A globalização da economia
tem vindo a exigir, cada vez
mais mudanças no
desenvolvimento de produtos
e serviços capazes de
responder às necessidades de
mercados globais. A
globalização significa na
prática clientes globais e
oportunidades globais. Este
processo envolve uma
crescente desregulamentação
dos sectores da economia, a
digitalização dos sistemas
de comunicação e informação,
padrões tecnológicos abertos
e alta volatilidade. Em
última análise à
globalização de mercados,
acrescenta-se a globalização
da cadeia de valor, isto é,
uma empresa pode espalhar as
atividades da cadeia de
valor pelo mundo, de forma a
aproveitar em cada região o
fator mais globalmente
competitivo.
Todas estas bruscas mudanças
trazem uma nova importância
à estratégia. Agora já não
basta optar e evoluir, é
necessário repensar
estrategicamente
praticamente tudo: desde a
definição do negócio, à
percepção de tecnologias e
competências necessárias, e
ao redesenho de sistemas
organizacionais até à
própria redefinição de
espaços de atuação. Terminou
portanto a fase
evolucionista e começa a
revolução do paradigma
conceptual: Este significa
que as regras e os valores
anteriormente existentes
deixam de se aplicar e são,
através de uma ruptura,
substituídos por outros.
Numa ruptura paradigmática o
que era "o Certo" passa a
errado e "o novo certo" tem
de ser descoberto.
Diante disto, as principais
questões analisadas por C.K.
Prahalad foram como criar
novos negócios? Como
aproveitar os negócios já
existentes à escala mundial?
Como alocar recursos? Como
estabelecer, acomodar e
alavancar as tecnologias
emergentes?
Segundo C.K.Prahalad, o
primeiro e o mais importante
passo que uma empresa deve
tomar é identificar e
maximizar as suas
competências-chave,
descobrir as que falta para
construir o futuro que
deseja. As
competências-chave, é um dos
seus principais conceitos da
sua teoria, consistem num
conjunto único de
habilidades que incluí uma
componente tecnológica e uma
componente de aprendizagem.
Essa combinação entre
tecnologia e aprendizagem,
deve estar presente em todas
as unidades de negócio. É
algo que traz embutido um
valor agregado bastante
complexo exclusivo e
particular da empresa.
Prahalad não distingue o
conceito de estratégia e de
criatividade. A estratégia
não é um exercício de
reposicionamento da empresa
dentro do sector onde atua,
ao contrário, a estratégia é
um esforço de descoberta,
isto é, é preciso procurar
novos padrões de
oportunidades e novos
padrões de interação entre
clientes, empresas,
tecnologias e mercados.
Para C.K.Prahalad, durante
os anos 80 os gestores eram
julgados pela sua habilidade
para reestruturar as suas
organizações. Nos anos 90,
os executivos foram julgados
pela sua habilidade de
identificar, cultivar e
explorar as
competências-chave. Para tal
os gestores tiveram de
repensar o conceito de
organização em si mesma. Uma
organização diversificada
pode conseguir melhorar a
performance das unidades de
negócio mas com as
fronteiras dos mercados a
mudarem muito depressa têm
dificuldade em atingir os
alvos. Por isso poucas
empresas são capazes de
inventar novos mercados, de
entrar rapidamente em
mercados emergentes ou
ainda, alterar os padrões de
escolha dos clientes. E
hoje? Como será a partir de
hoje? Voltaremos ao tipo de
gestão dos anos 80? Parece
que sim...
A tarefa fundamental da
gestão é criar uma
organização capaz de
produzir e idealizar
produtos com uma
funcionalidade irresistível
ou melhor ainda, criar
produtos que os consumidores
precisam mas que nunca
sequer tinham pensado. A
competitividade evolui da
relação preço/qualidade e
passou a depender da
capacidade para construir as
competências-chave capazes
de produzir produtos em
antecipação à concorrência.
Neste contexto, a fonte da
vantagem competitiva será
encontrada na capacidade da
gestão para consolidar as
diferentes tecnologias,
técnicas e métodos de
produção em
competências-chave que
permitem potenciar a rápida
adaptação da empresa aos
mercados.
Desta forma, e
metaforicamente, a
organização aparece como uma
grande árvore em que o
tronco e os ramos mais
robustos são os produtos
essenciais, os ramos mais
pequenos são as unidades de
negócio, as folhas, as
flores e os frutos são os
produtos finais. Mas, o que
assegura o alimento e os
nutrientes vitais a essa
árvore são as
competências-chave. Deste
modo, não podemos
compreender a força dos
concorrentes se olharmos
simplesmente para os seus
produtos finais da mesma
forma como não podemos
compreender a força da
árvore se olharmos apenas
para as suas folhas. As
competências-chave da
organização resultam da
aprendizagem coletiva,
especialmente a aprendizagem
de como coordenar diferentes
técnicas e práticas de
produção e integrar
múltiplos fluxos
tecnológicos.
Mas se as competências-chave
dizem respeito à
harmonização de diferentes
tecnologias, dizem também
respeito à forma como a
organização produz e
distribui valor. Isto
significa que as
competências essenciais
implicam a comunicação, o
envolvimento e um profundo
compromisso que atravessa a
organização, envolvendo
muitos níveis de pessoas e
de funções. Deste modo, as
competências-chave devem ser
construídas em volta de
indivíduos cujos esforços
estão orientados no sentido
de reconhecer as
oportunidades e as
potencialidades de
compartilhar e combinar as
suas
habilidades/capacidades. As
competências-chave não
diminuem com a utilização,
ao contrário de outros
ativos. As competências
crescem quando aplicadas e
partilhadas. São o elo
agregador dos diferentes
negócios existentes e são
igualmente o motor do
aparecimento e
desenvolvimento de novos
negócios.
Existem muitas empresas que
têm potencial para construir
competências essenciais mas
falham porque a gestão de
topo se manifestou incapaz
de conceber a empresa como
qualquer coisa diferente de
um simples conjunto de
negócios. Quando as
competências ficam
aprisionadas dentro de uma
unidade de negócio as
pessoas que lhe dão corpo
não são motivadas pelo
aparecimento de novas
oportunidades e desafios. As
suas experiências e
conhecimentos vão ficando
atrofiadas. É imperativo que
os gestores de topo devotem
mais atenção ao processo de
afetação das capacidades
humanas, da mesma forma que
o fazem com outros ativos.
Miguel Cristovão é Pós-Graduado em Gestão de Marketing e Mestrado em Estratégia e Desenvolvimento Empresarial. Experiência de quase 20 anos nas áreas de Marketing e Vendas, com funções em empresas como 3M , Tudor, ABB-Adtranz e Sixt. Atualmente na Samsung Portugal, Mobile Divison, com a Gestão de Grandes Contas. Membro ainda da APPM - Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing, do Clube da Negociação e palestrante convidado de Seminários do IIR - Instituto for International Research.

