É comum entre as companhias,
especialmente no mercado
B2B, baixar preços para
incrementar vendas e ganhar
quota de mercado. Só fazem
isto porque não valorizam a
pré-análise, têm pouca
consideração pelo processo e
pela qualidade das
operações. Em tempos de
abrandamento econômico, as
equipes de marketing e
vendas reagem ainda mais
depressa e reduzem os preços
de transação, agindo de
forma quase instintiva. Por
isso, aquelas empresas que
constantemente gerem a
qualidade das suas operações
de fixação de preços –
Pricing, na linguagem
anglo-saxônica - estão
melhor preparadas para
enfrentar a concorrência, a
recessão, a inflação ou a
estagnação econômica.
Obviamente, quando as ações
sobre o preço não seguem as
regras estabelecidas ou as
regras não regulam as ações,
o resultado desgasta as
vendas e dilapida o lucro da
empresa, pelo que se deve
ter presente que há
compradores que se apercebem
de todas as variações de
preços, ainda que pequenas !
E que agem rapidamente, logo
no início da procura,
exigindo mesmo, ainda mais
descontos que,
freqüentemente, opõem
fornecedores que assim
concorrem entre si. Isto
atira as empresas para uma
espiral de baixo lucro -
redução de preço para
compradores seletivos, que
deixam de dar tréguas nas
negociações, à medida que a
procura aumenta. A variação
de preço surgirá então fruto
de processos inconsistentes,
tal como a falta de
conformidade a diretrizes é
semelhante a um "defeito de
fabrico" no processo
industrial quando produtos
são produzidos fora das
especificações. A solução,
semelhante num processo de
fabrico, é redefinir o
processo e aplicar um
controlo de qualidade nas
operações de Pricing.
Estratégias de fixação de
preços versus Operações para
fixação de preços
As atividades de Pricing,
são afetadas ou são
executadas por diferentes
pessoas na empresa, onde um
objetivo e um entendimento
comuns são tão críticos
quanto o “salva-vidas” é
para um náufrago ! É
surpreendente, que líderes
de negócio acreditem que o
preço de um produto ou de um
serviço é um puro exercício
matemático, que resulta do
fluxo simples de trabalho de
um ou dois colaboradores.
Quando os líderes de negócio
não entendem a complexidade
da função de fixação de
preços, eles não só estão a
comprometer as carreiras dos
seus profissionais de
Pricing, como também e ainda
que involuntariamente, estão
a afastar-se da maximização
do lucro.
É verdade que o preço de um
produto para um Cliente
deriva de um preço de tabela
ou PVPr depois de IVA,
descontos, bônus,
incentivos, comparticipações
ou créditos..., dependendo
da indústria. Mas o processo
de derivação do preço pode
ser complexo, porque
freqüentemente a sua fixação
pode ser em função de uma
opção de gestão a nível
estratégico ou a nível
operacional. A estratégia de
Pricing de fora para dentro,
tem em conta o
posicionamento da empresa
face aos seus concorrentes é
baseada em atributos de
produto, qualidade e marca.
Ao passo que, Pricing ao
nível das operações, envolve
processos principalmente
internos para modificar
preços de tabela e processos
de controlo, de forma a
assegurar conformidades de
acordo com as diretrizes ao
nível da transação. E aí
pode ser implementada a
metodologia Six Sigma que é
aplicável a operações de
fixação de preços e não para
desenhar nem para escolher
estratégias de Pricing.
Claramente definido o
processo de Pricing, e bem
percebido por toda a
organização, toda a empresa
terá maior êxito na
implementação da estratégia
escolhida para a fixação de
preços. Como nota final
recorde-se o que diz Robert
Phillips no livro Pricing
and Revenue Optimization,
2005: "As decisões de
Pricing estão a tornar-se
crescentemente tácticas e
operacionais, em vez de
estratégicas”. Por isso,
fixação de preços numa
óptica de Six Sigma, pode
ajudar as empresas a
permanecer no caminho da
rentabilidade,tendo em conta
o clima do negócio mas sem
que isto seja o único fator
de decisão.
Miguel Cristovão é
Pós-Graduado em Gestão de
Marketing e Mestrado em
Estratégia e Desenvolvimento
Empresarial. Experiência de
quase 20 anos nas áreas de
Marketing e Vendas, com
funções em empresas como 3M
, Tudor, ABB-Adtranz e Sixt.
Atualmente na Samsung
Portugal, Mobile Divison,
com a Gestão de Grandes
Contas. Membro ainda da APPM
- Associação Portuguesa dos
Profissionais de Marketing,
do Clube da Negociação e
palestrante convidado de
Seminários do IIR -
Instituto for International
Research.

