Imagine um agricultor que reclama do sol, da lua, da
chuva, do tempo, do solo e da semente. Provavelmente
não terá uma grande colheita e seus resultados serão
bastante pobres. Ao seu lado, seu vizinho tem
exatamente as mesmas condições, mas prospera. Porque
será?
Imagine agora um profissional que reclama do
mercado, do dólar, do seu salário, da empresa, dos
colegas, dos clientes. Provavelmente seus resultados
serão também bastante pobres. Ao seu lado, um colega
tem exatamente as mesmas condições, mas prospera.
Porque?
Para o agricultor, o tempo, o solo e a semente são
suas ferramentas de desenvolvimento. São elas que
lhe dão as condições para se desenvolver e
prosperar. Para o profissional, sua empresa, seus
produtos e serviços, colegas e clientes são suas
ferramentas. Algumas pessoas vêm o que tem
disponível como empecilho, enquanto outros como
alavanca para o sucesso. Alguns aproveitam, outros
reclamam. É basicamente uma diferença de atitude e
postura, porque o disponível é exatamente o mesmo.
Acontece que tudo o que temos são exatamente essas
ferramentas. Como é que alguém pode querer crescer
reclamando justamente das únicas coisas que tem
disponíveis? Não vai crescer nunca. Ou se aproveita
o que se tem disponível, ou se morre reclamando e
sem sucesso. E tudo por uma questão de atitude e
postura.
É pelo mesmo motivo que muitos imigrantes chegam ao
Brasil e prosperam. Chegam aqui sem nada, encontram
maravilhados um país cheio de oportunidades, e mesmo
sem falar a língua conseguem prosperar. Enquanto
isso, todos nós conhecemos brasileiros que só
conseguem enxergar o lado negro, as coisas ruins, a
parte negativa do país.
O que precisamos é repensar e reposicionar essa
nossa postura. Estamos tão acostumados com a
abundância que já não conseguimos mais enxergá-la.
Precisamos realmente que venham os gringos nos dizer
que o Brasil é o país das oportunidades? Precisamos
mesmo que venham nos ensinar a desenvolver mercados,
construir empresas, criar marcas?
Não. O que precisamos é entender que estamos
rodeados de ferramentas. Em todas as empresas com as
quais trabalhamos, sempre pergunto qual a diferença
de salário entre os melhores e os piores vendedores
(quando são comissionados). A grande maioria das
diferenças gira entre 5 e 10 vezes - o melhor
vendedor ganha entre 5 e 10 vezes mais do que o
pior. Vendendo o mesmo produto/serviço, para
clientes semelhantes, com tabela de preços igual. Um
vê oportunidades, outro só limitações. Mesmo quando
existem territórios diferentes, voltamos ao assunto
original: adianta reclamar do terreno, se é essa
ferramenta que lhe deram?
E o pior: quem tem os resultados mais fracos não
procura saber o que fazem os campeões. Sabe porque?
Porque no fundo não lhes interessa. Isso faria com
que tivessem que mudar, e a mudança é sempre
incômoda. Muitas pessoas não querem mudar, mesmo que
seus resultados sejam medíocres. Na verdade, querem
apenas mais desculpas para justificar sua
mediocridade. Enquanto isso, colegas, agricultores,
empresários e imigrantes bem ao seu lado prosperam.
Porque será?
Tem um ditado espanhol que diz que não existe pior
cego do que aquele que não quer ver. A resposta para
o sucesso e a prosperidade está aí, bem na sua
frente, mas tem que querer enxergar. Aproveite o que
você tem disponível, mesmo que seja pouco ou
limitado, e você com certeza vai prosperar muito
mais do que alguém do lado com as mesmas
oportunidades, mas que não as usa porque está
ocupado demais reclamando.
Raúl Candeloro (raul@vendamais.com.br) é palestrante
e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e
Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais,
Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas.
Formado em Administração de Empresas e mestre em
empreendedorismo pelo Babson College, é responsável
pelo portal www.vendamais.com.br.

