Não venda produtos. Venda sonhos
Por Luiz Renato Roble
02/02/2010
Fiquei impressionado, quando outro dia, em um evento, ouvi a apresentação de um
homem que falava sobre sua profissão: “Eu vendo o melhor produto do mundo.
O sonho de qualquer pessoa, pois quem já possui um, gostaria de ter outro: Eu
vendo Imóveis”. Era notável como o tal homem falava de seu trabalho, pois ele
respirava vendas. O que mais chamou minha atenção, foi justamente sua colocação
inicial, valorizando sua profissão e seu produto, tornando vendas e locações de
imóveis, o que a princípio poderia ser algo banal e aborrecido, em um ícone do
sonho de consumo da sociedade contemporânea.
Ele tem razão. Na verdade, as pessoas estudam, batalham e trabalham duro para
vencer e progredir, desejando melhorar seu padrão de vida, ter conforto e
principalmente adquirir bens que as satisfaçam. As pessoas lutam para realizar
seus sonhos e o verbo comprar, invariavelmente, está relacionado com estas
conquistas.
Para que uma compra seja um sonho, não é preciso que se trate de uma casa na
praia ou de um apartamento maior. O simples ato de comprar uma margarina, pode
estar, indiretamente, relacionado ao desejo de uma feliz manhã de sábado junto à
família.
Ao comprar uma calça, uma mulher pode estar, indiretamente, conquistando aquela
silhueta que ela não tem, mas que deseja ter. E quando compra um carro novo, uma
pessoa pode estar adquirindo, também, uma idade ou um status que imagina para
si.
O importante é que não estamos apenas vendendo ou comprando produtos ou
serviços. É um pouco além disso. Vendemos sim, um conceito, uma miragem,
um sonho que, com certeza, é muito mais forte do que o próprio produto. Quem
trabalha no comércio deve acordar e trabalhar para que permita às pessoas
concretizarem seus sonhos, seja lá qual forem eles. Na verdade, depois que as
pessoas saem de casa, enfrentam um trânsito, normalmente complicado, encontram
uma vaga no, sempre difícil, estacionamento de um shopping, caminham, olhando
vitrines e finalmente, decidem entrar em uma loja, a intenção de compra já está
lá, presente no íntimo delas. Basta saber concretizar a venda. Realizar seus
sonhos.
O engraçado que a maioria das pessoas não se dá conta disto, nem os lojistas.
O ponto-de-venda, neste processo todo é fundamental e precisa estar envolto em
uma nuvem de magia e sedução, para que o mais simples ou o mais sublime dos
sonhos seja ali realizado. Isto pode e deve ser obtido através de um bom design
aplicado na ambientação e comunicação, de um atendimento profissional e
surpreendente, não se esquecendo é claro, da qualidade dos produtos e serviços,
ali oferecidos.
Luiz Renato Roble criacao@datamaker.com.br
Designer e Diretor de Criação da Datamaker Designers www.datamaker.com.br
Fonte: Datamaker