a tudo isso. O papel do subordinado é alertar e informar chefe, fornecendo novos dados que o permitam reavaliar o processo. Se ele insistir na primeira decisão, acate e não torça para as coisas darem errado.

O chefe tem o direito de desconfiar – Para ele, seu único objetivo é tomar o lugar dele. Não o culpe por isso, a ambição é um desejo inerente aos profissionais que querem crescer na carreira, e ele sabe disso, pois já desejou o lugar do chefe dele. Até que se ceder o lugar para você significasse que ele iria para um lugar melhor, tudo bem, mas se a empresa é pequena, a chegada de um novo chefe implica na saída do chefe atual. Logo, ele não quer que você apareça demais. Entenda isso. É a vez dele, quando chegar a sua, você entenderá o medo do seu chefe. Portanto, seu chefe precisa ser apoiado. Ele precisa entender que pode contar com você, ainda que você seja mais preparado que ele.

O chefe deve ter as melhores idéias – Ainda que você seja o autor delas. Se seu chefe não é do tipo criativo, e, para piorar, não sabe reconhecer quem é – você, no caso – é importante ajudá-lo. Em um diálogo casual, diga que depois das últimas conversas com ele – ainda que você não consiga dizer, exatamente, com o que o seu chefe contribuiu - você pensou na criação de um novo processo ou produto. E complete dizendo que ele está certo em dizer que outro tipo de solução não daria certo. Em outras palavras, a sua grande idéia se tornou dele. E antes de sair da sala do seu chefe, diga que está às ordens para ajudá-lo no novo projeto!

O chefe não precisa pedir desculpas – Se você está cansado de levar bronca injusta do seu chefe, antecipe-se na próxima vez. Peça desculpas antes que um novo erro – do seu chefe - venha à tona. Claro que se você fosse mais atento – ou se tivesse mais poder nas mãos, mas isso você só deve pensar e jamais dizer - poderia ter previsto aquele erro e seu chefe não estaria em maus lençóis agora. Se ele perceber que você está sendo sincero ao querer protegê-lo – ainda que ele não faça por merecer – ele saberá reconhecer seu esforço e passará a se apoiar a você, transformando-o no subchefe oficial e isso tem suas vantagens.
A verdade é que ser chefe tem um lado muito chato, portanto, não deseje se tornar um assim tão rápido. Claro que enquanto você não for chefe de alguma coisa você continuará achando que sua carreira não decolou, e sua família e seus amigos pensarão o mesmo. Mas depois que você se tornar um, vai perder o resto de sossego que tem. Tudo o que você fizer será observado, julgado e, precocemente, condenado. Dê adeus à hora do cafezinho...
O chefe fica à margem do grupo. Ninguém elege o chefe para ser seu melhor amigo na empresa. Não porque ele não seja gente boa, mas porque você tem medo do que vão lhe chamar se souberem que seu chefe participou do último churrasco na sua casa. O pobre do chefe perde o direito de aprender, pois já tem que saber tudo. E se ele mostra desconhecimento diante de uma resposta, logo duvidam da capacidade dele de ser chefe.
Quando estiver novamente ao lado do seu chefe, olhe para ele como você olharia para o seu filho no primeiro dia de aula: disposto a fazer tudo para que ele se sinta melhor diante daquele desafio. Um chefe – ainda que seja carrasco – jamais esquece um bom subordinado. Quer crescer na carreira? Apóie seu chefe e seja o melhor subordinado que ele já sonhou em ter. Quando chegar a sua vez, você saberá quantas horas a menos tem a madrugada de um chefe e vai agradecer se tiver um subordinado de ouro.

Inácia Soares, jornalista e apresentadora do programa Mesa de Negócios, o mais antigo da TV mineira, exibido na TV Horizonte, professora do MBA Pitágoras, palestrante e coautora dos livros “Emoção, conflito e poder nas organizações” (Editora Com Arte/2009) e “Do Porteiro ao presidente” (Editora Com Arte/2009).
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