Network: Como usar o email a seu favor
Por Luís Sérgio Lico
06/04/2009
Não é incomum que eu receba por semana, milhares de emails com variados tipos de
pedidos. Muitos são para agendar datas de palestras e cursos, outros de
informações, amigos, profissionais e desconhecidos sobre ajuda técnica,
pedagógica, entrevistas e assuntos variados; incluindo muito, muito lixo. Destes
últimos, minha memória de elefante ameaça: não comprarei, jamais!
Aliás, esta deve ser a rotina dos demais seres info-organizacionais (oops!),
quer dizer, humanos. Para estas espécies, cujo anteparo virtual de seu habitat é
de concreto e ar condicionado, o correio eletrônico é uma atividade que absorve
muitas vidas, quase integralmente. Por isso e spammers fora, vamos olhar mais
para o conteúdo que se pede. Isto revela muito sobre o campo psicológico e
empresarial, que a pessoa se encontra neste momento. Vai do cômico ao atroz.
Eu sei que o email é somente a primeira onda dos comunicadores e que hoje tem
todo tipo possível de mídias e tal. Não é disso que eu falo, e sim, do ato de
escrever, que ainda guarda raízes nos afetos individuais e, através dele, se
demonstram nossos graus de maturidade ou insanidade. Como a mensagem eletrônica
é a sucessora das cartas, podemos analisar o grau de despreparo, até os cegantes
desesperos. Um psiquiatra que analisasse o caso, certamente internaria a
maioria!
Alguém, certamente, já recebeu mensagens de pessoas gritando, com aquelas
maiúsculas no texto, só por causa de um ponto de vista ou um erro de digitação.
O mudo virtual, como a natureza, não possui compaixão. Outro caso clássico é a
pessoa que responde para você, quando o correto seria ela ler o email e
responder para o contato no corpo do texto. Em fóruns de comentários, nos mega
portais da web, a inanidade das opiniões. A cada notícia, segue-se abaixo, um
festival de obscenidades de um vazio ético colossal. Nas listas de discussão,
então nem se fala! Basta alguém destoar na postagem, para que um exército de
fuinhas brade seus tacapes filisteus contra o desavisado. Ok. Tem gente que
merece, mesmo. Mas, via de regra, nós precisamos disciplinar isto, pois deixa
claro que tipo de emoções nós represamos. Responda sempre com classe e após ler
bem.
O fenômeno da escrita, como convive há milênios conosco, está tão entranhado em
nossa maneira de expressão, que podemos exagerar na dose. Para mais ou menos.
Sim, pois tem gente também que aderiu à novilíngua, onde menos é mais e qualquer
frase pode conter uma crimidéia. Você manda um descritivo técnico ou proposta e
pede que leiam 4 parágrafos, retornando com sua análise ou informações e a
pessoa diz: Ok. Depois disso, não manda mais nada e, até recusa falar contigo.
Depois, na presença do chefe, vai dizer que você está “engessando” o processo.
Tem também aquele que dispara 100 emails sobre assuntos triviais e, quando você
pergunta sobre o que foi decidido, a pessoa diz: - Não sei, perdi o email. Manda
de novo...
Imagine então, se convivermos com um alto grau de destempero, como veremos o
cidadão ao longo do tempo? Não mais levaremos a sério e deletamos qualquer
recebimento. Quer um exemplo? Você acredita nas conspirações da rádio peão, nas
paranóias do chefe sobre atingir metas ou naquela amiga insegura que vive
mandando correntes? Muito provável que, a cada onda de pressão, as pessoas
comentem: - O cara escreveu uma Bíblia hoje! Nossa! Ontem, o texto veio em corpo
35 negrito, versal! Meu! Pára de mandar anexo PPT com musiquinha! Xii, o cara
não responde mais...
O network legítimo é baseado nas relações civilizadas que mantemos com as
pessoas, em modo virtual. Pense sempre que guardamos simpatia por quem nos
reconhece e, principalmente, não nos aborrece ou ofende a inteligência. Antes de
perguntar, se não gostar de livros, consulte o Google. A recíproca também é
verdadeira. Assim, pense antes de mandar uma mensagem e, nunca, se for possível,
deixe de responder a uma questão importante. Todos nós agradecemos, pois, como
vocês sabem gentileza, gera gentileza e este é o caminho para um bom
relacionamento com as pessoas.
Luís Sérgio Lico é Palestrante e Conselheiro Organizacional. Mestre em Filosofia e Especialista em Gestão do Comportamento. Autor dos Livros: O Profissional Invisível e Fator Humano. www.consultivelabs.com.br