O que fazer quando isso
acontece, sem aparentemente
haver razão para tal?
Supondo que até recentemente
houve uma prolongada reunião
com esse Cliente, em que
este demonstrou muito
interesse nas ofertas
feitas, e que a seguir lhe
foi enviado um email com
mais detalhes.
Posteriormente, começam as
tentativas de dar seguimento
ao negócio... enviamos
emails, fazemos chamadas
telefônicas, deixamos
recados no voice-mail e...
nada ! Não há resposta, nem
o Cliente devolve os
contactos feitos. O que
fazer ?
Uma possibilidade: dar ao
Cliente espaço, não
telefonar, não deixar
recados e não enviar mais
emails. Uma alternativa –
apenas se efetivamente há já
um conhecimento profundo – a
melhor prática nessa fase da
relação é enviar
periodicamente emails não de
caráter profissional, com
assuntos que possam
despertar-lhe interesse: um
livro que tenha lido, um
filme que tenha visto, uma
peça de teatro, sugestão de
um restaurante especial....
coisas que façam o Cliente
sentir-se bem e dessa forma
ele continuará a pensar em
nós e não nos esquecerá
quando precisar.
Provavelmente, se continuar
a pressionar o Cliente, ele
sentir-se-á como alguém a
quem estão a cobrar uma
dívida, e com tantas
chamadas telefônicas poderá,
quase no extremo, sentir-se
assediado.
Ter presente que há muitas
pessoas que são muito
amáveis no “cara-a-cara”,
tentam ser construtivas no
diálogo e demonstram
interesse nas ofertas quando
efetivamente não estão
interessadas. Esse tipo de
pessoas pura e simplesmente
“não sabe como dizer não”.
Muitas das vezes, essas
pessoas sentem-se “culpadas”
quando têm de dizer “não” a
fornecedores e por isso,
sentem-se embaraçadas quando
têm de responder às chamadas
telefônicas ou aos emails.
Não colocar de parte a
possibilidade de talvez ser
a altura de nos
interrogarmos se esse
Cliente é tão bom quanto
pensávamos. Talvez esse
Cliente se sinta
envergonhado, por ter optado
por um concorrente e não
saiba como nos dizer que não
quer trabalhar conosco.
Portanto, provavelmente,
está na altura de investir o
nosso tempo na prospecção de
novos Clientes.
Pessoalmente prefiro ouvir
um “não” o mais cedo
possível no ciclo de vendas
do que perseguir o Cliente.
A perseguição nunca ajuda à
motivação e é mais
frustrante para ambas as
partes envolvidas. Penso que
será também importante
ouvirmos o “não”, pois isso
poderá permitir-nos usar o
nosso tacto e colocar
questões que podem ser úteis
no futuro. Por outro lado,
nunca devemos ficar
demasiado excitados quando
nos dizem que talvez haja
uma oportunidade de se
fechar um negócio. Para dar
um exemplo: digamos que o
Cliente apenas pretende
conhecer o nosso produto e
diz que o pretende comprar.
Neste ponto, devemos ter em
mente várias perguntas
pertinentes antes de
fechamos todas as outras
portas e focarmo-nos apenas
nesta oportunidade. Devemos
tentar saber o que o Cliente
pretende e porquê ? E porquê
nos escolheu a nós ? Ou será
apenas que o Cliente está a
fazer mais uma consulta ao
mercado, e precisa de 3
propostas e demonstra
interesse antecipado para
obter a nossa proposta ?
É por isso preferível ouvir
um “não” ! Sugiro que se
tenha a honestidade
intelectual de dizer ao
Cliente “que preferimos
ouvir um não” do que não
termos respostas. Faço-a
sentir que poderá haver uma
relação para lá apenas do
negócio enviando uma breve
nota a dizer “olá” e a
perguntar como vão as coisas
no seu país / região ou
cidade. Faça-o sentir que
somos mais do que apenas
mais um vendedor: “Como tem
passado ? Está tudo bem ?” ,
sem mencionar os anteriores
telefonemas, mensagens,
emails que não obtiveram
resposta. O seu melhor
Cliente, ainda é o seu
melhor Cliente ! Não
precisamos apenas de
Clientes: precisamos de
Parceiros, de preferência
bons Clientes.
A reter: muitas vezes os
Clientes demonstram
interesse, quando
efetivamente não estão
interessados. Como não sabem
dizer “não” , tentam evitar
o problema da mudança de
fornecedor consumindo o
nosso tempo, transmitindo
sinais de que estão
permanentemente ocupados mas
sem dizer “não” A situação
fica cada vez pior à medida
que o tempo passa e
agrava-se se pensarmos que
estamos perto do sucesso,
investindo nisso a nossa
produtividade e o nosso
tempo. Nesta altura, eu
diria que de fato é uma boa
idéia abrandar a pressão.
Mas, por outro lado, não
negligenciar o nosso
Cliente. Tentar manter o
contacto com informações
regulares: novos produtos,
novas tecnologias, saudações
de caráter pessoal... Nunca
saberemos se um dia o
Cliente não irá mesmo
precisar de nós. Mas, como
deixamos de o contatar, ele
esqueceu-se de nós: “longe
da vista, longe do
coração.... longe da
memória, longe da recordação
“.
Miguel Cristovão é Pós-Graduado em Gestão de Marketing e Mestrado em Estratégia e Desenvolvimento Empresarial. Experiência de quase 20 anos nas áreas de Marketing e Vendas, com funções em empresas como 3M , Tudor, ABB-Adtranz e Sixt. Atualmente na Samsung Portugal, Mobile Divison, com a Gestão de Grandes Contas. Membro ainda da APPM - Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing, do Clube da Negociação e palestrante convidado de Seminários do IIR - Instituto for International Research.

